Bolsonaro se pronuncia após PF identificar nova joia nos EUA

O ex-presidente Jair Bolsonaro se pronunciou após a Polícia Federal (PF) identificar uma nova joia supostamente negociada por seus emissários nos Estados Unidos. Em declaração à imprensa, Bolsonaro afirmou desconhecer o item em questão, que se tornou foco das investigações após depoimentos coletados em solo americano. “Desconheço essa nova joia. Não sei nem o que...

Publicado em 12 de junho de 2024 às 08:23

O ex-presidente Jair Bolsonaro se pronunciou após a Polícia Federal (PF) identificar uma nova joia supostamente negociada por seus emissários nos Estados Unidos. Em declaração à imprensa, Bolsonaro afirmou desconhecer o item em questão, que se tornou foco das investigações após depoimentos coletados em solo americano.

'Desconheço essa nova joia. Não sei nem o que é. Se houve alguma negociação, isso sequer chegou ao meu conhecimento. Havia muitas pessoas envolvidas na questão de presentes recebidos, e muitas informações só me chegavam depois, ou nem chegavam', disse Bolsonaro, referindo-se à sua equipe.

Bolsonaro criticou a atual direção da PF, acusando-a de fabricar escândalos contra ele. 'Disseram que encontraram um cavalo de ouro que valia milhões. Depois, descobriram que era de cobre e não valia nada. Usam a estrutura da PF para investigar até baleia para me atingir', ironizou.

O ex-presidente também mencionou a atuação da PF no inquérito sobre a facada que sofreu em Juiz de Fora, em 2018. 'Se a PF tivesse empenhado 10% desse esforço no caso Adélio, teria descoberto o mandante. Adélio teve advogados que atuaram gratuitamente. São advogados samaritanos?', questionou Bolsonaro, sugerindo haver elementos para novas investigações.

'Golpe Mortal na Direita'

Bolsonaro acusou a PF de perseguição e afirmou que a intenção é enfraquecer a direita brasileira. Ele criticou o delegado Rodrigo Morais Fernandes, que conduziu o caso da facada e agora chefia a Diretoria de Inteligência da PF no governo Lula.

'O delegado que investigou Adélio foi promovido e agora comanda o setor de Inteligência. Querem dar um golpe mortal na direita. A direita tem lideranças, mas ainda precisa amadurecer', afirmou.

Defesa Jurídica e Nova Lei

Sobre o inquérito envolvendo presentes recebidos durante seu mandato, Bolsonaro citou uma lei sancionada por Fernando Collor, que deverá ser usada por sua defesa. 'Tem uma lei de 1991 que diz que joias são itens personalíssimos e que pertencem ao presidente', explicou.

Bolsonaro comparou sua situação com a do ex-presidente Lula, que manteve um fuzil recebido em seu mandato. 'Eu tive que devolver um fuzil que ganhei. Já o Lula manteve um fuzil que ganhou quando era presidente', criticou.

A lei mencionada por Bolsonaro, a Lei nº 8.394/91, trata do 'acervo documental' e não aborda diretamente os presentes recebidos pelo presidente. Em 2002, um decreto de Fernando Henrique Cardoso incluiu o termo 'presentes', determinando que os itens recebidos em cerimônias oficiais pertencem à União. Em 2018, uma portaria do governo Temer classificou joias como bens personalíssimos. A decisão final sobre a validade dessas normas será tomada pelo Supremo Tribunal Federal.

Com informações do Metrópoles