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ANTES DA POSSE

Após polêmica com currículo, Carlos Decotelli abre mão do Ministério da Educação

30 Jun 2020 - 16h30Atualizado 30 Jun 2020 - 16h33
Após polêmica com currículo, Carlos Decotelli abre mão do Ministério da Educação - Crédito: Agência Brasil Crédito: Agência Brasil
O professor Carlos Alberto Decotelli da Silva decidiu abrir mão da chefia do Ministério da Educação, antes mesmo de ser oficiamente empossado. O presidente Jair Bolsonaro anunciou a nomeação há menos de uma semana, na quinta-feira, 25. Após a polêmica sobre títulos que ele diz possuir, desmentidos pelas instituições de ensino, a própria equipe do presidente o aconselhou a deixar o cargo.
 
Segundo disse o presidente Bolsonaro na noite da segunda-feira, 29, “por inadequações curriculares o professor vem enfrentando todas as formas de deslegitimação para o Ministério. O sr. Decotelli não pretende ser um problema para a sua pasta (Governo), bem como, está ciente de seu equívoco”.
 
Decotelli acumulou pelo menos cinco inconsistências na sua formação profissional. Um dia depois de ser anunciado para a Educação, na sexta, 26, Franco Bartolacci, reitor da Universidade Nacional do Rosário, da Argentina, negou que o professor tivesse obtido o título de “doutor” pela instituição. Na ocasião, Decotelli afirmou ter obtido os créditos do doutorado na Argentina, mas disse que não chegou a defender uma versão final da tese. Ele alterou o currículo na plataforma Lattes.
 
Já no sábado, 27, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) anunciou que iria apurar denúncias de que o novo ministro teria cometido plágio no trabalho apresentado em 2008 para a conclusão de um mestrado em Administração. Sobre a acusação, o agora ex-ministro negou qualquer tipo de cópia, e destacou que pode ter havido uma "distração" nas citações bibliográficas e revisão do texto.
 
Na segunda-feira, 29, a Universidade alemã de Wuppertal negou o pós-doutorado do professor pela instituição. Após a repercussão, Decotelli novamente atualizou o currículo na plataforma Lattes e excluiu a citação ao pós-doutorado. Segundo ele, a pesquisa foi concluída, apesar de não ter sido oficialmente considerada um título de pós-doutorado.
 
No início da tarde desta terça, 30, de acordo com o site O Antagonista, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) revelou que Decotelli entrou em uma faculdade privada em 1973, por vestibular, transferiu-se para a UERJ em 1974 e acabou o curso de Ciências Econômicas em fevereiro de 1981. Ainda segundo o site, ele colou grau em 2002 e seu diploma em Ciências Econômicas só foi expedido em 2004. Na Lattes, o professor registrou que fez a graduação entre os anos de 1975-1980.
 
Além disso, também nesta terça, a FGV negou que o então ministro foi pesquisador ou professor da instituição. Porém, segundo a CNN, a professora Brigitte Wolf, da Universidade de Wuppertal, na Alemanha, disse que ele era conhecida por lá como professor da FGV.
 
O ex-ministro ocupava, até recentemente, o cargo de presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), vinculado ao MEC, responsável por executar parte das ações da pasta relacionadas à educação básica em apoio aos municípios, como alimentação e transporte escolar. Ele entrou no lugar de Abraham Weintraub, demitido no último dia 18, e foi o terceiro ministro a comandar o MEC desde o início do governo Bolsonaro.

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