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19 Nov - 11h26
segunda, 19 de novembro de 2018
MADE IN AMAZÔNIA

“Letras” de artista paraense compõem clipe de Silva e Anitta

15 Set 2018 - 05h00Por Lissa de Alexandria
“Letras” de artista paraense compõem clipe de Silva e Anitta - Crédito: Reprodução/YouTube Crédito: Reprodução/YouTube

Todo mundo já viu barcos pintados e nomeados, geralmente com nomes femininos ou sobrenome e até mesmo nomes alusivos a personagens fictícios. Mas já se perguntou quem desenvolve esse trabalho? São os abridores de letras.

No Pará, o saber foi objeto de estudo da pesquisadora Fernanda Martins para a especialização no Instituto de Ciências da Arte da Universidade Federal do Pará, o qual mapeou 72 abridores em municípios das regiões de Santarém, Marajó, Salgado e Belém, em 2014.

“As letras típicas do estuário Amazônico são influências das letras vitorianas, das propagandas inglesas, que chegaram na região na época da Borracha através das mídias (rótulos, embalagens, cartazes de ópera) com a estética europeia. Então a partir do século passado, a Companhia dos Portos passou a exigir que os barcos fossem identificados, então essa letra migrou para as embarcações e sobrevive através desses profissionais que abrem as letras de forma manual e passaram a imprimir também sua identidade na arte”, explica a também pesquisadora, Sâmia Batista, ao Roma News.

Abridor de letras é o nome que se dá aos profissionais que pintam as letras nos barcos da Amazônia. Foto: arquivo/Letras que Flutuam

Do ambiente acadêmico, com o intuito de estimular a manutenção da atividade, surgiu o projeto “Letras que Flutuam”. Através dele, jovens dos municípios mapeados participaram de oficinas utilizando a tipografia, que dá visualidade à Amazônia.

O projeto continuou com o mapeamento em 2015, na Ilha do Marajó, quando a pesquisa aprofundou a narrativa que inspira o universo ribeirinho. O trabalho deu origem ao documentário “Marajó das Letras”, que conta as histórias dos abridores, e foi exibido em praça pública nos municípios envolvidos, em Belém, São Paulo, e continua participando de festivais no Brasil e no mundo. Veja o teaser:

Valorização

O “Letras que Flutuam” deu maior visibilidade ao trabalho dos abridores. O aumento da procura pelo lettering amazônico fez com que os integrantes do projeto passassem a intermediar o processo de contratação.

“O ‘Letras’ acabou se tornando porta de entrada para os artistas, pois a dificuldade de comunicação com eles é grande, já que a maioria não mora em Belém. Então passamos a ser procurados para que os interessados tivessem acesso aos ‘abridores’ e acabamos percebendo a importância dessa mediação, pois eles não eram acostumados a cobrar um preço adequado, então mediamos desde o contrato até o recebimento do valor pelo artista”, diz Sâmia, parceira de Fernanda no projeto.

Os trabalhos feitos pelos abridores de letras normalmente atendem à economia local como fachadas de comércio, embarcações, escolas do próprio município ou de cidades vizinhas. “E quando aparecia um trabalho grande, cobravam o mesmo valor, recebendo muito abaixo do que realmente merecem”, concluiu Sâmia.

Abridores de letras também utilizam o estilo amazônico em fachadas de estabelecimentos. Foto: arquivo/Letras que Flutuam

Made in Amazônia 

E foi através do “Letras”, que a produção do cantor Silva contratou “Luís Junior”, abridor de letras do município de Igarapé-Miri mas atualmente morador de Belém.

“Nós recebemos um e-mail do produtor informando que eles queriam o nome do clipe em letra de barco. Fizemos a intermediação, o Luís Junior produziu e enviamos para São Paulo. Aconteceu o mesmo com a Farm, que encomendou um alfabeto exclusivo, usado a mais de um ano nas coleções de moda da marca”, informou Sâmia.

Os abridores de letras produziram um alfabeto exclusivo para uma campanha da Farm. Foto: site/Adoro Farm

O barco com o lettering aparece logo na primeira cena, abrindo o clipe, dirigido por Breno Picheschi e Rafael Cazes. Os dois adotaram uma estética de fundos monocromáticos com variação de cores, o que foi utilizado também no videoclipe “L.O.V.E. Banana” do Jão Brasil, e na abertura da novela “I Love Paraisópolis”.

O conceito do clipe de “Fica Tudo Bem” é a de um casal dando conselhos para eles mesmos sobre o amor, subentendo que a cena de Anitta tirando bolas azuis de dentro do barco – representando a água – seria a personagem dizendo para ela mesma que não afundaria – naquele sentimento - e o barco estava seguindo para que ficasse tudo bem. Ao final do clipe, Anitta e Silva se encontram – os amores se reencontram – e o tempo para. Relembre:

Neste sábado (15), Silva se apresenta em Belém, no Teatro Margarida Schivasappa, a partir das 21h, com um show do seu novo disco "Brasileiro".

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