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sábado, 26 de setembro de 2020

Rolê Científico

Bingo, pesquisa de Oxford avança nos testes da vacina para a Covid-19

Estudos em andamento nos dão esperança de uma vacina em tempo recorde.

08 Jun 2020 - 08h00Por Yuri Willkens e Giovanni Palheta

Fala galera! Vamos dar um Rolê científico?

Em nossa primeira coluna falamos um pouco sobre o complicado método de se criar uma vacina segura e eficaz e as dificuldades em disponibilizá-la rapidamente para as pessoas, principalmente durante um cenário de pandemia causada por um patógeno totalmente novo e desconhecido.

De lá para cá, alguns dos projetos de pesquisa em andamento têm avançado na busca de potenciais imunizantes contra o coronavírus SARS-CoV-2. Dentre eles, temos a vacina anunciada no mês passado pela Moderna, uma empresa de biotecnologia dos Estados Unidos e, mais recentemente, uma vacina em desenvolvimento pela pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com a Advent-IRBM, uma empresa italiana de biotecnologia que produziu as doses de testagem.

Dentre todos os estudos em potenciais imunizantes para o SARS-CoV-2 no mundo, o estudo desenvolvido pelos pesquisadores de Oxford é um dos estudos mais promissores e que está em etapas mais avançadas. O desenvolvimento da vacina está sendo acelerado, avançando da fase um para a fase três em apenas dois meses de acordo com pesquisadores que integram o grupo de pesquisa. As expectativas para o potencial da vacina são tão altas, que o grupo também firmou acordo com outra empresa, a multinacional AstraZeneca, para a fabricação em larga escala da vacina com objetivo de adiantar o maior número possível de doses prontas para distribuição mundial assim que o produto for aprovado. A própria multinacional afirmou no final de maio ter obtido um financiamento de US$ 1 bilhão do governo dos Estados Unidos e ter feito acordos que garantem a produção de pelo menos 400 milhões de doses.

Outro fato interessante é que os testes em humanos para a vacina também serão feitos no Brasil, que fará parte de um plano global de desenvolvimento e com isso seremos o primeiro país fora do Reino Unido a começar a testar a eficácia da imunização contra o Sars-CoV-2. O Brasil foi escolhido por ainda apresentar avanço no número de casos, porém outras nações também deverão ser incluídas. Após solicitação da AstroZeneca, os testes foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a autorização para o estudo no Brasil foi publicada no Diário Oficial da União no dia 2 de junho, os lotes com a vacina já chegaram no Brasil e testes começarão ainda neste mês e terão apoio do Ministério da Saúde.

Para os testes da vacina contra a Covid-19, dois mil brasileiros participarão como voluntários em iniciativas que serão conduzidas em São Paulo e Rio de Janeiro. Em São Paulo, os testes serão feitos em mil voluntários e a pesquisa será comandada pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) com financiamento da Fundação Lemann para a estrutura médica e os equipamentos. No Rio de Janeiro, os testes serão conduzidos em outros mil voluntários pela Rede D’Or São Luiz e pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.

Qual a grande sacada dessa vacina e como ela funciona?

O grupo de pesquisa da Universidade de Oxford utiliza uma metodologia baseada em abordagens mais recentes da biotecnologia no processo de elaboração da vacina. É um processo que já vinha sendo estudado na Síndrome Respiratória Aguda Grade (Sars) que causou um surto em 2003 e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers) que causou um surto em 2012, ambas causadas por outros tipos de coronavírus. É provável que seja esse o motivo que tenha permitido maior velocidade ao processo de elaboração e testagem.

O imunizante se baseia na estrutura de um adenovírus de chimpanzés (vírus que causa o resfriado comum nestes primatas) com trechos de material genético do novo coronavírus, que apresentam as proteínas Spike, usadas como chave para o vírus se ligar aos receptores das células e infectá-las. Mas não seria perigoso colocar estes receptores nesse vírus? Calma, lembre novamente de quando mencionamos as dificuldades de se criar uma vacina em nossa primeira coluna, os testes demoram justamente para que tenhamos garantias da segurança e eficácia do produto. Além disso, o adenovírus usado na pesquisa é enfraquecido e não consegue se replicar em nosso organismo. A presença das proteínas spike servirá para que nossas defesas reconheçam a proteína como um alvo, e gerem anticorpos específicos que as reconheçam no novo coronavírus, impedindo sua entrada nas células.

O mais importante, qual o prazo para que a vacina fique pronta?

A terceira fase consiste em uma testagem maciça em vários países, como aqui no Brasil. E mesmo assim, para  avaliar a eficácia da vacina, os voluntários não serão infectados com o vírus SARS-CoV-2 propositalmente, as pessoas terão que ser expostas naturalmente ao vírus para que a eficácia seja observada, o que certamente levará um tempo. As pessoas que serão submetidas aos testes serão profissionais da saúde e outros voluntários que trabalhem em ambientes de alto risco, todos com idade entre 18 e 55 anos. Até agora não se sabe se haverá mais requisitos e nem detalhes do processo de recrutamento, mas os resultados certamente serão fundamentais para o registro e regulamentação do produto. Caso tudo se encaminhe bem, os primeiros lotes estariam previstos para o final deste ano. Uma previsão otimista que adianta a disponibilidade da vacina em relação as previsões anteriores, que apontavam isso para o começo de 2020, porém é provável que os primeiros lotes venham gradualmente em quantidades limitadas e que os priorizados sejam os profissionais que estão na linha de frente cuidando dos doentes e que estão mais expostos ao vírus.

Lembre-se que a vacina é uma solução preventiva! Não adianta tomar a vacina depois de ter contraído a doença, ela não é um antídoto que cura quem está doente, é uma forma de imunizar seu corpo caso haja futuros surtos do vírus. Fique atento, não ache que depois de tomar a vacina você poderá ficar dando bobeira por aí, pois após tomar a vacina você não estará automaticamente imune. Demoram alguns dias até o nosso corpo produzir anticorpos efetivos.

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