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terça, 28 de setembro de 2021

Anime Geek

O Snyder Cut de Liga da Justiça é um sonho de fã finalmente realizado

Crítica sem spoilers.

19 Mar 2021 - 19h46Por Douglas Nogueira

Dediquei 4 horas da minha vida para ver o Snyder Cut e vou mostrar uma comparação entre ele e o que vou chamar aqui de Whedon Cut, sem spoilers.

Quando eu saí do cinema, naquela versão de Joss Whedon, eu saí realizado por, pela primeira vez, ter visto a Liga da Justiça junta e, como muitos jovens que cresceram lendo histórias em quadrinhos, amadureci bastante e me acostumei com os tons acinzentados e adultos de Zack Snyder. Mas aquela versão tinha algo diferente, o melancólico Batman de Batman vs Superman, cheio de rancores, que ainda adulto não conseguia entender o porquê de um alienígena estar lamentando o nome de sua mãe, havia virado um piadista, riquinho e “filantropo amiguinho da galera” (lembra alguém?!).

A essência adulta e dark de Snyder dos dois filmes anteriores havia se perdido, e apesar de ver o nome dele nos créditos daquele filme, algo de muito errado não estava certo naquela versão família da Liga da Justiça.

O Snyder Cut começa explicando o porquê das caixas maternas realmente terem acordado, o que não faz muito sentido no Whedon Cut, além de ser muito simplória a conveniente coincidência do Batman juntar uma equipe pela mera intuição de achar que problemas grandes estavam chegando. Na verdade tudo aqui tem finalmente lógica, além das relações serem muito mais aprofundadas. Também pudera, teve quatro horas de filme para isso.

A duração também é proposital, tínhamos que lembrar que em Liga da Justiça teríamos que introduzir o arco de 4 grandes personagens, que por anos foram lendas dos quadrinhos. Esse foi o motivo que levou à ideia inicial de Zack Snyder, de desmembrar esse filme em uma minissérie de 6 episódios. Mas como isso estava longe dos planos da Warner, já que a história não fazia parte do cânone do novo DCU, os investimentos não foram interessantes e por isso a impressão que passou lá em 2017 foi a de “lança logo isso e deixa esse povo ver pra gente voltar pra nossa vida normal”.

Toda a edição da Liga da Justiça de 2021 remete a isso. Talvez se tivéssemos uma série nos moldes de Wandavision, com um episódio por semana, o impacto seria ainda maior. Não que esse impacto não exista, aliás muita gente se dispôs a pagar os R$49,90 para ver esse filme em plena crise da pandemia, mas a construção em formato de minissérie seria o ideal. Quando vemos, não parece um filme, mas como uma série maratonada. Antes de chegar a grande ação final contra o vilão do filme, Snyder tinha ainda muita informação e história para contar. A Marvel (para a fúria dos DCnautas, terei que citar) usou 10 anos e 21 filmes para introduzir todos os Vingadores, o DCU teria três filmes.

O Snyder Cut divide os arcos dos personagens em capítulos e consegue mostrar todos de forma coesa, indo a fundo em todas as lamentações e prerrogativas de cada um, dando sentido para suas jornadas. Como dito antes, tudo agora passa a fazer sentido.

O Lobo da Estepe, que mesmo com o Darkside no filme é o antagonista, tem um propósito diferente do apresentado no Whedon Cut. As caixas maternas capturadas por ele recebem uma carga dramática maior, mostrando e honrando os sacrifícios que foram feitos para as capturar. Algo que não foi mostrado no longa de 2017 e que, na verdade, fez a iga parecer um grupo de desajustados que deixaram a caixa ser capturada.

Eu queria no fundo do meu coração não ter visto a versão do Whedon, pois isso estragou a experiência que o Snyder queria mostrar. Infinitamente superior, essa liga é o sonho do DCnauta médio. Mas isso não quer dizer que não tenha falhas. Os personagens “extras” inseridos parecem destoar bastante do clima e da história, servindo mais de fan service do que de conteúdo ao filme. O Caçador de Marte, a Iris West e o Coringa estão em arcos que, infelizmente, se não estivessem, não fariam falta.

A Liga da Justiça de Whedon parece a edição da Sessão da Tarde da de Snyder. Um bando de cortes rápidos da história com um sentido muito pífio, o que culminou na bomba de 2017. Mas é o mesmo filme lançado aqui. O que Whedon (e a Warner também) fez deveria ser considerado um crime, que eu queria muito ter apagado da minha cabeça para poder ver o Snyder Cut. No fim, o filme fica com margens para uma continuação que nunca virá, por isso a inserção de um extra criado evidentemente para mostrar o que realmente Snyder planejava para esse universo.

A profundidade das intenções do Snyder Cut mostravam os planos megalomaníacos do diretor para o futuro da DC no cinema. Coisa que assustou, e com razão, a Warner. O Batman Nightmare já deu um gostinho do que poderia vir, algo inovador e completamente novo no cinema. A possibilidade de um arco complexo como o de Injustice: Deuses Entre Nós. Os efeitos do Snyder Cut, infinitamente mais pobres para uma produção cinematográfica, finalizam a sua versão como se fosse uma grande fanfic, no sentido mais primário dessa palavra, algo feito de fã para fã.

Audaciosa, essa versão vai se destacar como um incrível filme de super-herói, injustiçado pelo tempo, pelas circunstâncias e pela força dos executivos, e que não poderá nos dar o prazer de uma continuação.

Esta coluna é escrita pelos integrantes do Anime Geek, evento multicultural pop e geek realizado em Belém desde 2012. Para mais informações, acesse também as nossas redes sociais:
 
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