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ATENDIMENTO ESPECIALIZADO

'Transtorno dos números': candidata fará Enem sem noção de contas fáceis ou de tempo.

08 Nov 2018 - 08h27
'Transtorno dos números': candidata fará Enem sem noção de contas fáceis ou de tempo. - Crédito: Reprodução/Quero Bolsa Crédito: Reprodução/Quero Bolsa

Beatriz Carvalho, de 17 anos, simplesmente não consegue fazer calculos. Ela prestará o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no próximo domingo (11) e precisará resolver questões de exatas. Mas atividades simples como calcular troco ao fazer compras, olhar as horas em um relógio de ponteiro, fazer contas mentalmente é praticamente impossível.

Essa dificuldade não é falta de capacidade ou desinteresse. Beatriz é muito dedicada aos estudos e sempre tira notas altas em disciplinas como Geografia e História. A matemática só é um obstáculo por causa de um transtorno de aprendizagem pouco conhecido: a discalculia. Em inglês, é conhecido como “number blindness”, ou seja, “cegueira numérica”.

Para fazer o Enem, a jovem terá direito a uma calculadora, uma hora a mais para fazer a prova e a uma pessoa que lerá as questões para ela. Ao todo, serão  337 pessoas com discalculia e todas têm direito ao atendimento especializado nesta edição do exame.

“Fiz o Enem como treineira no ano passado e esses recursos me ajudaram bastante. O ledor, infelizmente, não costuma saber o que é discalculia. Explico os sintomas e ele me auxilia a digitar os números corretamente na calculadora e não me deixa confundir um algarismo com outro”, diz Beatriz. Até na prova de geografia, o auxílio é útil – afinal, gráficos e mapas precisam ser interpretados.

O neurologista Antonio Carlos de Farias, do Hospital Pequeno Príncipe (PR), esclarece o que é o transtorno. “Esse distúrbio não depende da dedicação do aluno ou de sua inteligência. Ele afeta o neurodesenvolvimento do paciente e suas conexões cerebrais”, diz. “Os sintomas podem variar: incluem dificuldade em ler enunciados de problemas matemáticos, problemas de raciocínio e de orientação espacial”, completa.

Em sua rotina, a Beatriz encontrou formas de conviver com o transtorno e de ser independente. Bolsista no Colégio Moppi, no Rio de Janeiro, ela recebe auxílio dos professores e pode resolver as questões de matemática em dupla com algum colega.

Pela casa, espalhou relógios digitais, até no banheiro. Eles ajudam a jovem a ter uma noção melhor da passagem do tempo. Na bolsa, não pode faltar a calculadora: ela é usada para calcular trocos, por exemplo.

O sonho da jovem é cursar licenciatura em história. Ela quer ser professora justamente por perceber, ao longo de sua trajetória, a importância do docente na vida dos estudantes que têm alguma dificuldade de aprendizagem. “Meus professores foram essenciais. Me passaram calma, pensamento crítico e elevaram minha autoestima”, conta. “Quero tornar a educação mais inclusiva.”

 

Atendimento especializados no Enem 2018, por tipo

Autismo - 774 inscritos

Baixa visão - 5.232

Cegueira - 787

Déficit de atenção - 2.408

Deficiência auditiva - 8.915

Deficiência física - 1.951

Deficiência intelectual (mental) - 7.188

Discalculia - 337

Dislexia - 1.418

Surdez - 1.444

Surdocegueira - 16

Visão monocular - 1.377

Fonte: G1

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