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08 Jul - 23h27
quarta, 08 de julho de 2020

Rolê Científico

Então, temos medicamentos eficazes contra o novo coronavírus?

25 Mai 2020 - 08h00Por Giovanni Palheta e Yuri Willkens

Voltamos aqui para mais uma conversa sobre o que tá rolando de pesquisa para o coronavírus. Semana passada falamos sobre vacinas e as dificuldades em criar uma resposta rápida e segura em curto prazo. Em resumo, as dificuldades para conseguirmos medicamentos eficazes e seguros para novas doenças são basicamente as mesmas que nos fazem ter que esperar um bom tempo por uma vacina, e como ainda não temos vacinas todos querem pelo menos algum remédio ou tratamento rápido, mas é justamente aí que mora o perigo.

A pressa não deve burlar as rigorosas etapas de pesquisa que garantem a segurança dos remédios, isso seria incoerente visto que objetivamos a melhora das pessoas doentes. Alguns até querem que o vírus morra, mas (surpresa) os vírus nem vivos podem estar. Parece estranho, mas é uma questão aberta na biologia - se os vírus são realmente vivos. Isso é, devido eles estarem afastados da definição que demos para o que é vida. Mas como assim? Calma, a gente vai te explicar.

Existem várias definições sobre o que é vida, algumas bebem da fonte da filosofia e outras usam critérios da ciência. De forma geral, na biologia podemos definir vida como algo que tenha célula, metabolismo próprio (reações químicas ocorrendo em si), a capacidade de reproduzir e de evoluir (sim, por seleção natural). Porém, os vírus são muito diferentes de todos os outros grupos, eles têm uma classificação à parte. Para se ter uma noção, eles não possuem célula, são inativos quando fora de um ser vivo e não têm metabolismo próprio. Contudo, podem se reproduzir entrando na célula de um ser vivo, como nós; aí o vírus a sequestra, "hackeia" suas funções e utiliza a célula hospedeira para fazer cópias de si mesmo, e consequentemente evolui como todo ser vivo. Caso não entre em uma célula, o vírus é um ser inativo.

Tá, mas o que tem a ver o vírus ser vivo ou morto e os medicamentos que usamos?

Vírus e os medicamentos

Pra começar, os vírus não “morrem” com antibióticos porque antibióticos foram feitos para combater bactérias, que por sinal possuem todos os requisitos de um ser vivo (célula, metabolismo, capacidade de reprodução, etc). Bem, mesmo sendo praticamente "mortos-vivos", os vírus incomodam bastante, principalmente em pandemias como agora. No momento, cientistas estão testando de tudo para desacelerar ou conter o novo coronavírus que de janeiro a maio de 2020 levou mais de 325 mil vidas pelo mundo.

Em geral, nosso corpo consegue lidar bem no combate à alguns vírus, após certo tempo de exposição aos patógenos nós nos tornamos capazes de produzir anticorpos que derrotam o vírus e nos dão imunidade. É por isso que para grande parte das doenças virais, os remédios que usamos servem mais para diminuir os sintomas enquanto nosso organismo tenta dar conta do recado, assim como é para um resfriado ou a gripe comum. Só que existem exeções, e em alguns casos precisamos de vacinas para treinar e melhorar nossa resposta imune e de remédios específicos para estes vírus, principalmente quando surge um novo vírus.

Nenhum medicamento utilizado para tratar pacientes da COVID-19 foi feito especificamente para isso, afinal é uma doença muito recente. Quando uma nova doença viral emerge, temos que ter em mente que pouco se sabe a respeito dela e que mesmo substâncias consideradas seguras para outras doenças, podem não funcionar muito bem. É por isso que estão sendo feitos testes com drogas já existentes e com efeitos conhecidos para outras doenças para “ver se funciona”. Essas drogas tentam impedir que os vírus façam sua festa de reprodução nas nossas células.

Neste momento estão sendo testados desde anticorpos do plasma sanguíneo humano até os anticorpos no sangue de lhamas, mas também vários medicamentos. Milhares substâncias químicas foram testadas ao redor do mundo e as poucas que passaram nos primeiros testes já estão sendo estudadas em pacientes. Aqui vão alguns exemplos: Tocilizumabe, sarilumabe, favipiravir, cloroquina, hidroxicloroquina + azitromicina, antivirais: Interferon beta-1b, lopinavir/ritonavir e Ribavirina. Avigan, Redesemvir, Ivermectina, Heparina, anti-inflamatório: Dexametasona.

Certo, mas quais destas são mais discutidas ou mais promissoras no tratamento da COVID-19?

Redesemvir

Um antiviral que se mostrou inicialmente viável contra o novo coronavírus. Foi desenvolvido pela farmacêutica Gilead Sciences, nos Estados Unidos criado para tratar o Ebola e usado em pesquisas contra o vírus Nipah. Um estudo de alto rigor científico publicado pelo periódico científico The Lancet verificou que não há efeitos significativos em pacientes enfermos com COVID-19.

Cloroquina, Hidroxicloroquina + azitromicina

Os fármacos mais discutidos e propagandeados no momento, foram feitos para doenças autoimunes como artrite reumatoide, lúpus, e contra malária. Estes fármacos foram inicialmente associados a um efeito positivo contra o novo coronavírus (in vitro), mas acabou não tendo efeito em humanos, inclusive quando usado com o antibiótico azitromicina. O estudo inicial publicado pela International Journal of Antimicrobial Agents foi um tanto controverso por apresentar indícios de alteração nos dados e não obedecer critérios rigorosos.

Vários estudos sérios mais recentes mostraram que tanto a cloroquina quanto a hidroxicloroquina combinada com a azitromicina não foram eficazes para tratar pacientes com a COVID-19. Um grande estudo publicado pelo New England Journal of Medicine, avaliou 1376 pacientes admitidos no hospital entre 7 de março e 8 de abril de 2020 e não apresentou resultados favoráveis ao uso do medicamento. Os pacientes que tomaram não tiveram nenhuma diferença em relação aqueles que não tomaram, além de terem aumentado o risco de efeitos adversos. O maior estudo já feito com esses fármacos, com 96 mil pacientes em 671 hospitais, chegou a mesma conclusão de ineficácia. Essa medicação tomou uma propaganda política inesperada, que não possui relação com as evidências e com as orientações de especialistas. A SBI - Sociedade Brasileira de Imunologia não recomenda o uso do medicamento de acordo com evidências de artigos.

Nitazoxanida (Annita)

O antiparasitário é amplamente comercializado no país. De acordo com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o Brasil testou mais de 2.000 fórmulas de moléculas e observou algumas substâncias promissoras em testes in vitro, sendo a nitazoxanida uma delas. Mas até agora resultados ainda são preliminares e não sabemos muito a respeito de como a substância atua contra a COVID-19. e até agora não foi divulgado nada sobre o andamento dos estudos.

Heparina

O anticoagulante foi avaliado em estudo feito por pesquisadores da Unifesp em colaboração com pesquisadores da Itália e do Reino Unido que mostrou ser capaz de dificultar a entrada do novo coronavírus nas células. A heparina teria algum papel na prevenção de alguns outros vírus e aparentemente seria capaz de se ligar na proteína Spike que o vírus usa para entrar nas células e alterar sua conformação estrutural. Os estudos também são iniciais (in vitro) e ainda não foram revisados pelos pares da comunidade científica.

Ivermectina

É um fármaco comum e barato, usado no tratamento de vários tipos de infestações e doenças causadas por parasitas, desde piolhos até as verminoses comuns em países subdesenvolvidos. Faz parte da lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial de Saúde, sendo listado entre os medicamentos considerados mais seguros e eficazes e indispensáveis para os sistemas de saúde. De acordo com um estudo publicado no periódico Antiviral Research, este antiparasitário parece inicialmente ter inibido o novo coronavírus (in vitro), mas ainda não teve eficácia comprovada em estudos feitos em humanos.

E o que dá pra concluir dessas informações?

O uso de antivirais pode ser a abordagem mais viável segundo a maioria dos estudos. Porém, nenhum desses medicamentos foi feito para a COVID-19, eles estão em teste e seus efeitos no organismo de quem está acometido pela doença ainda precisam ser melhor entendidos. Porém, ressaltamos que a identificação de um medicamento seguro e eficaz também pode ser bem demorada, assim como a criação de novas vacinas. Infelizmente nenhum aparenta ser prioritário e não possuem eficácia significativa em nós para que possamos direcionar melhor as pesquisas, temos apenas indícios e eles estão sendo analisados com calma. Esses tratamentos não vão sair do dia pra noite, mas quando saírem podemos esperar que sejam no mínimo seguros, vamos dar nosso apoio à ciência.

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