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domingo, 26 de setembro de 2021

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Delia Fischer eterniza o agora em álbum que ressignifica sucessos do Brasil e do mundo

20 Mai 2021 - 19h47Por Márcio Moreira

São diversos os lançamentos musicais que se propõem a traduzir o momento que estamos atravessando desde 2020, com o surgimento do vírus que mudou a vida e ressignificou a morte no nosso planeta. Canções inéditas, compostas para esse tempo tão novo, começaram a disputar espaço nas ondas do streaming, mas a cantora, compositora e musicista Delia Fischer escolheu um caminho diferente: um álbum que encontra o agora no passado, Hoje, disponível em todas as plataformas desde o início dessa madrugada e que contará com clipe da música título logo mais às 18h.

Composto por 9 faixas que reúnem compositores como Beto Guedes, Guilherme Arantes, Beatles, Björk, Flávio Venturini e Taiguara, o álbum Hoje, distribuído pela gravadora Labidad Music conta com a produção musical de Delia Fischer e Matias Correa, que também assina a gravação e mixagem do projeto. Masterizado na Classic Master por Carlos Freitas, o disco tem capa assinada por Moira Osorio com Foto de Nando Chagas, que também assina a direção do clipe da música título.

O álbum inicia com a faixa Tempo de amar (Delia Fischer e Ronaldo Bastos a partir de poema de Carlos Drummond de Andrade, 2017) que, em sua primeira versão, foi interpretada por Milton Nascimento para novela Global homônima. Os acordes de piano precisos apontam a densidade da obra que está prestes a se apresentar. Misturada sobre vocais de força ancestral, desenha o cenário que desagua na poesia de Drummond e Ronaldo Bastos na parceria autoral com a melodia intensa de Fischer, protagonista absoluta deste trabalho com sua voz e seu piano tão marcantes.

A faixa seguinte é Meu Mundo e Nada Mais (Guilherme Arantes 1976). Os primeiros acordes, numa pegada piano bar, aliviam um pouco a tensão da faixa anterior traduzida no verso: “Quando Fui ferido vi tudo mudar...”. No enredo proposto por Délia, a canção trás um ar de redenção e aprendizado com as próprias dores. No refrão, quando sua voz dobra com a voz de Matias Correa, a força das palavras de Arantes legitima o desejo de um mundo pré-pandemia: “Daria tudo por meu mundo e nada mais”... soa profético, seguida de um belo solo de piano que faz as palavras terem tempo de se firmarem na gente.

A canção título do álbum, Hoje (Taiguara 1969) é a próxima. Com acordes que compõem uma abertura dramática, a faixa comporta em si a poesia que traduz surpreendentemente o tempo que vivemos agora. Versos como “Hoje, homens de aço esperam da ciência e eu desespero e abraço a tua ausência, que o que me resta vivo em minha sorte”, falam de um tempo tão agora que é a própria demonstração prática do quanto a arte e a poesia têm poder de se ressignificarem com o tempo e o contexto.

Em A Página do relâmpago Elétrico (Beto Guedes 1977), a densidade volta a abrandar em acordes mais solares e cheios de esperança. Os versos de profundidade metafórica se revelam claros neste Hoje proposto por Delia, costurado com as demais canções do repertório. “Pra dar um tempo de prestar atenção nas coisas, fazer um minuto de paz, um silêncio que ninguém esquece mais...”, doloroso e urgente.

Ao incluir Jóga (Björk e Sigurjón Birgir Sigurðsson), Delia deflagra a força mundial do que nos acomete. Na melodia enigmática e anoitecida de Björk, Delia exprime em seu timbre certeiro dores que compartilhamos em tempos tão duros em todas as línguas e em todas as partes do globo, unidos mundialmente não apenas na dor, como também na esperança, em inglês claro a artista visionária exclama: “Estado de Emergência!”

O álbum segue com a faixa Nascente (Flavio Venturini 1981). A canção ganha força nova nos acordes de Delia, deslizando deliciosamente em agudos que são dedos na ferida das nossas almas. Acompanhado do grave do cello de Matias, que parece um Pas de deux  sonoro, o duo começa com os instrumentos e se difunde nas vozes dos músicos, momento de beleza rara e necessária de se ouvir de olhos fechados e marejados... Tipo de amor que salva.

A canção de Venturini dá a vez para O Amor é Meu País (Ivan Lins e Ronaldo Souza 1980). “Eu Queria, eu Queria, Eu queria... um segundo lá no fundo de você...” Frase potente que abre a canção, que antecedeu o lançamento do álbum, já anunciando a beleza do que nos aguardaria. Incluída no repertório, a mensagem de buscar-se e perder-se, fica ainda mais evidente. “Eu vim, o amor é meu país”, verso acompanhado de notas cristalinas que suscitam esperança num amanhã, que o disco não chega a revelar (nem a vida também).

In My Life (John Lennon e Paul McCartney, 1965). O hit dos Beatles reafirma essa esperança futura na interpretação delicada de Delia, que alonga as notas como quem mira num futuro melhor. Memória e projeção misturadas numa quebra de tempo e espaço docemente ritmada no solo de piano que lembra o original da banda inglesa, com ares circenses.

Por fim, o nosso Blues de Acabar (Delia Fischer e Márcio Moreira 2020), única canção propositadamente composta no agora, encerra a narrativa inteligente e tocante de Hoje. Dueto dolorosamente bonito com Ney Matogrosso, que já mereceu um texto só dele aqui neste espaço, se irmana com as demais canções do álbum. O Blues narra o colateral efeito do desamor que emerge ante a convivência excessiva e forçada em tempos de isolamento social.

Há muito que a pianista carioca revelada em 1988 como metade do Duo Fênix, têm experienciado seu lugar no front como cantora poderosa que é, mas sem dúvida Hoje, merece atenção especial em sua discografia iniciada em 1999, não apenas porque, aqui, Delia se revela uma intérprete de sensíveis recursos vocais, mas porque o próprio garimpo desse repertório denota a inteligência semântica e a profundidade da alma dessa artista que merece ser ouvida e reouvida por muitos e muitos e muitos mais ouvidos atentos!

Aperta o Play em Hoje de Delia Fischer em todos os apps de música e confira às 18h o clipe da faixa título aqui:

(Fotos Nando Chagas)

 

 

 

 

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