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13 Dez - 01h24
quinta, 13 de dezembro de 2018
EDITORAL DO DIA

A vida continua

por Romulo Maiorana Jr.

24 Mai 2018 - 17h30
A vida continua -

Era abril de 1986. O País, depois de cinco presidentes militares, tinha há pouco mais de um ano um presidente civil. Mas não era o presidente que o povo queria. O eleito, Tancredo Neves, morreu às vésperas da posse, e o vice tomou posse no lugar do eleito.

A economia, açoitada por uma inflação galopante, clamava medidas urgentes, que vieram mas não tiveram êxitos.

Negócios em compasso de espera, investimentos parados, governos praticamente acéfalos, porquanto todos os seus membros estavam ali, mas não se sentiam compromissados junto ao presidente.

A Nação afundada num marasmo total. Político e econômico.

Foi nesse clima que, em abril de 1986, perdi meu pai e tive de assumir a presidência executiva do Sistema Romulo Maiorana de Comunicação. Meu pai, após uma doença relâmpago e insidiosa, faleceu com pouco mais de nove meses entre o diagnóstico e o desenlace. Eu tinha 26 anos de idade e tive de tomar a frente das empresas, pois este era o desejo, manifestado inúmeras vezes, de meu pai.

Lembro com muito orgulho que eu ainda era um garoto de 12 quando ele mandou fazer para mim um uniforme profissional de brim, semelhante ao utilizado pelos impressores do jornal, com o logotipo de O LIBERAL nas costas - com direito a foto na primeira capa do jornal em offset. A meu ver, aquilo era um recado de que, no dia em que chegasse à Presidência, eu teria não só que saber de tudo o que ocorria no Jornal, como também ter conhecido e vivenciado todos os setores que comandaria. Como ele dizia: “Começar por baixo e com humildade sempre.”

Eu gostava de ir visitá-lo em seu gabinete todos os dias e nunca deixei de falar um só dia, com meu pai, que tanto amava.

Gostava de andar com ele pela redação, que era, por extensão, nossa segunda casa.

Gostava de explorar o prédio da antiga “Folha do Norte”, que em 1973 passou a abrigar as instalações de O LIBERAL, na rua Gaspar Vianna, e me perdia no tempo nessa jornada em que a tinta das impressoras exalava, para mim, o cheiro de um perfume.

Vibrava com o rugir da famosa sirene, que tocava às 12h e 18h, ou em outros horários, quando alertava para um acontecimento especial na cidade.

Meu pai, quando ficou doente, chegou a colocar uma mesa para mim ao seu lado, no seu gabinete, “para ir aprendendo”, como ele falava.

Por conta de tudo isso, e por saber do que eu era capaz, não tive medo nem me acovardei quando tive de assumir, com a sua ausência, o cargo de Presidente. Mas, se Deus me facultasse a opção, eu teria postergado a ascensão a esse cargo o tanto quanto fosse possível, em troca de poder desfrutar da ventura, da felicidade de ficar por mais tempo na presença de meu pai, o fundador do Grupo Liberal.

Mas sabia que estava preparado. Nunca temi aqueles olhares céticos e de desconfiança e, por que não dizer, de algum descrédito que identificava em algumas pessoas. Eu sabia como deveria me contrapor a isso, com trabalho e ética, pois foi assim que me pai me ensinou e foi assim que eu fiz. Tinha a responsabilidade de manter funcionando as empresas de minha família: quatro empresas: O LIBERAL, TV Liberal, Rádios Liberal AM e FM.

Minha primeira providência foi me afastar das propostas (para muitos tentadoras, mas pra mim não. Não porque tivesse dinheiro, mas porque aprendi a ter ética e caráter com meu pai) e das aves de mau agouro, que nessas ocasiões correm para assediar.

Jamais me passou pela cabeça em sair dos negócios, vender ou deixar de executar meus planos. Para tanto, me assenhoreei da situação de cada uma das empresas e tracei par cada uma um planejamento estratégico, que envolvia de imediato a reformulação do parque industrial, identificando áreas que acompanhassem a expansão que pensava ser essencial para nossas empresas.

Foram anos muito difíceis, mas profícuos, em que destaco a saída do velho prédio da Gaspar Vianna e suas rotativas para entregar aos leitores o mais moderno prédio de Jornal, integrado por uma arquitetura de vanguarda, junto ao que tinha de mais moderno em equipamentos. Era o ano de 1990 e, enquanto jornais como o New York Times diziam que “jornal sério era jornal impresso em preto e branco”, O LIBERAL, através de sua moderna impressora Uniman 4/2 S, chegava às ruas com todas suas capas em cores.

Nessa época, apenas o USA Today circulava por todo os Estados Unidos utilizando essa estratégia revolucionária.

Derrubando paradigmas, fizemos acontecer em maio de 2006, a grande revolução no Pará, projetando mundialmente O LIBERAL, quando implantamos o mais completo sistema de impressão a cores, através de uma Rotativa UNISET com forno secador, até hoje, a mais moderna tecnologia existente. Com esta tecnologia O LIBERAL ganhou reconhecimento nacional e internacional através de prêmios como o Fernando Pini e o Theobaldo de Nigris, assim como 32 estatuetas “Deusa da Fortuna”, renomado prêmio da Confederação Nacional de Diretores Lojistas.

Todo esse complexo, desenvolvido dentro da nova sede de 15.000m2 e que hoje abriga os Jornais O LIBERAL E AMAZÔNIA e Portal ORM, onde centralizamos as operações de toda as Organizações Romulo Maiorana, solidificou a famosa marca ORM, que eu dei o nome.

Hoje, 32 anos após aquele abril de 1986, as empresas integrantes das ORM não são mais aquelas quatro, e sim mais de 20.

Chega a hora de passar o comando negociando minha saída.

Não me envaideço nem me arvoro a condição atribuir-me todo o mérito deste enorme sucesso. Fazer isso seria injusto com a equipe de grandes colaboradores de que sempre me acerquei e sem os quais não teria conseguido este grandes resultados. As loas e os reconhecimentos, quando vindos, devem ter origens externas. Se o fazemos, não só corremos o risco inerente aos narcisistas, como também sermos benevolentes eles, o que, tanto em uma hipótese como na outra, retira a isenção e compromete eventual brilho atribuído.

A mim, cabem novos desafios. E não fujo deles. Não estou em busca de reconhecimentos ou de julgamentos, mas sim de confirmar que o legado que se deixa é muito mais importante do que quaisquer bens materiais.

O Brasil vive um momento extremamente delicado, e as instituições estão colocadas à prova de maneira desafiadora. O resultado será sentido por todos.

As eleições que se avizinham, em outubro e novembro deste ano, certamente serão as mais importantes de nossa história Republicana, e com certeza irão confirmar que somente com novas lideranças, que tragam como bagagem o respeito ao povo, a ética e honestidade, nosso País voltará a ter o respeito que merece.

Nunca foi de minha vontade vender nossas Empresas. Esta foi uma decisão tomada não por mim. Então  resolvi negociar minha saída.

 Saio das ORM com a mesma vontade de vencer que eu tinha quando, com 29 anos, recebi o prêmio de Empresário do Ano pela ACP (até hoje fui  o empresário mais jovem do País a receber esse prêmio) que tanto me orgulho.

Crio agora o Grupo ROMA, já com mais de 300 funcionários, focado na ética, responsabilidade e qualidade, onde a comunicação será também presente e atuante através dos players: Roma News (Canal 523 - HD), Roma News Portal e Jornal digital, Roma - FM 90.5, que, fazendo uma programação interligada com as Rádios de Castanhal, Itaituba e Marabá (todas com o nome de ROMA FM), atingirão todo o Estado do Pará com o melhor do conteúdo noticioso.

As outras empresas do Grupo ROMA são: RM Graph; Roma Construtora; Roma Incorporadora; Roma Cabo com Internet rápida, TV e Telefonia; Roma Hotéis; Roma Park; Roma Empreendimentos & Eventos.

E para finalizar, faço minhas as palavras de meu pai, Romulo Maiorana:

“Não nascemos fortes, não arrebatamos o sucesso por outros construído, não crescemos de repente por algum milagre inexplicável”

Desejando boa sorte para os que ficam...

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