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Marin vende patrimônio imobiliário por R$ 37 milhões para pagar multas

17 Abr 2019 - 08h15
Marin vende patrimônio imobiliário por R$ 37 milhões para pagar multas - Crédito: AFP PHOTO / Don EMMERT Crédito: AFP PHOTO / Don EMMERT

O ex-presidente da CBF José Maria Marin se desfez nos últimos dois anos de um patrimônio imobiliário adquirido em mais de três décadas para conseguir pagar despesas com advogados, dívidas processuais e multas nos Estados Unidos. Com as vendas, ele arrecadou R$ 37 milhões.

O ex-governador de São Paulo está preso na penitenciária de Allenwood, nos Estados Unidos, condenado a quatro anos de prisão pelos crimes de organização criminosa, fraude bancária e lavagem de dinheiro cometidos no período em que presidiu a CBF, de 2012 a 2015. Ele teria recebido U$ 6,5 milhões (R$ 25,3 milhões pelo câmbio atual) de propina para assinar contratos de direitos comerciais da Libertadores, Copa do Brasil e Copa América. Marin nega os crimes.

Quando foi preso, em maio de 2015, na Suíça, ele tinha quatro imóveis registrados em seu nome na cidade de São Paulo. Hoje, possui apenas uma sala comercial na Avenida Paulista, de acordo com registros em cartórios obtidos pelo Estado. Os advogados de Marin confirmam as transações, mas só se pronunciarão após os recursos apresentados pelo brasileiro serem julgados na corte americana.

Entre fevereiro de 2017 e dezembro de 2018, o ex-dirigente, de 86 anos, vendeu três imóveis (um apartamento, um casarão e um prédio comercial) e arrecadou R$ 37 milhões com os negócios. Boa parte do dinheiro foi usada para pagar multas relacionadas ao processo aberto contra o dirigente nos EUA.

Em agosto do ano passado, por exemplo, a juíza Pamela Chen, da Corte Federal do Brooklyn, de Nova York, condenou Marin a pagar US$ 1,2 milhão (R$ 4,6 milhões) e confiscou US$ 3,35 milhões (R$ 13 milhões) do brasileiro. Em novembro, ele teve de devolver US$ 137,5 mil (R$ 529 mil) para a Conmebol e a Fifa. Na última segunda-feira, a Fifa baniu Marin de qualquer atividade relacionada ao futebol e aplicou multa de 1 milhão de francos suíços (cerca de R$ 3,8 milhões).

Para pagar as contas, o cartola vem se desfazendo de bens. O último e mais valioso imóvel vendido por ele foi um prédio comercial na Rua Colômbia, no Jardim América, região com um dos metros quadrados mais caros do País. Em dezembro do ano passado, o ex-dirigente vendeu o local por R$ 18,1 milhões. O prédio comercial havia sido comprado por Marin em maio de 1983, poucos dias depois de ele ter deixado o governo do Estado de São Paulo

Antes, em julho de 2018, o ex-dirigente já havia vendido o apartamento onde morou por mais de duas décadas com a mulher Neuza Augusta Barroso Marin, na rua Padre João Manoel, no bairro de Cerqueira César. O imóvel, de 609m² e com cinco vagas de garagem, foi negociado por R$ 7,6 milhões. 

O primeiro imóvel vendido por Marin após sua prisão foi um casarão localizado no Jardim Europa por R$ 11,5 milhões, em fevereiro de 2017, conforme o Estado revelou na ocasião. A mansão estava em terreno de 2.600m², possuía dois andares, 12 salas, dez banheiros e estacionamento para 30 carros.

O casarão havia sido comprada por Marin em 2014. O ex-presidente da CBF pagou R$ 13,5 milhões. Ele a registrou em nome da JMN Empreendimentos e Participações, empresa criada para administrar os bens da família. A mansão foi um mau negócio para o cartola. Ele acumulou mais de R$ 2 milhões de prejuízo com o imóvel. Além de ter vendido por um preço menor do que pagou na compra, somente de IPTU ele gastava quase R$ 200 mil por ano. 

Em 2015, quando já estava preso nos EUA, Marin deixou a sociedade da JMN Empreendimentos e Participações. Permaneceram como proprietários sua mulher e o filho Marcus Vinícius Marin. O dirigente banido tentou, com a manobra, se proteger de uma possível tentativa da Justiça americana de pedir o confisco e o bloqueio de seus bens e contas no Brasil.

Mesmo preso, Marin recebe pensão vitalícia do Estado de São Paulo de R$ 20.257,80 por mês, referentes à pensão parlamentar da extinta carteira previdenciária dos deputados paulistas. Recebe desde 1987.

Com informações do Estadão.

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