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sábado, 08 de agosto de 2020

Anime Geek

Cinema x Streaming: mais uma das coisas que o Coronavírus põe em cheque

Em meio à pandemia, cresce o poder do streaming no lançamento e consumo de obras cinematográficas.

25 Mai 2020 - 18h27Por Ana Paula Castro

Sim, essa é mais uma coluna sobre Coronavírus e seus impactos no mundo do entretenimento. E sim, vamos falar de cinema. Mas dessa vez, a ideia é tentar pensar um pouco mais à frente. Esse texto é uma reflexão do cenário em que a indústria cinematográfica se encontra e que tipo de mudanças nós podemos (ou não) esperar nela quando tudo isso passar. Então se você gosta de ir ao cinema, acompanhe este raciocínio e veja faz sentido para você.

Você sabe, as coisas não estão fáceis para o mundo do cinema

Não é novidade que o mundo do audiovisual sofreu muito com a pandemia. Especialmente nos Estados Unidos, que é justamente o centro da indústria cinematográfica mundial e, ao mesmo tempo, o país com o maior número de casos de infecções por Covid-19. Lá já foram demitidos cerca de 120 mil funcionários do setor audiovisual, segundo a revista Superinteressante. Sem contar todos os prejuízos de bilheteria, que podem chegar, segundo alguns analistas, a 15 bilhões de dólares.

Não só as salas de cinema estão fechadas, mas também as produções estão paradas, lançamentos foram adiados e tudo aquilo que você já sabe, pondo em risco muito dinheiro, que é o que sustenta todo esse império.

Normalmente, filmes lançados no cinema não precisam de muitas semanas para repor o que foi investido na sua produção, mas com a pandemia, tudo muda e pode mudar muito mais. Pois o dinheiro não entra, a equipe diminui e o marketing, que é o principal fator responsável pelo sucesso de um filme, não consegue mais ter a devida atenção. Com exceção dos grandes blockbusters, de grandes estúdios, é muito difícil conseguir se manter nesse mercado com uma expectativa pós-pandemia positiva.

Enquanto isso, o streaming sobe...

Filmes de baixo orçamento não têm como lidar com toda essa baixa, muitos estão sendo lançados diretamente no streaming e serviços on demand. O que não é uma estratégia ruim, visto que o público, que precisa ficar em casa, corre para esses serviços na busca pelo entretenimento, tentando se distrair de um cenário um tanto quanto desesperador.

E isso já vem se refletindo no mercado. No mês passado, a Netflix, serviço mais usado por quem busca conteúdo na quarentena, teve uma alta histórica no valor de suas ações e agora, segundo a Variety, está valendo US$ 187,3 bilhões no mercado, ultrapassando os US$ 186,6 bilhões da Disney, que sofre com a falta de lançamentos e consequente queda na venda de seus produtos.

E não podemos deixar de considerar o impacto que a pandemia e o isolamento já causaram nos hábitos da população. O presidente da Associação Nacional dos Cinemas Franceses, Richard Patry, em entrevista à revista Le Film Français, disse que acredita que a comodidade e a praticidade do streaming podem fazer as pessoas se desacostumarem das salas de cinema e que, quando estas forem reabertas, o público pode estar relutante em voltar, especialmente com a crise econômica que virá. Segundo ele, “O cinema é uma máquina que não pode parar. Se ela para, é difícil colocá-la em movimento de novo.”

No entanto, há quem acredite no caminho contrário, que uma ida ao cinema após tudo isso seria ainda mais valiosa, apostando no desejo que a atual impossibilidade e o saudosismo despertam. É o caso de Tom Rothman, presidente da Sony Pictures Motion Picture Group, que mostrou seu otimismo ao Hollywood Reporter, dizendo que “depois do coronavírus, haverá uma grande onda de apreciação emocional por experiências coletivas”.

O fato é que a força que os serviços de streaming e on demand adquiriram neste período não podem ser ignorados, e seus impactos podem ser maiores do que se imagina.

Quem diria que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que tanto preza pela experiência no cinema em sua premiação, se veria obrigada, por conta de uma pandemia, a mudar as regras do Oscar para aceitar que filmes lançados diretamente no streaming pudessem concorrer? Logicamente que a organização deixou bem claro que essa regra é temporária e que todos os filmes lançados após a reabertura das salas de cinema deverão cumprir as regras anteriores.

Ainda assim, essa decisão bota ainda mais lenha na fogueira na polêmica que envolve produções lançadas diretamente na internet. Alguns festivais, como o de Cannes, já chegaram a banir filmes da Netflix, por acreditar que a produção deva passar nos cinemas antes de estar acessível em casa.

Contudo, quando a Universal lançou a animação Trolls 2 por um serviço on demand, cobrando US$ 19,99 e faturando, com isso, cerca de 100 milhões de dólares em três semanas, os executivos do estúdio se convenceram de que essa estratégia, além de lucrativa, poderia ser considerada o “novo normal”, visto que muita gente estaria disposta a pagar o valor de um ingresso de cinema, ou até mais, para assistir uma estreia em casa. A Universal declarou que, após a pandemia, está considerando lançar seus filmes em ambos os formatos.

Já era de se esperar que algumas distribuidoras de filmes se revoltassem diante do posicionamento do estúdio. A AMC Theatres, por exemplo, dona do maior circuito dos EUA e recentemente rebaixada pela agência de classificação de risco S&P Global como insustentável no médio prazo, ameaçou boicotar os filmes da Universal, seguida depois pela Regal Cinemas.

Tudo isso, apesar de parecer radical, tem uma lógica que envolve um negócio muito importante para as distribuidoras, chamado “janela de exibição”. Basicamente, é o tempo que uma obra cinematográfica tem em cada mídia. Ou seja, o tempo que ela leva para ir dos cinemas ao digital, para serviços on demand e daí para a TV aberta. 

A impossibilidade de ver um filme fora do cinema logo quando ele é lançado é o que faz com que as distribuidoras tenham lucro. Hoje, o período estipulado entre o lançamento de um longa e sua venda pelo digital é de três meses. E o encurtamento da janela de exibição significa muito dinheiro perdido para as distribuidoras, pela falta de exclusividade. 

Verdade seja dita, ir ao cinema é muito mais que ver um filme

A posição de alguns festivais de cinema, da Academia e das distribuidoras é de que o cinema ainda é a melhor forma de apreciar por completo uma obra audiovisual. E não há como negar que mesmo com a chegada dos filmes nas casas das pessoas, o cinema segue sendo uma experiência única. Única pela sua coletividade.

Não se trata apenas da imersão completa que a sala escura permite, mas também de estar nessa imersão em conjunto, todos vivendo a mesma emoção, acompanhando a mesma história. Talvez não tenhamos total ciência disso, mas como seres humanos, nós precisamos de experiências coletivas, e elas são fundamentais nas construções sociais e na percepção da nossa identidade.

E depois?

Então a pergunta que fica é: as coisas realmente vão mudar para a indústria cinematográfica após a pandemia? A sede pela experiência única do cinema será maior que o conforto e a praticidade do streaming? 

Em ambos os lados, há muito dinheiro e interesses envolvidos. Mas o que define qual lado da balança pesa mais é sempre os hábitos do consumidor, neste caso espectador.

Uma coisa já é realidade. Os filmes lançados diretamente no streaming ou nos serviços on demand também dão retorno para os estúdios, especialmente os de baixo e médio orçamento. Resta saber se estes continuarão recebendo a atenção dos estúdios e das distribuidoras ou se apenas os grandes blockbusters, que já ocupam uma quantidade significativa das salas de cinema, teriam o retorno de bilheteria suficiente para justificar seu lançamento.

E você? Prefere voltar aos cinemas ou o conforto de ter uma estreia na sua própria casa fala mais alto?

Esta coluna é escrita pelos integrantes do Anime Geek, evento multicultural pop e geek realizado em Belém desde 2012. Nossa próxima edição será nos dias 14 e 15 de novembro na UNAMA-BR. Para mais informações, acesse também as nossas redes sociais:

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