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PEIXE-ELÉTRICO

Cientistas confirmam a existência de mais duas espécies de poraquê

Uma delas tem a capacidade de gerar uma descarga elétrica de 860 volts, tornando-se a mais forte geradora de bioeletricidade até o momento

12 Set 2019 - 17h23Atualizado 12 Set 2019 - 17h27
Cientistas confirmam a existência de mais duas espécies de poraquê - Crédito: Museu Paraense Emílio Goeldi Crédito: Museu Paraense Emílio Goeldi

O curioso Electrophorus electricus, o popular poraquê, conhecido pela descarga elétrica de 650 volts que é capaz de gerar, já não é mais considerado pela ciência como a única espécie de enguia elétrica distribuída na Pan-Amazônia.

Após dois séculos e meio desde sua descrição pelo naturalista sueco Carl Linnaeus, 24 pesquisadores do Brasil, Estados Unidos e Suécia assinaram um artigo publicado pela revista Nature confirmando hipóteses lançadas por estudos originados no Museu Paraense Emílio Goeldi: existem, sim, outros peixes-elétricos na região.

No artigo, os cientistas apresentam o Electrophorus varii e o Electrophorus voltai, com um detalhe surpreendente: um deles, o E. voltai, tem capacidade de gerar uma descarga elétrica de 860 volts, tornando-se o mais forte gerador de bioeletricidade até o momento.

As três linhagens principais da espécie se diferenciaram no transcurso de milhões de anos, mais especificamente nas eras geológicas conhecidas por Mioceno e Plioceno. Mas apenas uma delas havia sido descrita pela ciência até então, apontou a pesquisa.

A pesquisa

O estudo teve início com o projeto de pesquisa de Wolmar B. Wosiacki, curador do Acervo Ictiológico do Museu Goeldi e co-autor do artigo, e foi tema de estudo no mestrado da estudante Natália Castro, em 2011, também co-autora. O primeiro autor, David de Santana, deu prosseguimento a pesquisa com o grupo de cientistas da instituição há cinco anos, como bolsista do Programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Regional (DCR), sob a orientação de Wosiacki.

As etapas de pesquisa levaram em conta padrões de dados genéticos, morfológicos e ecológicos das espécies, proporcionando descrições que servem agora de referência para futuros estudos e possíveis aplicações desses conhecimentos.

Fonte: Ascom/Museu Emilio Goeldi

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