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Belém é a capital da dança, aponta pesquisa

11 Ago 2018 - 08h34Por Lissa de Alexandria
Belém é a capital da dança, aponta pesquisa - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

As festas populares e de dança são os eventos culturais mais frequentados pelos moradores da capital paraense. A constatação vem da pesquisa Cultura nas Capitais, apresentada nesta semana em Belém, por João Leiva, da JLeiva Cultura & Esporte, Ricardo Meirelles, da PrimaPágina, Marlene Treuk, do Datafolha e o convidado local, Ney Messias.

Desenvolvido pela JLeiva Cultura & Esporte, responsável pela análise dos dados, e pelo Datafolha, a cargo do levantamento de campo e processamento das informações, o estudo abordou 619 moradores de Belém, entre 14 de junho e 27 de julho de 2017, sobre suas práticas culturais ao longo dos 12 meses anteriores.

A pesquisa demonstra que Belém é a capital que mais frequenta eventos de dança entre as 12 metrópoles pesquisadas – dos entrevistados, 43% participaram desse tipo de atividade cultural, oito pontos acima da média nacional (35%).  

Foto: Lorena Magno

 

Outro índice que chamou atenção foi a frequência a festas populares em Belém, o segundo melhor entre as 12 capitais analisadas, atrás apenas de São Luís, no Maranhão, onde elas foram frequentadas por 64% da população local; a média nacional é de 42%. 

Dentre os eventos citados, as festas juninas tiveram a maior participação – 70% declararam ter participado. Em segundo lugar, estão os eventos de danças típicas regionais, como o Carimbó, o Boi Bumbá e o Arrastão do Pavulagem. 

Mídias sociais facilitaram o acesso à cultura, segundo a pesquisa, contudo, a efetivação desse acesso envolve dinheiro e escolaridade."Escolaridade sempre tem impacto positivo no acesso à cultura", afirmou João Leiva, que teve a concordância unânime da plateia. 

Dentre os fatores curiosos, destacam-se o interesse maior do público feminino, porém, tem menos acesso, enquanto que homens, mesmo casados, não deixam de realizar atividades culturais. "Ou seja, o acesso à cultura, reproduz o patriarcado", diz Leiva. Aliás, a pesquisa mostra que os casados vão menos a eventos culturais, não por não terem com quem deixar os filhos, por exemplo, mas por interpretarem o acesso à cultura como de significativa importância, mas terem dificuldade seja ela econômica ou de locomoção, e não conceberem a ideia de não realizar o passeio com os filhos. Uma das sugestões no encontro foi da adoção de espaços kids em espaços culturais.

Fatores como segurança, companhia e locomoção influenciam no acesso à cultura, assim como a carga horária do trabalhador, opinou uma participante, ítem a ser levado em consideração para as próximas pesquisas.

Espaços mais frequentados

Outro ponto abordado pelo estudo foram os espaços culturais mais conhecidos e frequentados. A Estação das Docas, que inclui o Teatro Maria Sylvia Nunes, liderou nos dois quesitos (96% conhecem e 76% já frequentaram). O segundo espaço mais conhecido é o Theatro da Paz (93%), que, no entanto, é apenas o quarto mais frequentado (57%), atrás do Museu Paraense Emílio Goeld (72% de frequência) e da Fundação Cultural do Pará (65%).

Dentro deste ítem, discutiu-se a forma como determinado evento ou a própria estrutura física do espaço é divulgada para a população, uma vez que são praticados preços não populares ou, apesar do evento ser gratuito, pessoas inseridas nas classes econômicas abaixo da C não se sentem convidadas a frequentar espaços tidos como elitizados para o consumo de cultura.

Pior acesso

No quesito "pior acesso", Belém está negativa com o acesso ao cinema e também é destacada por atender idosos pior do que outras cidades.

Livro e plataforma digital interativa

 Os dados detalhados e as principais conclusões da pesquisa estão compilados na publicação Cultura nas Capitais: como 33 milhões de brasileiros consomem diversão e arte. O livro contém 180 infográficos e análises assinadas por especialistas de 15 temas abrangidos pelo estudo: Tempo livre, Acesso e Prática, Educação, Renda, Gênero, Idade, Religião, Cor da Pele, Cultura e Tecnologia, Música, Artes Visuais, Artes Cênicas, Audiovisual, Políticas Públicas e Cidades.

Todas essas informações estão também disponíveis para acesso público e gratuito no site:http://www.culturanascapitais.com.br. A plataforma interativa permite ainda o cruzamento livre de dados compilados, servindo como importante ferramenta de análise para o usuário.

Cultura nas Capitais é uma realização da JLeiva Cultura & Esporte, do Ministério da Cultura, do Governo Federal e do Governo do Estado de São Paulo, com patrocínios do Instituto CCR e da Braskem e apoio da ProAc ICMS do Estado de São Paulo, da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura e da Fundação Roberto Marinho.

Com informações da assessoria

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