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CIÊNCIA

Hospital Albert Einstein cria teste genético para detectar coronavírus em larga escala

Exame permitirá a realização simultânea de até 1.536 amostras, um volume cerca de 16 vezes maior do que é possível processar hoje pelo método RT-PCR

21 Mai 2020 - 18h40Atualizado 21 Mai 2020 - 18h53
Hospital Albert Einstein cria teste genético para detectar coronavírus em larga escala - Crédito: Getty Images Crédito: Getty Images

O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, desenvolveu um novo teste de diagnóstico do coronavírus que permitirá a realização simultânea de até 1.536 amostras, um volume cerca de 16 vezes maior do que é possível processar hoje pelo método RT-PCR, considerado padrão ouro.

O exame tem 100% de especificidade, ou seja, não apresenta casos de falso-positivo, uma precisão equivalente à do método convencional (RT-PCR).

A patente foi registrada no Sistema Internacional de Patentes dos Estados Unidos e, segundo o Einstein, é a primeira do mundo. O preço final do teste dever ser menor do que o seu similar, o RT-PCR, hoje em torno de R$ 250, mas o valor ainda não está definido.

A proposta é que nova tecnologia seja usada na testagem em massa da população, medida considerada crucial para o controle da expansão de casos, previsão de demanda para o sistema de saúde e retomada de atividades econômicas.

Baseado na tecnologia de Sequenciamento de Nova Geração (NGS), que identifica doenças por meio da leitura de pequenos fragmentos de DNA, o teste do Einstein foi ter adaptado para detectar também o RNA, a outra molécula biológica que, junto com o DNA, compõe o material genético dos seres vivos.

Como diversos tipos de vírus, o Sars-Cov-2 possui apenas RNA. Segundo Sidney Klajner, presidente do Einstein, o novo teste começou a ser desenvolvido há dois meses, a partir do sequenciamento genético do coronavírus que circulava no Brasil, e com o uso de técnicas de inteligência artificial.

— Chegamos ao diagnóstico com uma escala muito maior. Com equipamento que a gente tem no Einstein, vamos passar de 96 testagens por rodada para 1.536. Por semana, só no Einstein, poderemos fazer 24 mil testes — explica.

A testagem é passível de ser aplicada em qualquer laboratório do país que queira adquiri-la. Também não está definido o valor dessa transferência de tecnologia.

Eliezer Silva, diretor superintendente da medicina diagnóstica e ambulatorial do Einstein, diz que o novo exame passou por validações que demonstraram que ele é equivalente ao teste padrão ouro, no caso, o RT-PCR:

— A especificidade é de 100%, ou seja, aqueles identificados realmente têm o vírus, e tem uma sensibilidade muito semelhante ao PCR tradicional, de 90%, o que é fundamental. Não pode deixar ninguém que tenha a doença de fora.

O que existe hoje disponível para a testagem em massa são os exames sorológicos, conhecidos como testes rápidos. Eles detectam anticorpos produzidos pelo organismo em resposta à infecção e só podem ser observados em média 14 dias após a contaminação. Também possuem taxas de 30% de falsos-negativos.

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Segundo Silva, o teste criado pelo Einstein identifica a presença do vírus desde o primeiro dia de infecção, da mesma forma que o RT-PCR.

A coleta de amostra para detecção do vírus é realizada por meio de cotonetes estéreis (chamados de swab) em contato com a região nasal ou saliva.

A amostra é preparada de acordo com protocolos específicos desenvolvidos pelo hospital e, por fim, a análise dos resultados é realizada por meio da plataforma de bioinformática (Varstation®), também criada pelo departamento de inovação do Einstein e comercializada para outras empresas.

O teste deverá estar disponível para a rotina de operação diagnóstica no Einstein até o início de junho.

Fonte: Gauchazh

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