Publicado em 9 de junho de 2026 às 08:28
Uma reviravolta digna de roteiro de cinema abalou as estruturas da segurança pública paulista na manhã desta terça-feira (9). Uma ação conjunta liderada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) desarticulou uma rede criminosa altamente infiltrada no próprio Estado.>
A operação resultou na prisão temporária de três pessoas: um investigador da Polícia Civil, um ex-policial da mesma corporação e um jovem que atuava como estagiário dentro do próprio Ministério Público. O trio é suspeito de trabalhar secretamente para o Primeiro Comando da Capital (PCC), atuando tanto no vazamento de informações sigilosas quanto no planejamento do assassinato do promotor Amauri Silveira Filho, peça-chave do Gaeco no combate às facções.>
As equipes policiais e do MP saíram às ruas nas cidades de Campinas e Cardoso para cumprir dez mandados de busca e apreensão, além das três ordens de prisão. Essa ofensiva é um desdobramento direto de duas investigações anteriores, as operações Pronta Resposta e Off White.>
Desta vez, os trabalhos contaram com o apoio das Corregedorias das polícias Civil e Penal, além de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acompanharam as buscas feitas em um escritório de advocacia usado como base tecnológica pelos suspeitos.>
As investigações revelaram que a audácia do grupo ia muito além do monitoramento da rotina do promotor visado. O ex-estagiário do MP teria entrado na Promotoria de Justiça Criminal de Campinas com o objetivo claro de acessar os sistemas internos de pesquisa da instituição. Com esses dados em mãos, ele mapeava criminosos com grande patrimônio financeiro e passava a extorqui-los, cobrando propinas em troca de facilidades ou proteção em investigações.>
Para consolidar as ameaças, o estudante contava com a ajuda de um policial penal e de um ex-policial civil, este último que já havia sido expulso da instituição por envolvimento em extorsão mediante sequestro. Os acessos virtuais para as cobranças eram feitos utilizando a rede de internet do escritório de advocacia investigado.>
A gravidade do caso se confirmou com a descoberta de registros em vídeo obtidos pelos agentes. As imagens mostram que, em 2025, apenas uma semana antes de uma grande operação policial ser deflagrada, o homem apontado como o executor do plano para matar o promotor do Gaeco se reuniu secretamente com o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas.>
Agora, o Ministério Público trabalha para descobrir a extensão das informações sigilosas que o policial da Dise repassou aos criminosos, enquanto os detidos ficam à disposição da Justiça para que toda a rede de corrupção seja mapeada.>