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23 Nov - 14h07
segunda, 23 de novembro de 2020

Rolê Científico

Recuperados da Covid-19: Nem quem pegou está imune?

A imunidade de recuperados que não tiveram sintomas, parece não ser duradoura.

28 Jun 2020 - 09h00Por Giovanni Palheta e Yuri Willkens

O número alto de pacientes recuperados não reflete necessariamente uma boa situação para um país, além disso, quem já se recuperou da Covid-19 parece não ter imunidade duradoura. Para entender mais sobre isso, vamos dar um rolê científico?

Recentemente o Brasil foi apontado como o país com o maior número de recuperados da Covid-19, então devemos comemorar?! Vamos avaliar isso. O Brasil teve o maior número de recuperados, ultrapassando os Estados Unidos – EUA. Proporcionalmente os EUA deveriam ter o maior número de recuperados, porque possuem o maior número de infectados. No entanto, não esqueça que o Brasil é o segundo no ranking de infectados. Essa inversão poderia acontecer, devido a contagem dos últimos dias serem adicionadas de uma vez e pelos diferentes métodos coleta de dados nos dois países.

Evidentemente os dois países teriam o maior número de recuperados e maior número de mortos, salvo outro tipo de comparação. Como era de se esperar, os EUA já estão muito a frente do Brasil no número de recuperados, e de forma alguma o número de recuperados é um bom sinal. Quanto maior o número de infectados, maior o número de recuperados e claro, maior o número de mortos também.

Nem quem pegou coronavírus está imune?

Um novo estudo publicado na revista Nature medicine, aponta que indivíduos sem sintomas diagnosticados com o novo coronavírus, tiveram uma resposta imune mais fraca. Os pacientes diminuíram seus anticorpos em torno de 2 a 3 meses depois da infecção. Embora o estudo tenha avaliado poucas pessoas e seja um dos poucos feitos até agora, seus resultados podem apoiar o prolongamento de intervenções de saúde pública.

Segundo o estudo, os níveis de anticorpos neutralizantes do SARS-CoV-2 começam a diminuir dentro de 2-3 meses nas pessoas que se recuperaram do vírus, sobretudo nos casos menos graves e assintomáticos. Os anticorpos são proteínas (imunoglobulinas) produzidas pelo organismo para proteção contra patógenos, são essas proteínas que os exames detectam pra saber se você já foi infectado. Elas existem em cinco classes diferentes: IgG, IgE, IgD, IgM,  e IgA. As imunoglobulinas mais investigadas em exames são IgM e IgG, que têm ação conjunta na proteção imediata e a longo prazo contra infecções. IgE estão mais associados a alergias.

O organismo produz imunoglobulinas específicas para cada patógeno. Ou seja, um resultado positivo para IgM ou IgG pode indicar se o paciente teve contato ou não com determinado microrganismo. Normalmente, no estágio inicial da infecção, inicia-se a produção do IgM que começa a decair após um pico, e o IgG vai subindo gradualmente no estágio tardio. Com base nessa leitura, é possível estimar em qual período da doença o paciente está. O IgG é mais duradouro e pode indicar se houve imunização.

Concentrações de Imunoglobulina M e Imunoglobulina G ao longo de uma infeccção

Com isso surgiu a ideia do “passaporte da imunidade”, um documento que indicaria se a pessoa já possui anticorpos para o coronavírus e, assim, estaria imune e poderia voltar ao trabalho. Mas só é possivel saber isso com vários testes de antígenos, junto de testes PCR (que identificam o material genético do vírus) e o estudo do histórico do paciente. Além disso, e o artigo da Nature mostra exatamente uma queda do IgG após 2-3 meses. Outros dois artigos apontam para o mesmo caminho. A imunidade provavelmente não dura muito e perde eficiência com o tempo, principalmente para casos mais leves.

É importante que você saiba que o artigo da Nature foi feito com poucas pessoas, então não temos nada definitivo e mais estudos são necessários para entender esse problema. Vários outros fatores podem atuar na concentração do IgM e do IgG, e apenas as quedas nas concentrações não significam que estamos completamente vulneráveis de novo. A resposta imunológica é complexa e vai além dos antígenos. Porém, os resultados reforçam a necessidade de continuar o isolamento. 

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