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Dia Roxo alerta sobre a Epilepsia: distúrbio que vai muito além de convulsão

26 Mar 2020 - 04h56Atualizado 25 Mar 2020 - 20h35
Dia Roxo alerta sobre a Epilepsia: distúrbio que vai muito além de convulsão - Crédito: Reprodução. Crédito: Reprodução.

O dia 26 de março é dedicado internacionalmente à conscientização sobre a epilepsia.  Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 50 milhões de pessoas no mundo são afetadas pelo problema, sendo 80% delas moradoras de países de baixa renda, o que dificulta o acesso à orientação e ao tratamento adequados. A consequência acaba sendo a desinformação e o fortalecimento de estigmas sobre a doença.

A jornalista Milene Sousa, 30, conta que há cerca de seis anos foi diagnosticada com epilepsia. Antes disso, ela nunca havia tido nenhuma convulsão, e os sintomas eram confundidos com mal-estar comum. “Ainda na minha adolescência, eu tinha crises chamadas ‘aura’. Era um mal-estar rápido, tanto que eu não dei muita importância pra isso, porque pra mim era só um mal-estar. Em 2014 eu tive a primeira convulsão, aí foi constatado que eu tinha epilepsia”.

No senso comum, a convulsão é um sintoma diretamente ligado à epilepsia, mas apesar de ter sido diagnosticada a partir dela, a experiência de Milene demonstra que existem várias outras formas de manifestação do problema. “Eu tive, se não todos, quase todos os tipos de crise. Eu tive a aura, o dejavú, ainda na minha adolescência, a crise do sono, o surto psicótico. É importante as pessoas saberem que existem todos esses tipos de crise. Depois desse tempo, desde 2014, eu tive apenas duas convulsões, o resto foram essas outras crises”, ela conta.

 A jornalista Milene Sousa, 30, lida com a doença há cerca de seis anos. 

O neurologista do Hapvida, Rafael Camelo, explica o que é a epilepsia e o porquê ela vai muito além das convulsões: “a epilepsia é um distúrbio da função neuronal, em que existe uma descarga neuronal anormal, levando a uma grande variedade de sinais e sintomas”. Segundo o especialista, o problema não tem apenas uma causa, mas pode ser desencadeado por doenças infecciosas como a meningite, encefalite, neurocisticercose, ou pode ocorrer como sequela de outras complicações, como AVC, traumas cerebrais, tumores cerebrais, distúrbios da formação do cérebro, distúrbios metabólicos, dentre outros.

O médico enfatiza que nem toda a convulsão é um sinal de epilepsia, uma vez que a convulsão é um evento isolado, enquanto a convulsão epiléptica acontece de forma recorrente. O especialista explica ainda algumas das variedades de crises epilépticas: “existem as parciais, quando apenas uma região cerebral é afetada, podendo gerar sintomas motores isolados, sensoriais ou autonômicos, e que podem ser simples ou complexas (com perda da consciência associada); e crises generalizadas, onde há a crise de ausência, com a perda de consciência por alguns segundos, e as crises tônico-clônicas, que é quando há perda de consciência e contorção das extremidades do corpo”.

Milene lembra de algumas experiências com diferentes crises de epilepsia: “nas crises parciais simples eu ficava meio anestesiada, eu ficava sonolenta. Eu tinha a noção de que eu estava em algum lugar ou conversando com alguma pessoa, mas eu não entendia o que a pessoa falava. Eu também continuava falando, mas pra mim era como se não tivesse o entendimento. Durava alguns segundos, ou até um minuto, e depois passava. Eu também tive a crise parcial complexa, que já é mais grave, porque eu já perdia a consciência”.

A jornalista também fala das crises que teve durante a noite, enquanto dormia: “eu me mexia, eu ficava revirando os olhos, eu falava alguma coisa durante o sono, e às vezes eu levantava, tentava me morder, mordia meus lábios, chegava a me ferir. Quando eu acordava, eu sabia que tinha tido a crise porque eu me sentia quente e com enxaqueca, que era o mesmo que eu sentia quando ocorriam as outras crises”.

Milene conta que as crises não tinham hora nem lugar. Aconteciam na rua, em casa, no ônibus. “Hoje posso te dizer que eu convivo com a epilepsia de um modo mais tranquilo, mas antes era mais apreensiva e receosa com as crises que eu tinha dentro e fora de casa. Eu tinha crises desde 2014, e eu só consegui controlar agora em dezembro do ano passado, graças a um medicamento. A última crise que eu tive foi dia 29 de novembro”.

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Conforme o neurologista explica, o tratamento da epilepsia é feito principalmente por meio de medicações que visam controlar as crises, além de orientações e informações para o melhor conhecimento e compreensão da condição do paciente. “Em alguns casos selecionados, quando há falha na medicação, havendo crises frequentes mesmo com o uso de medicamentos em altas doses, a cirurgia pode ser indicada”, ele acrescenta.

Apesar de ser um problema que interfere no dia-a-dia, o neurologista afirma que, de modo geral, uma pessoa epiléptica pode levar uma vida normal, com algumas restrições, principalmente em situações que poderiam colocar a vida do paciente ou a vida de terceiros em perigo, como nadar em água profunda, operar máquina pesada e dirigir profissionalmente, por exemplo. “Mas também existem os casos mais graves, com crises muito frequentes, alguns apresentando diversas crises ao dia, evoluindo com retardo mental associado, sendo incompatível com uma vida normal”, ele alerta.

 

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