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21 Set - 21h58
segunda, 21 de setembro de 2020

Rolê Científico

Afinal, assintomáticos transmitem ou não a Covid-19?

A notícia que a OMS afirma que assintomáticos são pouco contagiosos causou grande confusão e foi mal-interpretada por muitas pessoas. Mas calma, vamos tentar esclarecer as coisas.

15 Jun 2020 - 09h00Por Yuri Willkens e Giovanni Palheta

Na última segunda-feira, 08 de junho, a chefe do programa de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Maria van Kerkhove, afirmou que a transmissão da Covid-19 por pacientes sem sintomas - assintomáticos parece ser "rara". A notícia se espalhou rapidamente e gerou certa confusão e reações calorosas de críticos e apoiadores da organização, o que a levou Kerkhove a fazer um novo comunicado com ressalvas e esclarecimentos no dia seguinte.

Então, a OMS nos enganou e todas as medidas de isolamento foram exageradas?

Como sempre, pedimos calma, sem pânico. Vamos explicar tudo bem fácil, acompanha a gente, ok?

A velocidade da notícia gerou várias informações distorcidas ou mesmo falsas como era de se esperar. Vamos ao primeiro ponto, a OMS não disse que a transmissão da Covid-19 por assintomáticos é inexistente, e sim que seria “rara”, ou seja, ela ocorre, mas em poucos casos. Dizer que assintomáticos definitivamente não contribuem para a pandemia é equivocado. As pessoas com tosse ou com eventuais espirros podem espalhar o vírus por gotículas de saliva no ar ou contaminar as superfícies ao tocá-las com as mãos, enquanto pessoas sem sintomas não, certo?!

No entanto, adiantamos ao leitor que a hipótese de que os assintomáticos são pouco contagiosos ainda está em debate, não temos como afirmar porque não temos dados suficientes. Para isso, deveríamos ter testagens em massa, o que não é o caso do Brasil, por exemplo. Algumas evidências indicam que a transmissão por assintomáticos ocorre, porém com pouca frequência. Para entendermos isso, alguns fatores precisam ser investigados. Mas pensando de forma lógica, pessoas sem sintomas não tossem nem espirram, tendo mais dificuldade de transmitir o vírus, logo, se essas pessoas obedecerem ao isolamento, obviamente as transmissões serão raras.

Mas se os assintomáticos transmitem menos o vírus, não seria melhor isolar apenas as pessoas com sintomas?

Bem, após a confusão feita pela afirmação, a própria a OMS voltou a se pronunciar, indicando que as medidas de isolamento sejam mantidas e rejeitando a interpretação equivocada de que assintomáticos definitivamente não transmitem o vírus. Van Kerkhove também afirmou com todas as letras que mais pesquisas ainda são necessárias para podermos compreender isso tudo.

Mas para responder essa pergunta, precisamos falar de outro ponto muito importante, que é saber diferenciar os assintomáticos dos pré-sintomáticos. Em resumo, os assintomáticos são aqueles que, mesmo carregando o vírus dentro de si, nunca desenvolvem nenhum sintoma durante todo o curso da infecção (até os anticorpos eliminarem o vírus); já os pré-sintomáticos são aqueles que ainda não apresentaram sintomas da doença, mas que em algum apresentarão por conta do tempo de incubação do vírus.

O tempo de incubação é um dos vários fatores que afetam a dinâmica do vírus, ele é o período entre a exposição do organismo ao vírus e o aparecimento dos primeiros sintomas da doença. Em alguns casos, por exemplo, o paciente pode estar no início da infecção e sua carga viral pode ser tão pequena que os testes não conseguem dizer se houve infecção ou não. Em outros casos, o paciente descobre por exames que já teve contato com o vírus, mas não manifestou nenhum sintoma. Nestes dois tipos de situação, é prematuro dizer que os pacientes não têm o vírus ou que são assintomáticos, é preciso considerar o templo necessário para que o vírus se reproduza o suficiente para ser detectado nos exames ou para que o organismo perceba que está sendo atacado e manifeste os sintomas.

Tá, mas como diferenciar assintomáticos e pré-sintomáticos e por que é importante saber isso?

Só é possível distinguir um assintomático de um pré-sintomático analisando o histórico do paciente e, após a eliminação completa do vírus, avaliar se houve sintomas ou não. O ideal seria a realização de novos exames, feitos algum tempo depois, para indicar se o paciente teve um “falso” negativo para o vírus ou se o paciente assintomático apresentará sintomas mais tarde. E quando falamos de sintomas, falamos até daqueles que vem e que somem rápido, que passam despercebidos, que podem ser confundidos com um resfriado comum, quando o nariz dá aquela coceira e escorridinha.

Além disso, os assintomáticos verdadeiros podem ser uma parcela menor que a esperada, e grande parte dos demais infectados pode ser assintomáticos “falsos”, aqueles cujos sintomas são tão leves que passam despercebidos e são diagnosticados de forma errada, como pessoas sem sintomas. E aqui chegamos em alguns problemas que precisam ser falados: 1- de acordo com a ressalva feita pela própria OMS, há muitos casos de “falsos” assintomáticos; 2 - não separar bem quais pessoas são assintomáticas ou pré-sintomáticas, e para alguns casos a linha que separa ambos é bem tênue; 3 – há evidências fortes de que os pré-sintomáticos são muito contagiosos.

E por que esse diagnóstico errado acontece? Porque os sintomas podem se manifestar em vários graus que vão dos mais leves até os mais severos. Pense dessa forma, se fizermos uma escala onde aqueles sem nenhum sintoma são representados pela cor preta e aqueles com os sintomas mais graves pela cor branca, teríamos um gradiente com vários tons de cinza entre as duas cores, variando entre tons mais leves e tons mais escuros à medida que a severidade da doença aumenta.

A contenção até poderia ser mais rápida caso pudéssemos fazer muitos testes e identificar de forma rápida e precisa quem possui o vírus, tendo sintomas ou não. Porém, considerando nosso cenário de subnotificação dos casos, ocultação dos dados por parte do governo federal e a ausência de testes suficientes para toda a população, já fica mais clara nossa dificuldade em separar as coisas.

O gráfico acima foi feito por pesquisadores do Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé (NUPEM/UFRJ) e explica de forma bem visual a diferença de transmissão entre pré-sintomáticos e assintomáticos.

De qualquer forma isso quer dizer que todo esse isolamento e papo de usar máscaras foi exagero da OMS? Eu posso finalmente ir pra rua?

A confusão da OMS certamente fez muita gente se questionar sobre isso. Alguns dos leitores devem estar se perguntando qual a lógica das quarentenas e isolamentos se os assintomáticos são pouco contagiosos. Não faria mais sentido isolar apenas as pessoas com sintomas e deixar que as outras circulem normalmente?

De jeito nenhum! É justamente por não conseguimos saber ao certo quem vai ser assintomático, pré-sintomático ou até mesmo identificar um “falso” assintomático, que as medidas de contenção do vírus são necessárias. Caso você seja um “falso” assintomático e saia por aí se enfiando em aglomerações e alguns dias depois comece a sentir os sintomas, você certamente já espalhou o vírus, inclusive para as pessoas próximas a você.

De qualquer forma, a OMS cometeu equívocos no pronunciamento e isso trouxe confusão em um período onde precisamos de informações concretas, mas isso não significa que devemos descredibilizar a organização. Vários pesquisadores e entidades públicas têm criticado com razão as estratégias de comunicação da organização, qualquer instituição está passível de erros e nosso papel é olhar as informações de forma crítica e cobrar melhoras, sem agoniação.

Pra finalizar vamos resumir: Se você testou negativo e não teve contato com o vírus, você é mais um hospedeiro viável para que o vírus se aproveite; se você testou positivo para o vírus e não apresentou sintomas, você pode até ser assintomático mas também pode ser um pré-sintomático no período de incubação do vírus e apenas não teve tempo para manifestar os sintomas; se você teve o vírus, os sintomas e melhorou, você pode ter resquícios do vírus e deveria estar se recuperando em casa, já que os efeitos da doença podem ser prolongados. Não dê ouvidos para aqueles que se aproveitam do mal-entendido para se promover, de qualquer jeito, se possível, fique em casa!

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