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sexta, 25 de junho de 2021

Anime Geek

O que Wanda Maximoff e Daenerys Targaryen têm em comum?

Basicamente o mesmo que quase toda personagem feminina muito poderosa tem.

08 Mar 2021 - 20h15Por Ana Paula Castro

Eu tinha me programado para escrever uma crítica de Wandavision. Já estava tudo no esquema: sitcons, fórmula Marvel, atuações belíssimas, amor, luto, Evan Peters... Tudo! Mas aí depois de ver o último episódio não estava conseguindo escrever nada, até que chegamos em 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, depois de ter passado um final de semana inteiro vendo muita gente elogiando a série e muita gente criticando por ver suas teorias refutadas.

E o que mais me intrigou em todas as críticas é o quanto os fãs necessitavam de um grande vilão sobrenatural intergaláctico megapoderoso no final, ou que uma série de nove episódios pudesse lançar Mephisto, Mutantes e Multiverso de forma bem feita e que agradasse a todos. Convenhamos, não ia dar certo.

Muitos também esperavam que o Dr. Estranho aparecesse no final e “desse um jeito em tudo”. Confesso, eu também fui uma que esperei que ele aparecesse. Não para resolver tudo, mas só para ter um “elemento Marvel” ali, como se Wanda e Visão já não estivessem, ao longo de dois meses, sustentando magnificamente aquela trama.

E mesmo que a série não tenha deixado as portas escancaradas para muita coisa que está por vir, é inegável que ela as deixou entreabertas, isso sem perder o propósito da narrativa.

(Calma, já vou chegar na Daenerys)

Depois de ter visto todos os nove episódios e analisando a obra como um todo eu entendi que nada disso era necessário. Wandavision é muito mais do que uma mera ponte entre dois títulos do Universo Cinematográfico Marvel, é muito mais do que o início de uma nova fase. É uma história. E muito mais do que uma história de super-herói também. Porque seu ponto mais alto e melhor desenvolvido é a trama emocional da protagonista, tanto que a série toda tem uma única batalha e ela nem dura tanto assim.

Mesmo podendo ser classificada dentro do universo dos super-heróis como uma “história de origem”, a origem da Feiticeira Escarlate, Wanda já é uma super-heroína, antes da sua origem, antes de saber quem é, antes de saber o tamanho de seus poderes, antes de ter tido a chance de lidar apropriadamente com seus traumas. E francamente, isso foi genial.

(Já tô chegando na Daenerys)

Não, a série não é perfeita. Os “erros” variam entre a opinião do público, mas de jeito nenhum deveriam incluir a falta do grande vilão sobrenatural intergaláctico megapoderoso ou do Dr. Estranho, que já tem um filme inteiro só para ele e um segundo em produção. A história é sobre a Wanda, sobre o luto dela, sobre a dor dela, sobre os poderes dela, sobre o passado dela.

A série já diz isso desde o nome. É a “Visão da Wanda”. E ela é ótima desse jeito, com o único propósito de contar a história de uma personagem interessante mas que sempre esteve ofuscada por outros “mais importantes”. Da mesma forma que a série já nos diz que a vilã é a Agatha Harkness, lá no sétimo episódio. Não tem Mephisto, Pesadelo, nada de grande vilão sobrenatural intergaláctico megapoderoso. Era a Agatha, o tempo todo. Quem não entendeu a mensagem foi porque não quis.

E foi isso que me estimulou a escrever essa pseudocrítica aqui hoje, no Dia Internacional da Mulher. Porque chega a ser impressionante a necessidade do fandom nerd/geek de sempre se ter um homem mais poderoso seja para antagonizar ou para resolver tudo. E com a Feiticeira Escarlate ainda tem um agravante, e é agora que abordo a questão da Daenerys, o estereótipo de louca surtada.

Sério, é impressionante. Sempre que uma personagem feminina é “overpower”, a narrativa dá um jeito de deixá-la louca e transformá-la em vilã. Ou quando claramente essa narrativa não cola, tentam chama-la de arrogante, prepotente e outros adjetivos similares, exatamente como fizeram com a Capitã Marvel. É sério que querem vir com o argumento de “não gosto de Capitã Marvel porque a personagem é muito arrogante” em um universo que tem o Tony Stark? Sério mesmo, galera?

“Ah, mas na Dinastia M...”. Vamos deixar uma coisa clara aqui: Dinastia M é quadrinho. Nem de longe temos um universo cinematográfico onde o arco da Dinastia M faria sentido ou até mesmo seria necessário. Thanos apareceu na cena pós-crédito de Vingadores, em 2012, para só agir de fato em Guerra Infinita. Ao longo de todos esses anos a Marvel foi pincelando seu grande vilão e aumentando as expectativas do público para quando ele finalmente aparecesse de verdade. Acreditem, os X-Men não vão surgir do dia para a noite, em uma única obra.

Todo mundo aceitou o fato do Thor lidar com seu luto “apenas” tendo depressão, se isolando e criando vícios. Então por que não se pode aceitar que a Wanda está apenas passando por uma fase difícil, que teve consequências ruins devido à magnitude de seus poderes, que ela agora está tentando entender e controlar? Por que se tem tanta expectativa, quase uma certeza, de que a Feiticeira Escarlate será uma vilã em Dr. Estranho 2? Sinceramente, se depois de construir um arco tão cheio de significados para a personagem e fugir do estereótipo de louca tão bem ao final da série, a Marvel optar por torná-la uma vilã, louca, que quer destruir tudo, vou ficar decepcionada porém não surpresa.

Já tive a minha dose de surpresa com a Daenerys em Game Of Thrones, que de tão infundada que é essa “loucura” o autor teve que recorrer ao genético/hereditário. Sim, essa é a justificativa. Sim, chegamos a esse ponto. E claro, um homem teve que matá-la para “resolver tudo”, nem mesmo um embate decente entre ela e sua antagonista Cersei Lannister, sequer um embate com palavras. Nem isso tivemos.

Claro, óbvio que existem exceções, como Mulher-Maravilha, Katniss Everdeen, entre outras. E espero de verdade que um dia elas se tornem regra. Mas por enquanto, seria pedir demais que o público conseguisse aproveitar a trajetória de uma heroína sem tentar diminuí-la ou transformá-la em algo que ela não é? Basicamente, absorver aquela história com a mesma naturalidade com que se absorve os arcos bem feitos de personagens masculinos? Torço para que não seja pedir muito, só para ter um pouco de esperança mesmo.

E para não fugir do protocolo: Feliz Dia da Mulher.

Esta coluna é escrita pelos integrantes do Anime Geek, evento multicultural pop e geek realizado em Belém desde 2012. Para mais informações, acesse também as nossas redes sociais:
 
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