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22 Out - 03h20
quinta, 22 de outubro de 2020

Dani Viaja

Sítio Raiz, uma vida simples que vai te surpreender.

19 Set 2020 - 14h00Por Dani Filgueiras

Ainda estou com a sensação boa do beiju derretendo na minha boca. Não um beiju qualquer, mas um que foi preparado na minha frente, com bastante coco fresco, enrolado na folha da bananeira e assado no tacho de fazer farinha, com aquele cheiro de lenha no ar… receita passada de geração em geração na família Brito que, desde o segundo semestre de 2019, expandiu os negócios da agricultura e passou a investir em turismo de experiência dentro da própria propriedade rural.

Beiju do Sítio Raiz

Nem bem o sol despontava e já estávamos no carro a caminho da comunidade Santa Maria do Patal, cerca de 20km da sede do município de Augusto Corrêa, para vivenciar uma parte da rotina do Sítio Raiz. Fomos recepcionados pelo Ilson José Brito, agricultor e proprietário do local, que nos explicou como ia acontecer o nosso passeio e nos conduziu para uma plantação de mandioca para que pudéssemos conhecer de perto o início do processo de produção da famosa farinha bragantina.

Seu Ilson explicando o passeio

Ilson, proprietário do Sítio RaizMeus sobrinhos, Antônio e Sofia, amaram a ideia de se embrenhar no mato por um caminho demarcado por pegadas diárias que desenharam o chão sinuosamente.  Ao chegarmos ao local, a minha surpresa foi com a plantação que não se parecia com as que eu conhecia, havia vegetação pelo meio e tinham umas florezinhas que pincelavam, de um rosa clarinho, o verde predominante do lugar.

Plantação de mandioca no Sítio Raiz

 “Vamos fazer um pouco de silencio”, orientou Ilson, surpreendendo meu grupo que tagarelava com inúmeras perguntas sobre a mandioca. Barulho de vento nas folhas, um cachorro latindo ao longe, e um zum, zum, zum… “ouçam as abelhas”, completou. Foi aí que a minha curiosidade foi respondida. A plantação não tem capinagem para conservar a floração propícia para as abelhas, mantendo a sustentabilidade da floresta que ocupa mais de 80% da área.

A área é preservada para garantir a sustentabilidade da floresta

Ilson também explicou como é a plantação da mandioca, quanto tempo dura, a diferença entre elas e, claro, como é a colheita (para saber esses detalhes é preciso ir lá. Nada de spoiler!). Os visitantes têm a oportunidade de entrar na plantação e coletar a raiz, como o Kadu fez.

Quem quiser, pode colher a mandioca.

Ou fazer como eu, aproveitar pra tirar fotos no meio desse ambiente que é a cara dessa região.

Fazendo book no meio da plantação.

De lá, fomos levados para a casa de farinha, pra acompanhar o restante do processo. No caminho é possível observar casinhas de sapê que foram preservadas para que os turistas possam ter uma ideia de como as habitações eram feitas antigamente.

Casinha de sapê no Sítio Raiz

Antônio, Kadu e Sofia na casinha de sapê do Sítio Raiz

Casa de Farinha – onde a mágica acontece

O restante da família Brito nos esperava na casa de farinha. Dona Deusa estava preparando o beiju, cuidadosamente enrolado na folha de bananeira e levado ao tacho pra assar.

Dona Deusa preparando o beiju

Seu João colocava cacos de telha em cima do “embrulho” para manter a folha do lugar e cuidava para que ambos os lados fossem assados da forma correta. “Meu beiju é o melhor de todos”, se gabou Seu João com um sorriso largo, querendo levar todo o crédito pela iguaria que seria servida no nosso café da manhã.

Seu João assando os beijus
Beijus do Sítio Raiz

Depois de acompanhar o preparo do beiju, foi a vez de conhecermos o processo de torra da farinha de mandioca.

Parte do processo do preparo da farinha é espremer a massa da mandioca no tipiti


Mandioca espremida no tipitiFomos convidados a peneirar e a mexer a farinha, tudo de forma completamente artesanal. Na medida que a massa ia caindo no tacho, um cheiro delicioso dominava o ambiente e, sinceramente, não tem como passar por isso sem se surpreender com tudo e perceber o amor que cada uma das pessoas que trabalham ali, dedica ao seu trabalho. 

Por alguns minutos a gente pode fazer parte disso, interagindo, experimentando, conversando, se encantando com a produção carregada de saberes amazônicos.

Antônio

Produção de farinha de mandioca no Sítio Raiz

Sejam bem-vindos ao café da manhã

Chegou a hora do café da manhã, servido em um espaço construído especialmente para receber os turistas. Uma mesa farta de um café à moda do Sítio Raíz, com todos os produtos tirados do próprio sítio: beijus recém assados, café fresquinho, frutas da estação coletadas no local, suco, água de coco, leite de coco e mingau de farinha, além da própria farinha. Tudo cuidadosamente arrumado, com as louças marcadas com o nosso nome, quer mais exclusividade que isso?

Café da manhã no Sítio RaizCafé da manhã no Sítio RaizNo Sítio Raiz, os nomes dos turistas são colocados nas louças

Fiquei encantada com esse receptivo carinhoso preparado pela Suellem, esposa do Ilson, e com o que foi servido nesse café da manhã nada convencional pra quem vive na cidade e, no meu caso, cheio de memória afetiva . O mingau de farinha me levou direto pra casa da minha avó Tetê, que fazia esse tipo de mingau quando eu era criança… a experiência do café com leite de coco foi uma combinação que eu não tinha experimentado ainda, pra completar, eu tive que dar razão ao Seu João, o beiju deles foi o melhor que comi até hoje. Faria todo esse passeio de novo, só pra comer esse beiju novamente.

Suellem preparando  mesa de café da manhã do Sítio RaizMingau de farinha servido no café da manhã do Sítio RaizEu e meu sobrinho Antônio, aproveitando o café da manhã do Sítio Raiz

Um café da manhã tomado sem pressa, com mesa farta e papo pra esquecer do relógio. Meu marido Kadu, ficou horas querendo saber mais sobre as lendas amazônicas, acompanhado de perto pelos ouvidos atentos do Antônio e da Sofia, que são fãs de histórias sobrenaturais. Também é possível comprar os produtos do Sítio Raiz, uma ótima oportunidade de levar um pouco do lugar na bagagem. Produtos do Sítio RaizO passeio também inclui um banho de rio, no igarapé de águas geladas que correm dentro da propriedade. Essa programação ficou pra um próxima oportunidade, pois a gente tinha agendado outro passeio da Rota Amazônia Atlântica, mas isso é assunto para outra coluna.

 

Rota Turística Amazônia Atlântica

O Sítio Raiz é uma das atrações da Rota Turística Amazônia Atlântica que possui vários roteiros na região do Caeté, nos municípios de Bragança e Augusto Corrêa, com destinos que oferecem contato com a natureza, cultura alimentar da floresta, vivência ribeirinha e observação de pássaros. Tudo para grupospequenos, de forma exclusiva e com respeito ao meio ambiente, requisitos perfeitos para viagens em tempos de pandemia, que precisam ter condições de proporcionar distanciamento social e higienização dos espaços.

Viajei para Augusto Corrêa, distante cerca de 230km de Belém, a convite da Rota Turística Amazônia Atlântica.

 

Anota aí:

Vivência no Sítio Raiz

Quanto custa: R$35 (adulto) / R$10 (criança até 07 anos)

O que está incluído: Vivência na área da produção vegetal, agroindústria artesanal de farinha de mandioca, preparação de beiju, banho de igarapé e café (da manhã ou da tarde) com beiju.

Tempo de duração: 2 horas (em média)

Contato: 91987028680 (Whatsapp)

Instagram: @sitioraiz6

OBS: Os passeios são feitos com agendamento prévio, para grupos com número limitado de pessoas, obedecendo todos os cuidados preventivos contra a Covid-19


Protocolo Covid-19:

- Todos devem usar máscaras.

- O transporte deve ser feito em carro próprio.

-  Obedeça todas as orientações da organização do passeio.

- Higienize sempre as mãosAnota aí:

 

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