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domingo, 26 de setembro de 2021

Rolê Científico

Os 500 mil mortos, a CPI da Covid e os cúmplices da tragédia

Entenda a gestão da pandemia no país que abandonou a razão, a ciência e abraçou o negacionismo.

07 Jun 2021 - 12h13Por Giovanni Palheta

Depois do fracasso do Brasil em conter o avanço do vírus, procuramos responsáveis pela enorme falta de preparo na condução de medidas para frear a contaminação em massa. Pessoas públicas incitaram abertamente o desrespeito as normas de saúde estabelecidas, contrariando o melhor conhecimento de saúde disponível. A clássica frase que isenta as pessoas de responsabilidade não poderia ser mais perversa nesse momento: "Não é hora de procurar culpados". Na verdade, passou da hora, não há hora melhor de procurar pessoas que fizeram pouco caso da maior crise sanitária do nosso tempo, são 500.000 mortos no país.

Precisamos entender que o desleixo de figuras políticas e a irresponsabilidade de alguns profissionais de saúde não se deu apenas por falta de informação ou ignorância. Se isso não era mais desculpa no final de 2020, imagine em 2021. Esse é o negacionismo, propagação intencional de notíticas falsas, insistência em coisas já refutadas pela ciência, recusa e negação da realidade. Inclua a tosca politização de medidas sanitárias e de remédios milagrosos pelas alas conservadoras pró-governo no país, está feito o estrago.

O comunismo global da "pandemia chinesa", o vírus criado em laboratório, a vacina com chip 5G, magnética e experimental, imunidade de rebanho natural, remédios antimalárico e antiparasitário para vírus... Nada disso tem cabimento, nada disso tem embasamento científico. Saber que algumas dessas conspirações foram estimuladas por pessoas que nos governam e por alguns profissionais de saúde, nos dá uma clara noção do porquê tivemos esse fracasso na pandemia.

O Brasil tinha como Ministro das relações exteriores Ernesto Araújo, alguém nessa posição deveria se empenhar em criar boas relações internacionais e facilitar a vida do Brasil com nossos principais parceiros. Através de declarações conspiratórias junto da família Bolsonaro, o chanceler olavista no auge de sua ignorância conseguiu causar mal-estar diversas vezes com a China, simplesmente o maior parceiro comercial do Brasil e maior fornecedor de insumos e vacinas, isso em meio a uma pandemia... nos desfavoreceu e difamou. Como se não tivesse mais o que fazer para melhorar a relação do país com a nação de quem depende, deu prioridade para defender a fala conspiracionista do filho do presidente de que a tecnologia 5G da China iria "espionar o Brasil" (tá passada?), só faltou o chapéu de alumínio.

O governo federal não comprou vacinas em tempo hábil, recusou diversos e-mails de ofertas, não fez campanhas em massa de estimulação a vacinação, não incentivou o uso de máscara, não incentivou o isolamento social e ainda hostilizou governadores e prefeitos que o fizeram. A culpa claro, é sempre dos outros. O governo federal não seguiu políticas públicas baseadas em evidências, na verdade, deu ouvidos a um 'cabinete paralelo' de profissionais negacionistas. O que tivemos foi uma escancarada negação, difamação de instituições e especialistas, tudo isso orquestrado por políticos incultos e profissionais de saúde distantes da melhor ciência disponível.

 

Comissão parlamentar de inquérito

Nesse caldeirão de obscurantismo que vivemos no país e para avaliar a nossa bizarra condução da pandemia, foi instaurada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), uma investigação gerida pelo poder legislativo. Ela objetiva ouvir depoimentos de diferentes pessoas envolvidas no tema e tomar delas informações com base no interesse público. Queremos saber por que a demora na compra de vacinas quando tivemos oportunidade? Por que fizeram (e ainda fazem) propaganda de remédio inútil para conter o vírus? Por que o Ministério da Saúde foi conivente e recomendou remédios sem comprovação científica? Por que o Conselho Federal de Medicina (CFM) não condenou os tratamentos sem cabimento em um momento tão crítico? Por que o governo federal ouviu um gabinete paralelo de médicos negacionistas? E por que ainda há médicos recomendando tratamento precoce e kit covid em pleno 2021? São milhares de vidas perdidas nessas questões, muitíssimas por negligência.

Para refrescar a memória - Os remédios sugeridos do "kit covid" - Cloroquina, Hidroxicloroquina, Azitromicina, Ivermectina, foram largamente avaliados e exaustivamente testados. A hipótese de que estes medicamentos serviam para alguma coisa para covid-19 foi absolutamente rechaçada ainda em 2020 por vários estudos com alto grau de evidência. Não há discussão na ciência sobre isso, é um consenso científico internacional. Os remédios não servem para tratar, prevenir ou remediar qualquer fase da doença. Já falamos disso antes aqui

É interessante ressaltar que a falha que alguns profissionais de saúde tiveram não foi exclusiva, a falha foi respaldada por propagandas políticas e pela conivência do conselho, não por evidências científicas. No Brasil, o país que mais recomendou esses remédios, foi um dos piores no combate ao vírus; Lembremos ao CFM que além da postura anticientífica tivemos posturas antiéticas que violam o Código de Ética Médica. Para a diretoria não ter esse trabalho, os artigos do código violados são: Art. 20, Art. 32, Art. 37, Art. 113. Confira aqui.

Um exemplo claro é o: Art. 113. Divulgar, fora do meio científico, tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja reconhecido cientificamente por órgão competente. 

Em 2021 recomendar os ditos remédios do "kit covid" é negacionismo científico, é irresponsabilidade, é antiético.

Como diria Natalia Pasternak doutora em microbiologia e presidente do Instituito Questão de Ciência que participou da CPI: "Isso é negacionismo, senhores. Isso não é falta de informação. Negar a ciência e usar esse negacionismo em políticas públicas não é falta de informação, é uma mentira e, no caso triste do Brasil, é uma mentira orquestrada, orquestrada pelo governo federal e pelo Ministério da Saúde. E essa mentira mata, porque ele leva pessoas a comportamentos irracionais, que não são baseados em ciência".

 

Mas por que alguns profissionais e figuras públicas ainda defendem isso?

Eles tem apoio político e suporte legal do conselho, o que tornou e torna a situação ruim para todos, uma conivência que presta um desserviço ao país e que custou muitas vidas. O que eles não tem são evidências científicas e razão. 

Uma saída para os cúmplices da tragédia, figuras públicas e negacionistas caso queiram ter razão: Mudem ou ignorem o código de ética, neguem ou ignorem o consenso entre os cientistas da área, não deem ouvidos as agências e instituições científicas e sanitárias nacionais e internacionais. Evitem os artigos de mais elevado grau de evidência que embasam condutas adequadas da profissão. Ops! Talvez já tenham feito isso.

O Brasil tem ótimos médicos, profissionais e especialistas super competentes, cientistas que são referência nacional e internacional em instituições de excelência. Lembre-se que esse país já teve Oswaldo Cruz, Vital Brasil, Carlos Chagas. Para mudar esse cenário de fundo do poço e progredir, precisamos do apoio da população, do apoio de bons profissionais de medicina, de verba para a pesquisa e fortalecimento das nossas instituições. Basta dessa mistura de ignorância e poder, já vimos a explosão que essa mistura dá.

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