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segunda, 21 de setembro de 2020

Rolê Científico

Mistério, como o coronavírus já estava no esgoto em alguns países antes da Pandemia?

11 Jul 2020 - 06h00Por Yuri Willkens e Giovanni Palheta

Pesquisadores em pelo menos cinco países, incluindo o Brasil, têm relatado a presença do coronavírus SARS-CoV-2 em amostras obtidas de esgoto que antecedem em semanas o primeiro caso registrado em Wuhan, o provável local de origem da doença, na China. Mas como que o vírus foi parar nos esgotos com tanta antecedência e o que esses achados mudam na compreensão da origem do vírus?

Se a Covid-19 afeta principalmente os pulmões, como encontraram vírus nos esgotos?

É bem estabelecido entre cientistas e médicos que a Covid-19, é uma doença sistêmica. Isso significa que os sintomas e danos que ela causa não se limitam apenas às vias aéreas, mas afetam também outras partes do organismo. Na prática, não apenas os pulmões, mas o corpo inteiro.

Uma série de estudos e casos clínicos mostram a existência de sintomas gastrointestinais em pacientes confirmados para Covid-19. Nem todos manifestam os sintomas, mas cerca de 45% dos pacientes podem ter falta de apetite, náuseas, vômitos e diarreias.

Alguns sintomas ocorrem pelo fato do coronavírus usar a proteína receptora ECA2 (ou ACE2, da sigla em inglês) que está localizada em muitas células no organismo, inclusive no trato digestivo (esôfago, estômago, intestino). Então, se o vírus consegue se reproduzir no intestino, é lógico que o encontraremos em amostras de fezes e nos esgotos onde elas vão parar. Assim, o monitoramento do esgoto pode servir como ferramenta ampla e barata de vigilância do avanço da Covid-19.

Na Espanha, pesquisadores da Universidade de Barcelona detectaram o novo coronavírus em amostras de esgoto congeladas obtidas em 15 de janeiro de 2020, antes do primero caso oficial no país (31 de janeiro) e também em 12 de março de 2019, cerca de 9 meses antes do primeiro caso da China (notificado em 31 de dezembro de 2019).

Aqui no Brasil, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) detectaram o vírus a partir de 27 de novembro de 2019, cerca 3 meses antes dos primeiros casos registrados em Santa Catarina (2 de março de 2020) e 1 mês antes do primeiro caso na China.

Ok, é esperado encontrarmos os vírus nos esgoto, mas como um vírus que causou essa pandemia toda já estava circulando muito antes sem ter chamado atenção?

Essa é a parte mais estranha da situação! Isso já está sendo usado por alguns pra reviver teorias conspiratórias de que o vírus foi "fabricado em laboratório". Balela! Não existem evidências disso. Mas existem boas hipóteses e tentam explicar como o vírus já circulava antes do que dizem os registros oficiais.

  1. Os primeiros infectados podem ter recebido diagnósticos errados ou incompletos. Antes da pandemia não sabíamos da existência do novo coronavírus e os sintomas da doença são parecidos com os da gripe comum. Doenças respiratórias ocorrem o ano todo, e até mesmo algumas gripes evoluem para casos mais graves, parecidos com os da Covid-19. Então, certamente houveram diagnósticos equivocados.
  2. Apesar de já estar circulando, o vírus pode não ter se espalhado com tanta força. Sabemos que a maioria das pessoas infectadas com o vírus serão assintomáticas, ou terão sintomas muito leves. Em um cenário com transmissão baixa, pouquíssimas pessoas teriam sintomas mais fortes, e o vírus poderia seguir escondido.
  3. As amostras podem ter sido contaminadas sem querer durante o estudo ou os testes deram falso positivo. Esta hipótese é um pouco improvável, já que estudos de cinco países encontraram vestígios do coronavírus em esgotos, mas também não é impossível. Sabemos que os testes podem falhar e às vezes marcar positivo pra outros microrganismos que circulam naturalmente.
  4. Pode ser que o vírus estava "dormente" à espera de ativação. Existem doenças que naturalmente circulam pouco e ficam "inativas" por certos períodos de tempo e são ativadas por alum estímulo biológico ou pelas condições ambientais. Pode ser o caso para o SARS-CoV-2, mas ele está bem ativo no momento, precisamos de mais estudos sobre isso antes de concluir alguma coisa.

Resumindo...

O fato é que existe uma lacuna de tempo entre um vírus emergente começar a circular e ser desoberto pelas autoridades.  Infelizmente a China também ocultou informações e demorou a apontar o vírus para a OMS (o primeiro caso, notificado no dia 31 de dezembro de 2019, tinha sido descoberto quase um mês antes, no dia 01 de dezembro).

Assim, sabemos que o vírus estava circulando na China antes do primeiro caso relatado, as novas descobertas apenas nos dizem que ele já tinha saído de lá antes do que pensávamos.

Ainda não sabemos como e quando o vírus SARS-CoV-2 passou a infectar nossa espécie, mas suas origens mais prováveis continuam sendo as mesmas (veio de animais selvagens vivos ou mortos vendidos em mercados ilegais). Ou seja, a cronologia mudou um pouco, mas a história continua sendo a mesma. 

Lembramos ao leitor que grande parte dos estudos sobre o coronavírus ainda são "pre-prints", algo que no jargão científico significa uma "versão crua" das pesquisas que ainda não foram revisadas por outros especialistas e que estão saindo com antecedência por causa da urgência da pandemia.

Erros podem acontecer e por isso todos os estudos precisam ser analisados com cautela. Por agora, é preciso aguardar mais estudos antes de tirar qualquer conclusão.

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