Eventos com aglomeração de aves são suspensos no Pará devido ao risco de gripe aviária; entenda

Em função do Alerta Sanitário Nacional para Influenza Aviária, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou na última quarta-feira (29), a Portaria nº 572/2023, que proíbe a realização de exposições, torneios, feiras e demais eventos com aglomeração de aves, em todo o território nacional, devido ao risco de...

Publicado em 26 de junho de 2024 às 09:15

Em função do Alerta Sanitário Nacional para Influenza Aviária, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou na última quarta-feira (29), a Portaria nº 572/2023, que proíbe a realização de exposições, torneios, feiras e demais eventos com aglomeração de aves, em todo o território nacional, devido ao risco de ingresso e disseminação da Influenza aviária de alta patogenicidade no Brasil.

A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), para reforçar as diretrizes da portaria nacional, suspendeu as autorizações de eventos com aglomeração de aves no Estado. A medida legal de biosseguridade é válida por 90 dias, podendo se estender se houver necessidade.

O documento também proíbe a criação de aves ao ar livre, com acesso a piquetes sem telas na parte superior, em estabelecimentos registrados segundo a Instrução Normativa nº 56, de 04 de dezembro de 2007.

'Esta medida pontua a necessidade de diminuir a exposição destas aves com aves de vida livre (selvagens residentes e selvagens migratórias). Estas são consideradas reservatórios naturais dos vírus da Influenza aviária. Entre os grupos podemos destacar as aquáticas, as gaivotas e as aves limícolas. Durante a migração do Hemisfério Norte para o Sul, através das rotas de aves migratórias, aves infectadas podem carregar o vírus por longas distâncias', informa a veterinária Lettiere Lima, gerente do Programa de Sanidade aAvícola da Adepará.

Rotas migratórias - Ela destaca que o Pará possui três rotas migratórias neárticas (migração pelo interior das Américas): Rota Atlântica, Rota Brasil Central e Rota Amazônia Central/Pantanal. Neste contexto, o Estado possui três sítios de aves migratórias - Sítio de Bahia do Marajó (que engloba os municípios de Vigia de Nazaré, São Caetano de Odivelas e Curuçá), Sítio do Marajó (Breves e São Sebastião da Boa Vista) e Sítio de Salinópolis (Salinópolis).

​'Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), a aglomeração de aves representa um risco em potencial para disseminação de doenças. Entre outros fatores podemos citar a globalização e o comércio internacional de aves selvagens de rotas migratórias', explica a veterinária.

​A partir do anúncio de alerta sanitário nacional para Influenza aviária, a Adepará vem intensificando suas ações de vigilância, atendendo à notificação de suspeita de Síndrome Nervosa e Respiratória das Aves; fazendo a vigilância em propriedades localizadas no entorno dos Sítios de Aves Migratórias, propriedades de subsistência (aves de fundo de quintal); implementando o Plano de Vigilância de Influenza Aviária e Doença de Newcastle e fiscalizando as medidas de biosseguridade em granjas comerciais.

Segundo Lettiere Lima, a Agência está se articulando para elaborar o Plano de Contingência Estadual com vários órgãos - incluindo Mapa; Faepa - Federação da Agricultura e Pecuária do Pará; Apavi - Associação Paraense de Avicultura; prefeituras; Emater - Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural; Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária; Laboratório Federal de Defesa Agropecuária no Pará e Museu Paraense Emílio Goeldi.

'Estamos trabalhando na construção e formalização legal de um grupo de trabalho para atender à construção deste Plano. No período de 17 a 20 de abril, a Agência realizará treinamento para o Grupo de Atendimento à Emergência Sanitária (Gease), com ênfase na Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves (Influenza aviária - IA, e doença de Newcastle - DNC). No período de 17 a 21 de outubro de 2022 a Adepará realizou capacitação em Defesa Sanitária Animal para os fiscais em propriedades rurais. Nesta capacitação demos ênfase ao exame, necropsia e coleta de material para pesquisa dos vírus de IA e DNC', contou Lettiere Lima.

Ações - Os esforços para evitar a entrada da doença no Estado reúne técnicos da Adepará, Apavi e Faepa na implantação do Plano de Vigilância para a Influenza Aviária. O diretor de Defesa e Inspeção Animal da Adepará, Jefferson Oliveira, ressaltou que a parceria com o setor produtivo e as instituições públicas resultou em aumento da vigilância epidemiológica, com a realização de inquérito soroepidemiológico em mais de 100 granjas e na aquisição de material de proteção no atendimento de ocorrência de surtos da enfermidade.

'Nós realizamos em janeiro um inquérito soroepidemiológico com a coleta de material biológico de mais de mil aves para contemplar o plano de vigilância, adquirimos material de biossegurança com a Faepa e agora, em abril, teremos um treinamento para reforçar as equipes sobre o trabalho a ser executado, e estamos realizando a vigilância nos três sítios migratórios de aves', informou.

As medidas são necessárias para proteger a saúde do plantel avícola, garantir a manutenção de mercados e da saúde pública, além de contribuir para manter o status sanitário do País. 'Segundo o Código de Animais Terrestres da OMSA, a ocorrência de Influenza aviária altamente patogênica (HPAI) na avicultura industrial altera a condição sanitária do país de Livre de Influenza aviária', alertou Jefferson Oliveira.