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INTERIORES

Coronavírus se espalha mais rápido no Marajó do que na Região Metropolitana de Belém, analisa ONG

21 Mai 2020 - 13h30Atualizado 21 Mai 2020 - 15h06
Coronavírus se espalha mais rápido no Marajó do que na Região Metropolitana de Belém, analisa ONG - Crédito: Vitória Leona/Observatório do Marajó Crédito: Vitória Leona/Observatório do Marajó
Após pouco mais de um mês da primeira pessoa confirmada com covid-19 no Marajó, a região chegou aos mais de mil casos na última terça-feira, 19, e 109 mortes, segundo levantamento do projeto “Observatório do Marajó”, baseado nos dados disponibilizados pelas prefeituras dos 16 municípios que compõem o arquipélago. 
 
A pandemia se alastra pelo Marajó mais rápido do que na região metropolitana da capital paraense, que possui um quantitativo populacional quatro vezes maior que do arquipélago. Enquanto a região metropolitana, nos primeiros 35 dias de coronavírus, teve 1.006 pessoas confirmadas e o estado inteiro contabilizou 43 óbitos, o Marajó contabilizou 1.037 pessoas confirmadas e 109 mortas no mesmo período.
 
Os dados mostram que a covid-19 segue se alastrando pelos interiores do Estado. A região foi de 28.051 casos confirmados no dia 11/05 para 47.319 no dia 18/05. A situação na Amazônia piora quando se cruzam com outros dados sobre a realidade da população residente neste território. 
 
 
Nos boletins semanais que faz, o Observatório do Marajó destaca que, enquanto na região norte do país, duas a cada quatro mulheres não têm acesso regular à água - fundamental na prevenção à covid-19, no Marajó, sobe para 71,44% a porcentagem da população que não tem banheiro e água encanada em casa. 
 
A dependência do sistema público de saúde é mais um complicador apontado: no Marajó, 12 dos 16 municípios da região dependem integralmente de estabelecimentos públicos de saúde e os quatro municípios restantes têm apenas oito estabelecimentos particulares. 
 
Além de ser um território extremamente vulnerabilizado e precarizado, tendo, por exemplo, oito dos seus 16 municípios entre os 50 piores no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do país - incluindo o pior. 
 
Desde que o primeiro caso foi confirmado no Marajó, no dia 15 de abril, nas cidades de Cachoeira do Arari, Curralinho e Muaná, o "Observatório do Marajó" realiza o acompanhamento e análise dos dados, além de lançar seu material “Égua do Corona, chegou no Marajó”, com instruções de cuidado e prevenção direcionadas para comunidades ribeirinhas e quilombolas. 
 
O conteúdo informativo tem sido compartilhado pelas redes sociais do projeto e em listas de transmissão para articuladores nos municípios de Breves, Cachoeira do Arari, Melgaço, Muaná e Portel.
 
Nesse sentido, o projeto vai lançar no próximo dia 26 uma edição especial dos seus “Cadernos do Marajó” sobre os primeiros 40 dias de coronavírus na região. São tecnologias sociais acessíveis que serão distribuídas para a população marajoara com o objetivo de munir com instrumentos de ação política e aumentar o espaço cívico da ilha, conforme explica o coordenador do projeto, Luti Guedes. 
 
“A gente percebe que a região, por uma série de fatores estruturais, está sofrendo com muita intensidade os efeitos não só da pandemia de covid-19, mas também da falta de políticas públicas que garantam à população os direitos fundamentais de saúde e da vida. O caderno vai mostrar que o coronavírus aprofunda a violência das condições de vida a que a população do Marajó está exposta”.
 
O "Observatório do Marajó" é um projeto da organização sem fins lucrativos "Lute Sem Fronteiras", que desde 2009 tem trabalhos sociais no Marajó.
 
Serviço: Lançamento do Caderno do Marajó - edição especial de análise dos 40 dias de pandemia da covid-19 na região do Marajó
Data: 26 de maio
Disponível para download no site site: www.observatoriodomarajo.org 
E-mail para contato: [email protected]
 
Fonte: Observatório do Marajó

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