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08 Ago - 14h01
sábado, 08 de agosto de 2020

Anime Geek

Preciso ver o Snyder Cut?

Isto aqui é uma opinião pessoal, de uma pessoa, de um ser, que pode questionar e que pode não ser a favor da maioria. Uma opinião apenas!

31 Mai 2020 - 22h45Por Douglas Nogueira

Quando eu era um gurizinho, ficava dividido entre dar audiência para a TV Colosso ou o Capeta em forma de Guri. A diferença era clara, os desenhos (e o divertido nonsense de toda a década de 80 e 90). Dentre os muitos desenhos que passavam havia as incríveis aventuras do setentista Superamigos e todas as suas cores, o também divertido e exemplo de puritanismo, Batman de 66. – para uma criança de 7 e 8 anos a máxima referência de super-heróis que ela teria na época.

Tim Burton chegou com a sua adaptação seguindo o sucesso do Superman de Reeve. Veio então um Batman, que mesmo ainda um pouco caricato de Michael Keaton, proporcionou depois a melhor coisa que a DC (mais precisamente um cara chamado Paul Dini) produziria para a TV aberta: Batman Animated Series, que embarcava nas aventuras do Homem-Morcego da forma mais pé no chão possível a este universo. Um desenho sombrio e mesmo assim voltado para um público infantil.

Foi a partir desse momento que a minha cabeça foi para os quadrinhos, e não tão exclusivamente a DC, mas da casa das ideias também. Sob a minha concepção e de experiência dos meus amigos, antes começavam assim, os sucessos da TV como X-Men, Batman e Homem-Aranha chamavam esse público a ir para os quadrinhos. É uma analogia semelhante a quem gosta de Harry Potter e Animes.

Foi com essa experiência que, a meu ver, apesar de terem o mesmo público, as duas principais editoras de quadrinhos de super-heróis externaram sensíveis diferenças em seu conteúdo. Vide publicações como A Saga do Infinito (Marvel) e A Piada Mortal (DC), é comparar as franquias Street Fighter e Mortal Kombat, os dois tratam de dar uns tabefes nos oponentes, mas um eu vejo bolas de energia e no outro ossos e crânios voadores.

A DC Comics e suas memoráveis histórias one-shot e a Marvel com as suas longevas sagas interligando todo o seu universo tinham os seus contrastes, cativando gurizinhos de formas diferentes, mas muito boas. Até chegar a nova era dos cinemas.

O couro nos super-heróis

Lá atrás X-Men e seus collants de couro conquistavam os adolescentes da TV Globinho e do Bom Dia e Cia (Playstation, Playstation). Os super-heróis estavam prontos para chegar às telonas de forma mais coesa e menos superficial (com todo o respeito possível aos mamilos de George Clooney e seu bat-cartão de crédito). Era chegada a hora das pessoas comuns (meros mortais) entenderem a magia que os guris e gurias encontravam nas histórias em quadrinhos.

Daí vieram algumas escorregadas de quatro (entenderam? De quatro? Quarteto?) até a brilhante ideia de Christopher “Plot Twist” Nolan. Ele teve a sacada de Paul Dini e levou às Telonas (com “T” maiúsculo, mesmo, pois ele gravou muitas partes desta saga com Imax) um homem-morcego que pareceu ter nascido numa Nova York corrupta, muito pé no chão. A Warner e seus olhinhos brilharam, pois os seus bolsinhos estavam cheios com a saga do Batman, que despertou o interesse de todo o planeta. Era um thriller policial do cavaleiro das trevas, perfeito, perfeito! Aliás, o primeiro filme foi bom por introduzir a ideia… Mas o segundo arregaçou a cabeça de todos.

Estava ali a ideia perfeita que serviria como padrão, por muito tempo, para todos os estúdios adaptarem histórias em quadrinhos. Esquecer um pouco a fantasia e adaptar o que se pode existir de palpável em uma banda desenhada. Essa ideia ainda banhou o primeiro Homem de Ferro. A este ponto na história, para não se estender muito, eu não vou lembrar que a partir da primeira aventura do Stark Downey Jr. surgiu todo o UCM e sua história de sucesso.

Cinquenta tons de Snyder

Correndo por fora, chegou o “cara” base desse texto, Zack “Dark Grey” Snyder que conseguiu traduzir a enxurrada de sangue dos quadrinhos de Frank Miller com a estória do Leônidas e seus outros 299 espartanos em 300. Logo após, sua tarefa era traduzir para o cinema, em 2 horas “assistíveis”, a epopeia de Watchmen. E munido do melhor de seu filtro Dark Grey “Nova York do Instagram”, trouxe a história dos vigilantes e a crise existencial do Dr. Manhattan de forma que todos pudessem ver e achar que era possível aquilo.

Existe a versão do diretor de Wacthmen de quase 4 horas das investigações de Horchark, tão bom quanto a versão cortada. Os engravatados do estúdio da caixa d'água viram que Snyder era bom nessas adaptações cults e tiveram a brilhante ideia de chamá-lo para instituir as histórias dos “maiores super-heróis da Terra!”. Estava então anteposto o principal responsável pelo DCU (Universo DC nos cinemas). Não teria como dar errado, ele já havia feito esse filme. Aliás nunca perceberam que o Coruja, e sua maquinaria, era o Batman, a Spectre a Mulher Maravilha, e lógico o Dr. Manhattan era o Superman? Estava tudo ali. Exceto que o mundo não queria mais ver aquilo, tudo por causa dos X-Men.

O filtro cinza no planeta azul

X-men Primeira Classe chegou em 2011, no meio dos primeiros filmes da fase 1 do universo Marvel. Qual era a principal diferença que, o agora adulto do Bom Dia e Cia, encontra nestes X-Men? Acabaram os collants de couro. A moda agora era colorido de novo. E isto migrou para UCM (Universo Cinematográfico Marvel). Thor, apesar de milhares de vezes menos divertido que a sua versão Ragnarok, já apontava isso. O Capitão América e a suspirada da Agente Carter ao ver aquele peitoral, já esbanjava tudo. Os super-heróis já haviam conquistado os meros mortais médios. Já estavam pops! Mas não importava para o pessoal da caixa-d'água. O Dark Universo DC iria funcionar. E funcionou?

Vale lembrar que para existir a “obra de arte” de Heath Ledger, teve que existir o Batman Begins. Não é o melhor filme de super herói já feito, não é o Homem-Aranha 2 de Tobey Maguire, mas era necessário. De forma análoga eu me remeto a Homem de Aço. Para o universo DC explodir, teria que haver uma introdução, teria que haver um Homem de Ferro como foi para Marvel. E Homem de Aço veio, e com eles as questões existenciais herdadas do Dr. Manhattan.

O Super vivido pelo cabeludo Henry Cavill tinha crise existencial como se fosse a radiação que matou de câncer a todos que chegavam perto da contraparte dele em Watchmen. Um Superman que nunca tinha sido visto nos quadrinhos. Mas de forma realista e não superficial. Aliás, nunca havia sido feita a pergunta: “e se um super alienígena pousasse na Terra com o discurso que veio para nos proteger?”. O rumo de Snyder era perfeito. Se você tiver fôlego pra ver tudo de novo, todos os seus filmes têm a devida interligação, até mesmo o famigerado momento “Martha”. Um Superman, muito diferente da versão bondosa que Briggs coloca nas suas dublagens, somado a uma película acinzentada. Saiu o filme que nem todos gostam, mas que era necessário ter: Homem de Aço.

Batman vs Superman: A Origem da Justiça chegou logo depois introduzindo o Batman que finalmente “era a noite”, experiente e com o jeitão dos games da série Arkham, a Lois Lane investigativa, só que com pouco tempo de tela, uma singela introdução da Mulher-Maravilha, mas satisfatória, o Lex Luthor de Jesse Eisenberg de jeito duvidoso, mas o Superman ainda não estava maduro, e que pior (spoiler) morre no final, um terceiro ato desastroso e “Save Martha”. O pior de tudo isso são as críticas da qualidade dos filmes Marvel a este universo criado por Snyder. Contudo ainda havia uma cartada final: A Liga da Justiça.

A Liga da Justiça Grey de Snyder

Depois do famigerado BvS veio o aplaudível Mulher-Maravilha, história de Snyder, com a direção, menos acinzentada, de Paty Jenkins. Então haveria luz no fim do túnel para Snyder e o DCU? 

Esquadrão Suicida era o próximo, e este tinha o filtro de Snyder, contudo vieram os executivos do estúdio caixa d’água e picotaram a versão deste Esquadrão do diretor David Ayer, motivado pelo sucesso enorme de Guardiões da Galáxia, que acreditavam, absurdamente, ser o Esquadrão Suicida da Marvel. Os vetos foram subindo, porque a versão adulta, que não era adulta, do DCU estava só desmoronando e as bilheterias nem se equiparavam a Marvel. Bom, errados não estavam! Antes da tragédia pessoal de Snyder, os produtores já cogitavam trazer Joss Whedom para engrossar o caldo dessa sopa.

Então com a saída de Snyder era a hora de animar o DCU! Tiraram todo o grosso da trama e simplificaram as coisas, mutilando o Batman que não era mais a “noite”, digamos que nem um final de tarde frio. Mulher Maravilha continuava evoluindo, Introduziram o Flash de Ezra Miller, carismático, mas caricato demais (para não dizer burro, comparado ao de Grant Gustin na série), reduziram o tempo de tela de Ciborgue, no que aparentava ser o arco principal do filme, o “AquaDrogo” estava apresentável (aliás não tinha como decepcionar “fãs” de Aquaman, já que eu precisei colocar aspas em fãs) e colocaram uma boca muito estranha no Henry Cavill que te deixa impossibilitado de olhar pra outra coisa.

A justificativa do estúdio foi porque precisava ser feito algo para finalizar o que Snyder não conseguiu concluir. Com o passar do tempo percebi (apesar de ser óbvio) que o estúdio mentiu de forma descarada. Os planos de Snyder eram megalomaníacos. Darkside, Jonn Jonzz, uniforme negro, até Supergirl, ganchos para um futuro promissor que foram interrompidos… ainda bem.

Preciso ver o corte dele?

Precivo ver o Snyder Cut?

Imagem: Reprodução / "O Vício"

Quando eu assisti o DCU “Snyderverso” e analisei os planos a longo prazo que entendi que ele prometia, vi que era uma questão de paciência. Contudo a Warner/Caixa D’água não estava errada em querer mudar isso. A visão de outros diretores foram ouvidas e as histórias da DC puderam evoluir, Aquaman, Shazam!, Coringa e Aves de Rapina são um sucesso, são tão incríveis quanto a fórmula de sucesso do MCU. E isso só vale ressaltar o que comentei aqui antes: DC, one-shots; Marvel, sagas! Os filmes da DC não tem a obrigação de se interligarem. Ela sempre fez sucesso nos quadrinhos nesta forma, da mesma forma que a Marvel faz sucesso do seu estilo. Para o DCU, o Snyderverso pode acabar sem medo de ser feliz. Mas isso não diminui a importância de ver esta versão, que aliás é um “one-shot”.

Tirando a paleta de cores do novo DCU, os novos filmes remetem a era de ouro dos quadrinhos e as novidades dos quadrinhos atuais, com os super-heróis “Deuses” da DC tendo que lidar com os problemas mais pé no chão. A Marvel sempre foi assim. Finalmente apostando da ideia criativa de seus diretores, a Warner conseguiu dar um rumo coeso a este universo como a Marvel fez.

Como no texto anterior desta coluna, podemos perceber que hoje é possível existir um Snyder Cut devido ao advento do streaming. Imagina refilmar e fazer uma campanha de marketing para um filme que foi um fracasso e hoje quer se restabelecer?

Estou ansioso pelo Snyder Cut. Tenho profunda paixão pela Marvel e humanidade do Homem-Aranha, junto a luta de raças/classes sociais de X-Men. Mas os espectadores do Sergio Mallandro de 7 e 8 anos anseiam por este encontro há anos. E pela última vez, os agora adultos podem ver a paleta acinzentada deste Snyderverso. Podem ir de coração aberto, porque os quadrinhos já estão no cinema!

Esta coluna é escrita pelos integrantes do Anime Geek, evento multicultural pop e geek realizado em Belém desde 2012. Nossa próxima edição será nos dias 14 e 15 de novembro na UNAMA-BR. Para mais informações, acesse também as nossas redes sociais:

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