Dólar Comercial compra R$ 5,5974 venda R$ 5,5979 máxima 5,6125
Euro compra R$ 6,6329 venda R$ 6,6375 máxima 6,6533
21 Out - 10h51
quarta, 21 de outubro de 2020
BASA - PIX - 19.10 A 19.11 - DESK
CESUPA - FORA DA CURVA - MOB - 08 A 22.09
DE ABRIL A AGOSTO

Pandemia faz shoppings perderem 11 mil lojas

26 Set 2020 - 17h20Atualizado 26 Set 2020 - 17h23
Pandemia faz shoppings perderem 11 mil lojas - Crédito: Agência Brasil Crédito: Agência Brasil

Os shoppings do país enfrentam dois principais desafios após a reabertura: recuperar o faturamento, ainda 27,4% abaixo do registrado antes da pandemia, e conter a saída de varejistas. Entre abril e agosto, 11 mil lojas fecharam as portas no setor, o que representa 10,4% do total, o dobro do percentual anterior à Covid-19, segundo dados da Abrasce, que representa os shoppings.

Com a entrada de novos negócios, porém, a taxa está agora em 8%. As negociações para reduzir o custo para lojistas vão continuar, só que caso a caso. E já é esperado um movimento de consolidação no varejo.

O risco de uma saída robusta de lojistas, explica Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da Gouvea Malls, foi contido porque, no fechamento dos shoppings, em março, as administradoras acordaram a suspensão ou adiamento de pagamentos de aluguel e outras taxas com seus lojistas.

— Após a pandemia, a taxa média de vacância (a fatia de lojas vazias) dobrou nos shoppings, chegando a 8% ou 9%. E há um conjunto de razões para isso. Tem centros comerciais e lojistas que vão sofrer mais; outros, menos. O desafio vem agora, com as cobranças voltando, mas o faturamento ainda reduzido — destaca o especialista.

Os shoppings concordam que suspender cobranças nos meses de fechamento sustentou o varejo de pé até a reabertura. E frisam que a recuperação será gradual.

— Todos farão seus sacrifícios nessa reacomodação após o pacto para que o setor sobrevivesse e se fortalecesse. Os custos vão voltando, mas a rentabilidade também. Os shoppings que já vinham trabalhando para oferecer mais lazer e serviços, se conectaram a marketplaces e já reduziram custos se saem melhor — pondera Glauco Humai, presidente da Abrasce.

O percentual de lojas vazias nos 577 shoppings do país deve fechar o ano em 7%, avalia ele, explicando que toda crise puxa também oportunidades. Já as vendas devem ficar 10% abaixo de 2019, dependendo da evolução da pandemia.

Evandro Ferrer, diretor executivo da Ancar Ivanhoe, de Rio Design Barra e Nova América, frisa que as cobranças são feitas de acordo com a realidade de cada cliente:

— Ainda oferecemos condições especiais para as lojas satélites e franquias, por serem os mais afetados pela crise, e atuamos junto com instituições financeiras para obter condições especiais e linhas de crédito aos lojistas — diz, destacando que cresce a demanda por operações nas áreas de saúde e bem-estar.

Falta de clientes

O cenário nos shoppings é puxado por um fator principal: a redução no movimento de consumidores. Muitas pessoas deixam de sair em razão do distanciamento social. Na hora de comprar, muitos optam pelo comércio de rua, sobretudo o de bairro, explicam os especialistas.

Os shoppings passaram por grandes transformações nos últimos anos, quando deixaram de ser caixas fechadas focadas apenas em compras para se tornarem um destino de lazer e serviços. É o fluxo de consumidores puxados principalmente pelo entretenimento que vinha impulsionando as vendas dos lojistas.

— Os shoppings reabriram, mas operações que trazem grande movimento estão fechadas, como áreas de lazer e cinemas. E há ainda restrições em horário de funcionamento, como em São Paulo, principal polo do setor. Isso impacta diretamente o desempenho em vendas — diz Luís Augusto Ildefonso, diretor Institucional da Alshop, que reúne os lojistas de shopping.

O faturamento reportado por lojistas está em 40% do registrado em igual período de 2019. A expectativa era que essa taxa estivesse em 70%.

Grupos como brMalls, Aliansce Sonae e Ancar Ivanhoe afirmam que em algumas praças, como no Rio, as unidades que ficam em bairros mais populares estão mais cheias do que as unidades em áreas mais ricas. O carioca Riosul, na Zona Sul da cidade, sente a mudança no fluxo de clientes.

— Há ausência de operações de entretenimento, a torre corporativa está retomando aos poucos. E há o freio no turismo. O fluxo de pessoas está em 60% do que tínhamos em igual período de 2019. Já as vendas chegaram a 75% — destaca Márcio Werner, superintendente do Riosul.

Novas oportunidades

Ele reconhece que uma foto agora do shopping mostra um número de lojas fechadas que não se costuma ver. Explica, porém, que há áreas sendo esvaziadas para receber a loja da C&A e a expansão da Centauro, de artigos esportivos.

— Desde 2019, estamos abrindo espaço para a C&A em uma área de 3.300 metros quadrados em dois pisos, onde caberiam 22 lojas. Com a pandemia, também vêm oportunidades. A Centauro vai crescer de 350m² para 1.500m². Tínhamos muita dificuldade de viabilizar esses movimentos — diz.

A nova loja da C&A deve abrir suas portas a partir do segundo trimestre de 2021, segundo informou o superintendente do Riosul.

Pedro Villarino, diretor regional da brMalls, também associa o desafio a novos negócios:

— É preciso reinventar o shopping. Já tínhamos criado um novo formato em área de alimentação, por exemplo, que permite contratos de menor duração. Antecipamos o lançamento de nosso aplicativo de e-commerce, que já está em oito shoppings — enumera. — A taxa de vacância está sob controle, mas é um desafio mantê-la. Há, de outro lado, investidores atentos a oportunidades.

A Multiplan levou o marketplace de seu aplicativo a mais quatro shoppings, totalizando oito, e ampliou serviços de venda direta para os lojistas, como drive-thru.

A Puket, de pijamas, moda íntima e acessórios, está entre os segmentos que viram a demanda crescer em meio ao distanciamento social. Elisa Scabbia, diretora comercial de franquias da rede com 175 lojas, confirma o movimento:

— Tivemos quatro repasses de lojas Puket para novos franqueados. Vemos que o desempenho das lojas de rua está melhor. Elas já têm 25% de crescimento em comparação a igual período de 2019. Nos shoppings, estamos em 85% do que tínhamos — afirma Elisa Scabbia.

Ana Paula Tozzi, à frente da AGR Consultores, especializada em varejo, reforça que os custos têm peso relevante no resultado:

— O custo de ocupação leva de 12% a 15% do faturamento de um lojista satélite, podendo chegar a 18%. Quando o faturamento é muito alto, isso se justifica. Já havia questionamentos e as mudanças já vinham sendo feitas. A última recessão colaborou muito para mudanças. Mas a pandemia deu um tabefe na cara de todos — explica a especialista.

A Dérmage, de dermocosméticos com farmácia de manipulação, fechou sua loja do Shopping da Gávea, após 16 anos de operação.

— Cada shopping tem um movimento diferente. Mas em nossas lojas, o recuo em vendas chega a 60%. Nas de rua, estamos crescendo e o e-commerce avançou muito — diz Viviane Soares, diretora de marketing da rede.

Movimento dos shoppings em números

  • É o recuo em vendas registrado nos shoppings do país entre os dias 6 e 13 deste mês, na comparação com o período anterior ao início da pandemia, segundo dados da Abrasce.
  • Representa, no entanto, avanço na comparação com o percentual registrado na semana anterior, entre os dias 31 de agosto e 6 deste mês, quando a queda foi de 29,4%.
  • É a atual taxa de vacância do setor, que mede a fatia de lojas vazias. Entre abril e agosto, 11 mil lojas fecharam as portas em shoppings de todo o país, o equivalente a 10,4% do total, ou 105,6 mil.
  • É o dobro do registrado antes da pandemia, quando o índice era de 5%. Com a entrada de novas operações, a taxa recuou para 8%.
  • É a estimativa da Abrasce sobre o recuo em vendas totais dos shoppings do país este ano, na comparação com o registrado em 2019. A estimativa considera o impulso que pode vir das próximas datas fortes do varejo — Black Friday e Natal.
  • Mas vai depender de como ficará a pandemia até o fim do ano, diz Glauco Humai, presidente da entidade.

Fonte: O Globo

 

Envie denúncias, informações, vídeos e imagens para o Whatsapp do Portal Roma News
(91) 98469-4559ou clique aqui e fale conosco

Deixe seu Comentário

Leia Também

Anuário de escola nos EUA classifica aluno como ‘Cara Negro’
RACISMO ESTRUTURAL

Anuário de escola nos EUA classifica aluno como ‘Cara Negro’

há 3 minutos atrás
Anuário de escola nos EUA classifica aluno como ‘Cara Negro’
Bolsas da Europa têm perdas pelo terceiro dia sem ancorar otimismo por pacote nos EUA
ECONOMIA

Bolsas da Europa têm perdas pelo terceiro dia sem ancorar otimismo por pacote nos EUA

há 28 minutos atrás
Bolsas da Europa têm perdas pelo terceiro dia sem ancorar otimismo por pacote nos EUA
Bolsonaro afirma que não comprará vacina contra a covid-19 vindo da China
DECLARAÇÃO

Bolsonaro afirma que não comprará vacina contra a covid-19 vindo da China

há 48 minutos atrás
Bolsonaro afirma que não comprará vacina contra a covid-19 vindo da China
Caixa paga auxílio emergencial para 5,2 milhões de beneficiários
BENEFÍCIO

Caixa paga auxílio emergencial para 5,2 milhões de beneficiários

há 56 minutos atrás
Caixa paga auxílio emergencial para 5,2 milhões de beneficiários
Teste rápido e barato para covid-19 é desenvolvido por cientistas indianos
PANDEMIA

Teste rápido e barato para covid-19 é desenvolvido por cientistas indianos

há 59 minutos atrás
Teste rápido e barato para covid-19 é desenvolvido por cientistas indianos
Últimas Notícias