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22 Nov - 07h48
sexta, 22 de novembro de 2019

EDITORIAL

Eleições 2018: a chance do eleitor rechaçar a corrupção nas urnas

21 Ago 2018 - 17h11

As pesquisas que medem as intenções de votos para as eleições 2018, cujo primeiro turno será dia 7 de outubro, confirmam o que já se sabia: a maioria do eleitorado está decepcionado com os políticos. Muitos não querem saber de votar e ignoram as candidaturas, mesmo as majoritárias.

Não é à toa, que os índices de rejeição de candidatos a governador e a presidente alcançam  até quase 50%, percentual inimaginável em eleições anteriores, apesar da aversão da população com a política não ser recente.

Os escândalos de corrupção no País, desnudados pela Operação Lava Jato, aliados às votações de leis, que despedaçaram direitos e benefícios sociais podem explicar o desânimo da sociedade brasileira com a classe política.

Porém, nada mais estapafúrdio que a manutenção das regalias de políticos, que afrontam as famílias brasileiras com tantos privilégios, bancados com o dinheiro público, fruto da arrecadação do trabalho da sociedade e que nem de longe se vislumbra um fim, ou pelo menos uma redução.

Assegurar ao eleitor que ele será beneficiado com a eleição de governadores, senadores, deputados federais e estaduais, não tem sido tarefa fácil para os marqueteiros, que planejam as campanhas dos candidatos neste processo eleitoral.

Como convencer ao eleitor, que trabalha no mínimo 8 horas, diariamente, para sustentar sua família e receber um baixo salário, sem privilégio algum, que o voto será bom para ele e sua comunidade?

 Enquanto o sistema político mantiver parlamentares com salários de nível de executivos de multinacionais, além de inúmeros benefícios, verbas de gabinetes pomposas, auxílio paletó, auxílio moradia, mesmo tendo casa própria, planos de saúde privado, carros oficiais à disposição com verba para combustível sem limites, no mínimo quinze salários e duas férias anuais, entre outros benefícios, será muito difícil convencer o eleitor, que há esperança no sistema político brasileiro.

Mas, será que virar as costas para o processo eleitoral é a solução, como se vê atualmente no Brasil? A história política brasileira mostra que somente em situações de pressão em que a sociedade civil se organiza para cobrar mudanças houve avanços em setores, como saúde e educação públicos, por exemplo.

O voto é uma arma fundamental, que precisa ser usado de forma consciente e eficaz. O processo político, mesmo com todo descrédito em grande parte dos políticos tradicionais, de carreira, como as oligarquias que dominam vários Estados brasileiros, em pleno século XXI, necessita de engajamento dos brasileiros.

É preciso cobrar, exigir mudanças, exigir avanços e justiça social. O Brasil não pode continuar produzindo riquezas e manter concentrada nas mãos de poucos grupos, enquanto a maioria da população se concentra na pobreza e vivendo na precariedade.

Um novo Brasil precisa surgir, com mais consciência, maior responsabilidade na hora de escolher quem será seu presidente, seu governador, seus parlamentares. Acompanhar a atuação de seus representantes é possível e é a única forma de decidir se quem recebeu seu voto merece uma nova chance, uma nova oportunidade.

Votar é preciso, mas não votar em candidatos envolvidos em esquemas de corrupção é fundamental.

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