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Proliferação da covid-19 no Marajó deixa a população vulnerável. O arquipélago dispõe apenas de 12 UTIs e nove respiradores

Já são mais de 1,1 mil casos confirmados no Marajó e 116 óbitos até o dia 21

22 Mai 2020 - 05h00Atualizado 22 Mai 2020 - 12h51Por Da Redação
Município de Breves tem o maior número de infectados - Crédito: ReproduçãoMunicípio de Breves tem o maior número de infectados - Crédito: Reprodução
Com uma população estimada de mais de 550 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o arquipélago do Marajó no Pará, formado por 16 municípios, pede socorro neste período de pandemia do novo coronavírus.
 
Jão são 116 óbitos até quinta-feira, 21 e mais 1,1 mil pessoas contamiadas com a covid-19. Breves é o município com maior número de casos (421) e 50 óbitos, até o começo da noite de ontem.
 
Levantamento da ONG Observatório do Marajó mostra que mesmo com a instalação do Hospital de Campanha em Breves, contendo 60 leitos, o arquipélago conta apenas com doze leitos de Unidades de Terapias Intensivas (UTIs) e nove respiradores, quatro deles, enviados nesta semana pela Secretaria Estadual de Saúde (Sespa) para o HC, segundo divulgado pelo governo.
 
Além disso, o Observatório também constata que o número de unidades de saúde públicas no arquipélago é muito baixo em relação ao número de habitantes. A proporção é de uma unidade de saúde para casa 2.694 moradores.
 
A dependência do sistema público de saúde é mais um complicador apontado: no Marajó, 12 dos 16 municípios da região dependem integralmente de estabelecimentos públicos de saúde e os quatro municípios restantes têm apenas oito estabelecimentos particulares. 
 
Somente 13 dos 60 leitos do Hospital de Campanha de Breves estão ocupados
 
Breves, localizada no Marajó ocidental  tem a maior população da região com mais de 101 mil habitantes e também lidera a pandemia no arquipélago. Por isso, a Sespa instalou o Hospital de Campanha no município, que é sede também do Hospital Regional do Marajó.
 
Porém, a população denuncia que em uma semana de funcionamento, apenas 13 pessoas estão internadas no HC de Breves. A maioria dos leitos está vaga, segundo confirma
o twitter da Sespa, na quinta-feira, 21.
 
 
 
A falta de estrutura da rede de saúde pública na região deixa os municípios em situação dramática. Há municípios que sequer um leito nas unidades públicas dispõe e os gestores criaram alguns no improviso, após o número crescente de casos de pessoas contaminadas na região.
 
A quantidade de leitos é ínfima, a maioria dos municípios sequer dispõe de uma única Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e nas farmácias e nas unidades de saúde, a queixa dos doentes é que não encontram medicação para tratar os sintomas da covid-19. As poucas UTIs improvisadas estão todas em Breves.
 
O governo estadual anunciou a construção de um novo Hospital de Campanha no município de Soure no lado oriental do Marajó, após solicitação da Prelazia do Marajó. O convênio foi assinado com a prefeitura do município nesta semana. A previsão é de que sejam instalados 60 leitos, sendo 10 UTIs.
 
Os levantamento do Observatório do Marajó também constatou que há apenas quatro leitos de unidades de saúde privadas para tratamento de covid no Marajó, todos em Soure, que é o maior município do lado oriental.
 
Maioria dos leitos públicos se concentra em Breves, mais da metade do total 
 
No total, o arquipélago do Marajó conta com 209 leitos públicos destinados ao tratamento da covid-19, 144 deles em Breves. 
 
Em Santa Cruz do Arari, por exemplo, não há leitos públicos, mas já foram registrados 41 casos de covid-19 e sete mortes.
 
O arquipélago do Marajó é uma região de contrastes na Amazônia. O nome de Marajó, que em tupi significa “barreira do mar”, o Arquipélago é formado por um conjunto de ilhas que constitui a maior ilha fluvial do mundo, com 49.6 Km2, um dos lugares mais bonitos do Pará, de grande produção de açaí e pescado, entre outros produtos, mas que também abriga alguns dos municípios com os maiores níveis de pobreza do Brasil,  como é o caso de Melgaço, que figura  como o pior índice de desenvolvimento do país.
 
Em Melgaço, que tem mais de 27 mil habitantes, há nove unidades de saúde públicas, mas nenhuma possui leito de internação. Três leitos foram improvisados na cidade para atender casos moderados de covid-19. No município, há 55 casos de covid-19 confirmados e já houve três
mortes.
 
A taxa média de mortalidade no Marajó é bem acima da estadual, chegando a 18,8%. No município de Breves a mortalidade é de 47,7% por 100 mil habitantes. A média de mortalidade no Pará é de 16,2%, duas vezes maior do que a média nacional (8%).  Até ontem, 21, Afuá era o único município da região que não havia registrado nenhum óbito por covid-19.
 
Quadro do número de leitos e UTIs nos municípios do Marajó:
 
 
Fonte: Observatório do Marajó/IBGE

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