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CLIMA AMISTOSO

Pedido de paz, reconciliação com a diretoria e time ofensivo: o discurso de João Brigatti na volta ao Paysandu

Novo treinador do Papão acredita que sucesso da equipe só será possível se houver o entendimento dos atletas

26 Out 2020 - 17h19Atualizado 26 Out 2020 - 18h16Por Junior Cunha
Ricardo Gluck Paul, João Brigatti e Felipe Albuquerque - Crédito: Reprodução/Papão TVRicardo Gluck Paul, João Brigatti e Felipe Albuquerque - Crédito: Reprodução/Papão TV

Após quase dois anos, o técnico João Brigatti está de volta ao Paysandu. Depois de uma saída conturbada em março de 2019, o treinador e a diretoria bicolor trocaram farpas por conta dos motivos que levaram, naquele momento, a sua saída da Curuzu. Agora, Brigatti garante estar em paz com o presidente Ricardo Gluck Paul e com o executivo de futebol Felipe Albuquerque. 

"Quero dizer da minha satisfação, do prazer, em pode retornar a essa instituição maravilhosa. O que mudou (na relação com a diretoria) foi uma conversa muito franca e muita séria com o Presidente Ricardo (Gluck Paul). Sem essa conversa, fatalmente não teria a minha volta ao Paysandu. Teve um desgaste muito grande da minha saída do Paysandu. Houve uma falta de tato dos dois lados para poder conduzir uma situação na troca de comando (em março de 2019), em que logo a minha saída se tornou uma briga quase que pessoal. Isso foi muito ruim para a minha pessoa, para a minha carreira profissional e tenho certeza que com o Ricardo foi a mesma coisa. Não é bom. Que sirva de experiência para todos. A carreira de treinador dentro de um clube é passageira. Isso atrapalhou demais. Mas fico feliz com a conversa que tive com o Ricardo. De coração aberto, limpo, eu vim para o Paysandu começar do zero em prol da instituição. Tenho a honra e o prazer de trabalhar aqui. Adoro Belém e trabalhar no Paysandu", disse Brigatti.

O treinador bicolor afirmou conhecer cerca de 90% do atual elenco. E apesar de acreditar que isso será um diferencial para o seu trabalho a curto prazo na Curuzu, que tem como principal objetivo classificar a equipe para o quadrangular final da Série C, ele afirma que isso só será possível se todos os jogadores entenderem o seu modo de trabalho dentro de campo. 

"Temos que saber da dificuldade que vamos encontrar. Já conheço 90% do elenco, o restante são atletas que jogaram contra nós, seja na Série B ou mesmo na Série C. Conheço praticamente o elenco todo. Isso vai nos ajudar bastante. A gente conhecer boa parte (do elenco), é fundamental, mas passa pelo entendimento e aceitação do grupo a nossa chegada. Quem vai levar o Paysandu à Série B do Brasileiro é o elenco. Aceitação do trabalho e literalmente ralar a bunda no chão porque não tem jogo fácil. Mas conto muito com o empenho e dedicação do elenco, que é muito qualificado para a Série C. O Paysandu não merece hoje ocupar essa posição. Passado é passado. A gente vive o momento e o futuro. Vejo muita coisa boa nesse elenco e que podemos sim almejar coisas boas dentro do Brasileiro de Série C".

Brigatti vinha acompanhando os jogos do Paysandu neste Campeonato Brasileiro da Série C. Além disso, ele estava atento nos jogos do Brasileirão de Aspirantes, onde a equipe sub-23 do Papão já conseguiu duas vitórias nas duas primeiras partidas. Em cima disso, ele garante observar um elenco comprometido com as vitórias e que pretende, dentro das necessidades, usar alguns jogadores do sub-23 na equipe principal. 

"Até por obrigação do ofício, pelo carinho que tenho pelo Paysandu, venho acompanhando sim. Vi a última partida (contra o Treze). Dei até chute na minha cama quando estava assistindo. Foi uma partida muito difícil. Vejo um grupo muito comprometido com a vitória. Chegamos para agregar ao grupo e a diretoria para que possamos ter ares melhores e conseguir situações muito boas dentro do Campeonato Brasileiro. Tenho acompanhando também o sub-23. Vi o jogo contra o Red Bull Bragantino que a equipe bicolor venceu. Tem atletas lá que já trabalharam comigo no profissional. Vamos olhar com carinho. Trouxe o meu auxiliar, o Bazilio (Amaral), que vai estar acompanhando de perto também. E lógico que vamos fazer essa integração base e profissional da melhor maneira possível. Necessitando, vamos puxar atletas para o profissional", garantiu Brigatti.

Time ofensivo

Vindo de uma acesso à Série B com o Sampaio Corrêa em 2019 e um bom início de Série B 2020 com a Ponte Preta, João Brigatti foi bem claro ao responder sobre o estilo de jogo que o Paysandu terá sob seu comando. A ideia do treinador é ter uma ofensiva, buscando vitória a todo custo, mas sem deixar de ser um time equilibrado nos três setores de campo - defesa, meio e ataque. 

"Eu sempre tive comigo buscar sempre o ataque. Equipes ofensivas que tenha imposição física e técnica sobre o adversário. Não aceito derrota. Faço tudo para que possamos sair sempre vencedor. Precisamos do entendimento e aceitação dos atletas para ter um equipe coesa, forte. Caso aconteça um resultado negativo, a gente vender muito caro. Mas a cobrança é de sempre buscar a vitória com uma equipe bem equilibrada nos três setores, mas sempre em busca da vitória com uma equipe muito ofensiva. Hoje não é porque você joga com três, dois volantes que você passa a ser ofensivo ou defensivo. Mas sim a imposição em cima do adversário. Trabalhamos muito no equilíbrio do meio de campo, defesa e ataque para quando chegar no ataque, ter o maior número de jogadores. É a mesma coisa na defesa. Entrou no campo defensivo, todos marcam para que possamos ter uma maior segurança na defesa", garante Brigatti. 

Paz

Nas últimas semanas o Paysandu se viu imerso em um ambiento político conturbado. Desde a saída de Hélio dos Anjos, no início de setembro, a situação interna do clube foi externada ao torcedor e à imprensa. Na última semana, as declarações do ex-treinador bicolor Matheus Costa durante sua apresentação no Operário, de que o clima político atrapalhou o desempenho em campo, voltou a acender os holofotes para os bastidores do Paysandu.

Durante sua apresentação, João Brigatti aproveitou para pedir paz às pessoas que "não pensam em ajudar o Paysandu". Segundo ele, isso, somado ao apoio dos torcedores, será fundamental para que a equipe possa focar dentro de campo e buscar os objetivos da temporada.

"Peço a nossa torcida que apoie do início ao fim, que dê uma moral muito grande a esse elenco. E as pessoas que hoje, no extracampo, não pensam em ajudar o Paysandu, mas que não atrapalhe, que nos dê um momento de paz para que no dia a dia a gente possa focar dentro de campo", pediu o treinador.

Confira outros trechos da coletiva

Reforços

Já conversei com o Felipe (Albuquerque, executivo de futebol) e com o presidente e estamos abertos a novas contratações. O nosso elenco é muito qualificado para a Série C. Temos posições carentes. Mas temos que trazer atletas que venham para jogar, ajudar o Paysandu a conquistar as vitórias. O mercado está carente de atletas com essas qualidades e muito inflacionado. 

Vandick

O Vandick é meu irmão, meu amigo. Jogamos juntos no América do Rio de Janeiro. Depois tive a oportunidade em 2014 de ter o acesso com ele (quando o Paysandu retornou à Série B com Mazola Junior de treinador, Brigatti de auxiliar e Vandick de presidente do clube). O Vandick é um grande ídolo do Paysandu e nunca se negou a ajudar o Paysandu. Ele foi importante sim. Agora, sou muito grato ao Ricardo pela ligação, senão eu não estaria aqui hoje. Quero agradecer ao Felipe pela condução também. Me ligou muito feliz por eu ter voltado. Principalmente o Maurício (Ettinger, vice presidente) pela condução do nosso contrato, muito tranquilo, equilibrado essa condução do que pode e o que não pode pagar. Isso me deixa muito feliz. Estou aqui de coração aberto.

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