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CHEGA DE PRECONCEITO!

Observatório da Discriminação Racial estima cerca de 15 casos de racismo no futebol brasileiro em 2020

Número preliminar faz referência ao primeiro semestre deste ano

07 Ago 2020 - 08h00Atualizado 07 Ago 2020 - 08h50Por Junior Cunha
Observatório da Discriminação Racial estima cerca de 15 casos de racismo no futebol brasileiro em 2020 - Crédito: Samara Miranda/Remo Crédito: Samara Miranda/Remo

De joelhos e punhos cerrados, os jogadores do Remo marcaram um posicionamento importante antes da partida com o Tapajós na noite desta quarta-feira, 5, pela última rodada da primeira fase do Campeonato Paraense 2020: o combate ao racismo! 

A luta contra a discriminação racial ganhou outra conotação nos últimos meses. Desde o que aconteceu nos Estados Unidos, em maio, quando um policial branco matou asfixiado o segurança negro George Floyd, diversos segmentos da sociedade, mundo afora, intensificaram as manifestações contrárias ao preconceito racial.

Nas duas últimas semanas, quatro casos em torno do esporte mostraram que esta luta está longe de acabar. Um caso de xenofobia em um post do Paysandu em uma rede social de vídeos, um comentário racista em alusão ao jogador Gelson, do Remo, durante uma transmissão em rede social, outro comentário racista referente ao atacante Marinho, do Santos, e cânticos racistas em uma partida de futebol no Rio Grande do Sul, indicam que cada vez mais todos precisam se unir para combater o preconceito.

De acordo com dados preliminares do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, de janeiro até os primeiros dias de agosto, cerca de 15 casos de preconceito, seja ele racial, de gênero, religioso, entre outros, foram registrados no futebol brasileiro em 2020. Destes, cinco só no último mês, quando as competições retornaram no país.

"Na última semana, mal o futebol voltou e nós tivemos esses inúmeros casos. Com o Remo, com o Paysandu, com o Marinho (atacante do Santos) e o mais grave deles, um caso aqui no Rio Grande do Sul, onde a equipe colocou no sistema de som cânticos de cunho racista. O que a gente vem trabalhando é mais na conscientização de torcedores e jogadores da necessidade de denunciar e de entrar com processo contra as pessoas que cometeram esses casos racistas, homofóbico, xenofobicos, enfim. É preciso que essas pessoas sejam responsabilizadas. E para que isso aconteça, os jogadores que sofreram os insultos, os clubes, precisam seguir com o processo na justiça. Não basta uma primeira denuncia. É preciso que esses clubes também trabalhem essa questão de conscientização", diz o fundador do Observatório, Marcelo Carvalho. 

Para ele, os clubes são determinantes nesta luta. O trabalho de conscientização nas redes sociais pode ser um importante fator para ajudar com que os casos sejam denunciados, os agressores identificados e punidos.

Marcelo Carvalho, fundador do Observatório da Discriminação Racial no Futebol (Foto: Reprodução/MKT Esportivo)

"Isso vai se dar, muitas vezes, a partir de manifestação nas redes sociais. Quando o Santos diz que torcedores racistas não são bem vindos no clube, quando o Remo e Paysandu se unem na causa, é uma demonstração para a sociedade que de fato esses atos não vão mais ser tolerados. O que o Observatório vem fazendo, primeiro é, dando número, dando voz, para esses casos para que as pessoas não pensem que são atos esporádicos. A gente vem trazendo à luz a quantidade de casos que vem acontecendo. No segundo momento, a gente vem conversando com os clubes, inclusive lançamos uma campanha onde Remo e Paysandu são parceiros do Observatório, para que a gente consiga utilizar a força do futebol para dialogar com a sociedade sobre a questão racial".

Em 2019, o Observatório contabilizou 56 casos de injúria racial no futebol brasileiro. Até então, este foi o maior número dos últimos seis anos. Em 2018, por exemplo, o número total de casos foi de 44. Marcelo acredita que o olhar da imprensa para estes casos mudou nos últimos anos e isso trouxe como consequência um crescente aumento das denúncias por parte de jogadores e torcedores.

"Eu tenho percebido, enquanto Observatório, que de 2014 para cá, a imprensa, de modo geral, começou a prestar mais atenção nas denúncias de casos de racismo no futebol no Brasil. Nos últimos dois anos, vamos dizer assim, houve uma crescente muito grande nos casos de racismo, de machismo, de LGBTfobia e de xenofobia sendo denunciados por jogadores e torcedores. Acho que de fato temos uma crescente, não só nos números de incidentes, mas também dos discursos de ódio, que vão acabar sendo refletidos nas arquibancadas. E também temos uma crescente na conscientização dos jogadores e torcedores que vem denunciando muito mais".

Clubes unidos por uma causa

A campanha "#PoderiaSerEu", idealizada pelo Observatório da Discriminação Racial no Futebol e abraçada pelos clubes, tomou as redes sociais em junho. Somada à ela, ações isoladas dos clubes antes das partidas ou no dia a dia reforçam o pensamento contrário à discriminação. 

Chamado de "preto macaco" durante uma transmissão no último domingo, em um rede social, o volante Gelson, do Remo, entrou na última terça-feira, 3, com um Boletim de Ocorrência em uma delegacia de Belém contra o crime de injúria racial

(Foto: Fernando Torres)

"O clube vem trabalhando de maneira sistemática ao longo de mais de um ano, pelo menos, em ações de combate ao racismo, quer seja em parceria com órgãos públicos, quer seja por campanhas do próprio clube. Buscamos conscientizar os torcedores, os associados, sobre a questão do racismo, de intolerância religiosa. Fizemos, em 2019, uma parceria com o Observatório Racial do Futebol, onde a camisa do basquete, lançada em novembro, teve essa temática sobre as questões da consciência negra. No âmbito do que aconteceu agora com o atleta Gelson, o clube está dando todo o apoio jurídico. Na nossa diretoria de marketing e comunicação, temos feito diversos movimentos para apoiar o atleta. Um deles foi orientar o atleta no boletim de ocorrência. Solicitamos nas redes sociais que a torcida nos ajudasse na identificação deste criminoso. A intenção é que esse criminoso não frequente mais nenhum espaço do clube, nem estádio, nem jogos de qualquer modalidade que seja, seja banido de tudo. Somos completamente intolerantes com a intolerância", relata o diretor de marketing do Remo, Renan Bezerra.

Na entrada em campo para enfrentar o Tapajós nesta quarta-feira, 5, o elenco azulino exibiu a faixa "Se você é racista, não seja remista". Além disso, durante o minuto de silêncio em homenagem às vítimas do novo coronavírus e nas comemorações dos três gols (o Remo venceu o Tapajós por 3 a 1), todos os jogadores ficaram ajoelhados e com o punho cerrado em alusão ao combate racial. 

(Foto: Samara Miranda/Remo)

Pelas redes sociais, o Paysandu também vem firmando posicionamento em relação ao combate do racismo. O clube passou na última semana por uma situação de xenofobia. "Não sabia que índio jogava futebol", escreveu uma pessoa em um post do clube na rede social Tik Tok. Rapidamente o Paysandu repudiou o comentário e afirmou ter "orgulho de ser de uma região de territórios indígenas".

"O Paysandu, enquanto instituição que influencia milhares de pessoas, através de suas mídias sociais sempre está fazendo ações de conscientização, levantando as bandeiras que entendemos serem corretas. Aliás, essa bandeira do anti racismo, não pode ser uma bandeira de um time ou de uma empresa, ela precisa ser uma bandeira da humanidade. Isso é um coisa que não se pode tolerar. Temos que combater veementemente, porque não tem como em 2020 a gente ainda encarar esse tipo de reação como ocorreu no último jogo do Remo lá no Baenão, onde na transmissão uma pessoa de manifestou com palavras racistas", disse o diretor de comunicação do Paysandu, José Cohen.

Nos próximos dias, o Paysandu vai eternizar em um dos muros do estádio da Curuzu a história do Time Negra, clube que deu origem ao Paysandu em 1914. Além disso, serão homenageados no local os personagens negros que defenderam o clube ao longo de seus 106 anos de história. 

(Foto: Divulgação/Paysandu)

"Agora, o Paysandu, além dessas ações, a gente utiliza essa ferramenta dos jogadores, que sempre estão disponíveis para levantar essa bandeira. Hoje mesmo o Paysandu está realizando uma pintura, em uma das paredes externas, colocando sua posição contrária ao racismo. O Paysandu coloca bem exposto que ele é uma instituição contrária e que estamos dispostos a sempre estar na luta, apoiando, tudo que for ofensivo ao ser humano. Apoiamos não só essa causa, mas como outras também", pontuou Cohen.

Para o fundador do Observatório, Marcelo Carvalho, é visível o crescimento do engajamento dos clubes nesta luta. Porém, ele afirma que essas ações precisam ser mais efetivas para gerar "resultados práticos".

"O que temos hoje são seis ou sete clubes que são mais parceiros do Observatório, que temos contato e que a gente propõe as ideias de ações e eles abraçam. Alguns outros clubes a gente não tem contato. Alguns outros clubes nos fizemos contato e eles nos falaram que já tinham suas próprias ações. Mas enfim, percebemos que tem crescido as manifestações dos clubes, tanto nas questões de racismo como nas de homofobia. Batemos também na tecla de que isso é importante, mas também é importante que em algum determinado momento essas ações comecem a ser mais efetivas, visando resultados práticos", finalizou.

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