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Mulheres ainda enfrentam via crucis para denunciar agressores; entenda porque muitas desistem

21 Nov 2020 - 05h00Atualizado 20 Nov 2020 - 23h55Por Cleo Soares
Após as 17h, apenas esse cachorrinho fica na recepção da Deam - Crédito: Cleo SoaresApós as 17h, apenas esse cachorrinho fica na recepção da Deam - Crédito: Cleo Soares

Enquanto o corpo de uma mulher vítima de feminicídio no Pará estava sendo liberado no Instituto Médico Legal (IML) do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, na sexta-feira, 20, outras mulheres enfrentavam um sistema travado e burocrático para denunciar seus agressores. A vítima em liberação no IML foi Leila Maria dos Santos, de 49 anos, que concorreu à Prefeitura de Curralinho, no Marajó, nas eleições municipais deste ano. Ela foi brutalmente assassinada pelo ex-marido na noite de quinta-feira, 19, no bairro do Tenoné, em Belém.

Leila entrou para a triste estatística que até julho deste ano apontava 37 mulheres assinadas no Pará, um aumento de 118% nos casos, já que no mesmo período de 2019 foram 17 casos registrados de feminicídio, segundo dados da Secretaria de Segurança do Pará (Segup). Enquanto essas mulheres somam nas estatísticas, o sistema de atendimento só piora.

Na mesma sexta-feira em que o corpo de Leila estava sendo liberado, esta repórter que vos escreve socorria uma amiga às 7 horas da manhã, vítima de agressão pelo companheiro, chegando com ela às 7h30 na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Ananindeua (Deam), e concluindo a ocorrência somente às 18h30, ou seja, quase 12 horas para finalizar um procedimento.

Entenda como o sistema leva uma vítima a desistir de denunciar

A vítima que levou cerca de 12 horas para finalizar uma ocorrência, e que não será identificada aqui para não ser ainda muito mais exposta, chegou à Deam de Ananindeua no horário da troca do plantão. Depois de uma hora de espera, foi informada que não havia internet no prédio, que não estava sendo atendido nem pelo programa Navega Pará. Após outra hora de espera, a vítima passou pelo atendimento com a psicóloga, ressalte-se que é o único atendimento bom e com empatia em todo o processo.

Ela foi orientada a registrar o Boletim de Ocorrência (B.O.) na Seccional da Cidade Nova. Lá chegando se deparou com uma fila imensa, e como havia fugido da agressão pouco depois das seis da manhã e sem sequer tomar café, a vítima pediu ajuda ao delegado para se possível agilizar o B.O com base no relato da psicóloga da Deam. Com muita relutância o delegado resolveu ajudá-la, mas ressaltando que isso não era obrigação da Seccional. Depois que um escrivão a atendeu, o B.O foi registrado às 11 horas, e a vítima retornou para a Deam conforme orientação da psicóloga.

Ao chegar lá, já com o B.O em mãos para solicitar o apoio da equipe de policiais e viatura para a busca de seus pertences pessoais, já que a vítima fugiu do agressor sem levar sequer o telefone celular ou documentos, foi informada pela delegada que não havia equipe para o caso em questão, já que a única equipe disponível seguiria com ela para um flagrante em Benevides. A vítima de Ananindeua acompanhada por esta repórter, ao argumentar que a agressão que sofrera era recente e flagrante, ouviu da delegada que o flagrante de Benevides chegou primeiro e seria priorizado por se ter apenas uma equipe.

Longa espera para exame de corpo de delito

Após ouvir da delegada que a equipe para apoio na busca de pertences só chegaria às 13 horas, em seu retorno de Benevides, a vítima resolveu adiantar o exame de corpo de delito. No IML foram três horas de espera até ser chamada para a realização do exame. A saída do órgão já se deu às 15 horas.

De volta à Deam de Ananindeua, a vítima ouviu que “a equipe ainda não retornou”. Durante a espera entre 15 e 18 horas (sim, mais três horas de espera para tentar resgatar os pertences pessoais), outras mulheres chegaram à delegacia. Uma delas já havia ido pela manhã, tentou fazer o B.O em outra delegacia e não conseguiu, e retornou no meio da tarde para a Deam, onde começou uma longa espera.

Uma terceira vítima chegou às 17 horas e queria desistir, porque até a recepcionista havia ido embora, e por muitas horas a recepção da Deam ficou sem ninguém no atendimento, e o único ser vivo com intimidade no local era um cachorro que parece ter sido adotado pelos policiais e circula livremente pela delegacia.

Uma quarta vítima chegou nesse meio tempo, e infelizmente desistiu. A terceira, aconselhada a não desistir, às 21h40 horas fez contato com esta repórter para informar que somente às 21 horas conseguiu registar o B.O na Deam de Ananindeua.

Sobre tudo isso, a Assessoria de Comunicação da Polícia Civil do Pará, após o horário solicitado para que a nota chegasse, informou que “a rede de internet da sede da DEAM, em Ananindeua, apresentou instabilidade manhã desta sexta-feira (20). A Prodepa já foi acionada. Vale ressaltar que as vítimas podem realizar o registro de Ocorrência em qualquer delegacia. Quanto a busca de pertences, a Polícia Civil esclarece que é um procedimento agendado, em razão da grande demanda”.

Bem, para quem chegou até aqui na leitura, consegue perceber que para uma vítima agredida por um companheiro e que consegue reunir as últimas forças para chegar a uma Delegacia da Mulher, essa informação de que o B.O pode ser feito em qualquer delegacia só funciona na teoria, porque uma vítima que esteja somente com o vale-transporte, depois de passar por toda essa via crucis, certamente já desistiu há um bom tempo. A vítima acompanhada por esta repórter só não desistiu porque recebeu o apoio necessário para aguentar a espera de quase 12 horas.

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