PC desmantela quadrilha que faturava alto com falsos cancelamentos de compras online

Operação em três cidades de São Paulo cumpriu 15 mandados de busca e prendeu oito suspeitos de aplicar o "golpe do estorno" contra empresas de tecnologia.

Publicado em 9 de junho de 2026 às 12:16

PC desmantela quadrilha que faturava alto com falsos cancelamentos de compras online
PC desmantela quadrilha que faturava alto com falsos cancelamentos de compras online Crédito: Reprodução/PCSP

A Polícia Civil de São Paulo desmantelou nesta terça-feira (9), uma organização criminosa que transformou o direito de arrependimento de compras online em um negócio altamente lucrativo e ilegal. Em uma operação que movimentou agentes na capital paulista, em Guarulhos e em São Caetano do Sul, os policiais prenderam oito pessoas e cumpriram 15 mandados de busca e apreensão. 

O grupo é acusado de estelionato e associação criminosa após aplicar um golpe que gerou um prejuízo superior a R$ 260 mil para uma empresa de e-commerce que intermediava transações financeiras.

O esquema funcionava de maneira estratégica e envolvia uma rede de contatos dos próprios criminosos. Os chefes do grupo criavam links de cobrança dentro do sistema da plataforma de vendas e enviavam esses acessos para amigos, parentes e comparsas. Essas pessoas simulavam compras reais e faziam os pagamentos. Assim que o dinheiro entrava no sistema, os líderes da quadrilha transferiam os valores rapidamente para contas bancárias de outros integrantes da rede, esvaziando o saldo da plataforma.

A jogada final acontecia quando os falsos compradores entravam em contato com as operadoras dos cartões de crédito para contestar aquelas cobranças, alegando que não reconheciam o gasto ou que tinham sido vítimas de fraude. As administradoras dos cartões aceitavam a queixa e devolviam o dinheiro para os clientes. Como o valor original já havia sido sacado pelos criminosos, a empresa de e-commerce que intermediou o processo ficava com o desfalque financeiro, sem qualquer chance de ressarcimento por parte dos bancos.

Com os celulares, computadores e documentos apreendidos durante a ação policial nas três cidades paulistas, os investigadores agora tentam mapear o destino final do dinheiro desviado. O foco das próximas etapas da investigação é identificar outros suspeitos que possam ter participado da fraude e descobrir se o grupo utilizava outras contas e empresas de fachada para lavar o dinheiro obtido com o golpe.