Bissexuais têm menos incidência de ISTs entre todos os tipos de orientação sexual, diz Unaids

Um dos termos mais utilizados para se referir de forma preconceituosa a pessoas bissexuais é a expressão ‘vetor de doença’, dito por pessoas dentro e fora da própria comunidade queer (termo em inglês para minorias sexuais e de gênero), já que muitas relacionam a sexualidade bi à promiscuidade e, com isso,...

Publicado em 25 de setembro de 2023 às 08:19

Um dos termos mais utilizados para se referir de forma preconceituosa a pessoas bissexuais é a expressão 'vetor de doença', dito por pessoas dentro e fora da própria comunidade queer (termo em inglês para minorias sexuais e de gênero), já que muitas relacionam a sexualidade bi à promiscuidade e, com isso, ao aparecimento de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). No entanto, dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) demonstram que os bissexuais são a orientação sexual com menos diagnósticos de infecções ligadas à prática de sexo, se comparados a homo e heterossexuais.

Ao todo, foram 15,4 mil diagnósticos de Aids notificados e investigados no Brasil no ano passado, de acordo com o painel de dados do Unaids e do Ministério da Saúde. Desse número, 368 são diagnósticos de pessoas bissexuais.

Os dados começaram a ser colhidos em 1980 – e desde lá já foram mais de 1 milhão de diagnósticos -, com o primeiro reporte de incidência da doença sendo registrado no estado de São Paulo. Historicamente, a Região Sudeste costuma registrar mais casos positivos da doença, seguida pelo Sul, Nordeste, Norte e Centro-Oeste.

Dos mais de 1 milhão de diagnósticos notificados no Brasil desde 1980, 52,9 mil deles são de pessoas bissexuais. Já homossexuais têm 133,7 mil casos notificados e heterossexuais um total de 406,2 mil notificações – um valor que ultrapassa a soma das sexualidades anteriores. Os demais casos estariam fora dessas orientações sexuais.

Fim à AidsO relatório global de 2023 da Unaids, chamado 'O Caminho que Põe Fim à Aids', considera que a pandemia de HIV afeta populações específicas e que a prevalência da IST é 11 vezes maior entre homens que fazem sexo com outros homens, quatro vezes maior em trabalhadores sexuais, sete vezes maior entre pessoas que fazem uso de drogas injetáveis e 14 vezes maior entre pessoas trans.

Essas altas taxas muito provavelmente se devem ao fato de pessoas LGBTs cuidarem mais da saúde, por fazerem mais exames de rotina que as pessoas heterossexuais e cisgêneras e, por isso, consequentemente também receberem mais diagnóstico, segundo o professor de Medicina do Ceub, Nícolas Cayres, ginecologista e obstetra.

Diagnósticos de Aids no Brasil:

2022: 15.412;2021: 35.246;2020: 30.638;2019: 38.327;2018: 38.627;2017: 39.095;2016: 39.916;2015: 41.519;2014: 42.623;2013: 43.850;2012: 43.004;2011: 43.225;2010: 41.226;2009: 41.608;2008: 41.591;2007: 38.897;2006: 37.814;2005: 38.360;2004: 38.576;2003: 38.334;2002: 39.404;2001: 34.996;2000: 36.590;1999: 26.488;1998: 28.869;1997: 25.958;1996: 23.695;1995: 20.821;1994: 18.027;1993: 16.428;1992: 14.250;1991: 11.531;1990: 8.660;1989: 6.015;1988: 4.353;1987: 2.710;1986: 1.123;1985: 535;1984: 134;1983: 42;1982: 18;1981: sem dados;1980: 1;Total: 1.088.536.

PrevençãoEm quesito de prevenção sexual, além da camisinha, existem medicamentos acessíveis em posto de saúde espalhados pelo Brasil, como o PEP, medicamento de proteção indicado após a exposição ao HIV, que só deve ser solicitado em caráter de urgência; e o PrEP, que deve ser tomado antes da exposição e depende de vários fatores. Apesar do estigma que a Aids carrega, tendo sido referida no passado como uma doença do público queer, é válido destacar que atualmente se vive normalmente mesmo após o diagnóstico, caso as medicações sejam regularmente tomadas e um estilo de vida saudável seja mantido. A Aids/HIV não é uma doença limitante.