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15 Fev - 16h15
sexta, 15 de fevereiro de 2019

MULHERES NO PODER

João de Deus: quem pode quebrar o silêncio?

10 Dez 2018 - 12h33Por Mari Tupiassu

“Há mais de 40 anos ele trabalha curando as pessoas e não há nenhuma acusação contra ele”, assim disse o advogado de João de Deus, líder de um hospital espiritual em Abadiânia, defendendo seu cliente da acusação de abuso sexual. Segundo o Ministério Público, já havia denúncias contra o médium desde 2010. Em 2012 ele chegou a ser julgado por abuso sexual, mas foi inocentado por falta de provas.

Falta de provas. O que seriam “provas” num caso como esse? Fotos? Vídeos? Testemunhas? Testemunho dele próprio assinado e registrado em cartório?

O nome do homem já evoca o seu poder material e imaterial, o cara é de “Deus”. Quem se atreve a contestar tudo aquilo que se fez e se faz em nome de uma entidade suprema?

A cantora, Marina Peralta, tem uma música que traduz meu sentimento “Eu vejo o que fizeram com o seu nome, meu coração chora”.

Muito acima da justiça dos homens esse Deus parece estar, já que ninguém foi capaz de triscar a imunidade do médium que mantém a casa de cura Dom Inácio de Loyola , que por sua vez, é quem mantém a economia da cidade de 15 mil moradores funcionando.

Os Deuses são inquestionáveis.  

Abadiânia é um microcosmo do macro-contexto-social onde a violação do nosso sexo é exercício de poder frequente. Há uma relação de força simbólica que permeia o silêncio, como nos casos de abusos em Hollywood que só vieram a tona depois da campanha midiática #MeToo. Todavia, os crimes de assédio ocorrem desde antes do cinema alcançar o nível de produção industrial.   

Há sempre um Deus imune de carne e osso, no topo das relações de poder. Os gurus Sim Prei Baba e Osho também estão envolvidos em casos de assédio sexual. Algumas mulheres tiveram coragem de denunciá-los, mas, certamente, jamais fecharemos a conta exata de corajosas mais o número de histórias subnotificadas.

Somos a ponta fraca da corda.   

Não “temos provas” porque nosso relato nunca é o bastante para ser levado a sério e por não ser o bastante, temos medo das consequências de contar.

Sempre haverá alguém para dizer “você foi culpada de algum modo, deixe de frescura”.

É preciso que um intermediário com crédito na praça fale por nós.    

Desde que o programa “Conversa com Bial” exibiu depoimentos de mulheres abusadas, o MP já recebeu mais de 200 denúncias que serão apuradas mediante uma força tarefa do orgão. O depoimento dessas mulheres todas, certamente, constituem prova cabal de crimes em série que atravessaram décadas incólumes. Só tivemos a devida atenção depois que Pedro Bial e sua equipe decidiram apurar e investigar o caso. E se por acaso, achassem o caso arriscado demais e decidissem não levar adiante? Quando essas vítimas seriam ouvidas?

Parece existir um caos que escolhe a quem a sorte concederá a fala.

Enquanto isso... muitos Deuses-abusadores seguem inimputáveis.

 

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