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Documentar a identidade e a rica cultura paraense

Há 12 anos, o fotógrafo paraense Thiago Pelaes utiliza a arte para valorizar as riquezas sociais, culturais e naturais da Amazônia. Ele fez parte da equipe que produziu a campanha “A Nossa Esperança”, desenvolvida para o Círio 2021 como homenagem da Vale

06 Out 2021 - 12h00Atualizado 06 Out 2021 - 15h49
Documentar a identidade e a rica cultura paraense - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Há muitas maneiras de falar sobre o significado e a energia do Círio de Nazaré. Mas, sem dúvidas, trazer personagens reais para mostrar as histórias que cercam esse momento torna tudo mais especial. Por isso, o filme “A Nossa Esperança”, produzido pela Vale e pelo Instituto Cultural Vale para o Círio 2021, conta com a participação de pessoas que possuem relações verdadeiras com a festa de Nazaré. Isto vale não apenas para quem apareceu em frente às câmeras, mas também para os profissionais por trás delas.

O fotógrafo Thiago Pelaes, que há 12 anos deixou a carreira na engenharia de produção para transformar em ofício o que antes era apenas um hobby, é um dos que trabalharam na produção do filme. Como sócio de uma produtora de audiovisual em Belém, ele conta que tem um pé no empreendedorismo e outro na arte, o que faz com que seus trabalhos tenham sempre um toque a mais de sensibilidade. “A arte sempre me encontra e me puxa. Antes que eu fotografasse profissionalmente, contar histórias do Pará e da Amazônia foi algo que me preencheu e acabou se tornando o meu trabalho. Faz bem usar meu talento para contribuir para esse registro audiovisual da cultura e da arte paraense, da Amazônia”, relata.

Em sua carreira no audiovisual, Pelaes participou de trabalhos premiados em festivais dentro e fora do Brasil, como os filmes “O Reflexo no Lago” e “No Movimento da Fé”. Este último, feito em codireção com sócio e cineasta Fernando Segtowick, é um curta-metragem de 2013 que marcou a trajetória profissional de Thiago Pelaes em um antes e um depois. “Foi um documentário que contou a história de três personagens que trabalham voluntariamente na execução do Círio. O filme foi premiado em festivais e a distribuição teve o patrocínio da Vale. Foi divisor de águas na minha carreira porque me tirou da fotografia mais simples e me levou para dentro do universo do audiovisual e dos filmes”, relembra Pelaes.

Para ele, usar a arte e o trabalho para falar de uma das maiores manifestações culturais e religiosas do mundo é um privilégio. A experiência de quem vive essa emoção ano após ano traz um toque especial às produções audiovisuais. “Eu venho de um lar católico e desde o começo da minha carreira sempre amei ir ao Círio para fotografar e contar histórias. É sempre incrível a possibilidade de juntar sua fé com a criação de imagens e valorizar esse evento é um privilégio”, conta o fotógrafo.

No caso do filme publicitário “A Nossa Esperança”, Thiago Pelaes foi diretor de fotografia e produtor executivo. Ele foi o responsável por todos os detalhes que envolveram a captura de imagens, como a lente escolhida, o ângulo, a distância entre as câmeras e as pessoas filmadas e a luz. Para este trabalho, a experiência na arte de contar histórias por meio das câmeras e o conhecimento sobre a esperança que move a fé dos paraenses foram importantes para que a cultura que envolve o Círio fosse contada de uma maneira suave, emocionante e bonita em apenas um minuto. “Como paraenses, temos orgulho das nossas raízes. Há anos a equipe que trabalhou neste vídeo documenta a cultura do Pará e isso nos ajudou a retratá-la da maneira mais fiel possível. As pessoas e os elementos que aparecem no filme são reais, desde a artesã, que é uma fabricante de artefatos de miriti, passando pelo estandarte das fitinhas que é do próprio vendedor de fitas do Círio, até a maniçoba, que não é cinematográfica. Trouxemos alguns desses momentos que compõem o Círio e vão além do mar de gente nas ruas”, descreve Thiago. A equipe ficou responsável pela pré-produção, gravação e pós-produção do filme, incluindo a edição, produção de trilha sonora exclusiva, voz e locução.

As grandes procissões que ocorrem em Belém durante o mês de outubro não estão acontecendo por conta da pandemia. Apesar disso, para Thiago, tem sido um exercício interessante olhar e documentar como a fé, a esperança, a devoção e a vontade dos paraenses de estarem juntos permanecem fortes e se refletem em outros aspectos do Círio de Nazaré. “O auge do Círio é a procissão e todos sentem falta dessa energia humana que lota as ruas. Mas de uma certa forma, a ausência desse aspecto nos faz olhar mais para outras questões que são tão importantes quanto: a música, a culinária, as pequenas celebrações, as pessoas se reúnem em casa com as réplicas da imagem de Nossa Senhora, esse reencontro de famílias para almoçar no dia do Círio... É uma oportunidade de perceber o quão complexa é essa celebração, vai muito além do mar de gente nas ruas”, conta ele, ao refletir sobre o trabalho de documentar o Círio em tempos de pandemia.

Assim como em outros trabalhos, a produção do filme “A Nossa Esperança” foi inspirada na beleza, riqueza e sobretudo orgulho da cultura do Pará. Para Thiago, essas raízes culturais merecem não apenas serem mostradas, mas também serem exaltadas por meio das imagens e da arte. “Uma parte da população paraense nem sempre olha com orgulho para os elementos da nossa cultura, como o brega e os aspectos da vida ribeirinha e cabocla. Então, quando vemos trabalhos que mostram nossas belezas naturais e culturais, colocando nosso povo lá em cima, isso nos toca e nos inspira a registrar este lugar como ele merece. É importante que nós, que somos da terra, possamos fazer esse registro, pois também somos capazes de contar nossa própria história com a beleza que ela merece”, relata Pelaes, apontando ainda o fotógrafo Luiz Braga como uma de suas principais referências e inspirações.

“É muito legal ter organizações como a Vale, que veem que o Círio representa muito para o povo paraense e se preocupem em nos permitir contar essa história de maneira bela como ela merece. É um orgulho fazer um trabalho como esse, com a nossa equipe que é paraense. É o povo paraense contando sua própria história”, conclui Pelaes.

Sobre o Instituto Cultural Vale

A Vale investe há quase duas décadas na valorização e fomento de múltiplas manifestações culturais brasileiras. O Círio de Nazaré, em Belém, é um belo exemplo, sendo patrocinado pela empresa há 19 anos. Com o propósito de potencializar a atuação da Vale na cultura, valorizar patrimônios, democratizar o acesso, e fomentar expressões artísticas, foi criado, em 2020, o Instituto Cultural Vale.

Sua atuação - em museus e centros culturais próprios, na preservação e valorização dos patrimônios material e imaterial e nas múltiplas manifestações artísticas que realiza ou fomenta – é sustentada pela visão de que a cultura é instrumento de transformação social, capaz de gerar impacto positivo na vida das pessoas e construir um legado para futuras gerações.

Com base nessas premissas, a Vale e o Instituto Cultural Vale desenvolveram uma campanha especial para o Círio 2021, com o lançamento do filme “A Nossa Esperança”. A peça trata sobre o poder da cultura paraense e sobre como ela nos deu - e continua dando - esperança para os dias melhores que, com o fim da pandemia, virão.

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