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SOLIDARIEDADE

Grupo de voluntários cria projeto de profissionalização para indígenas venezuelanos

Artesanato Warao ganhou marca e já está sendo comercializado

15 Abr 2019 - 05h00Por Aline Brelaz
Indígenas warao em processo de criação - Crédito: ReproduçãoIndígenas warao em processo de criação - Crédito: Reprodução

Um grupo de voluntários em Belém resolveu se reunir e criar uma forma de ajudar os indígenas Warao, que se encontram na capital paraense, na condição de refugiados.

Os voluntários criaram um projeto de profissionalização dos indígenas, aproveitando suas habilidades artesanais. A ideia surgiu no segundo semestre de 2018, após apopulação da capital paraense presenciar a chegada dos venezuelanos e constatar muitos deles pedindo ajuda para sobreviver nas ruas.

De acordo com a design de interiores, Juliana Lavareda, a criação do grupo de ajuda aos indígenas, é na verdade, a extensão do projeto Corrente do Bem Belém, grupo que atende pessoas em situação de rua, distribuindo alimentos, roupas e outros produtos. 

Essas mesmas pessoas tiveram a ideia de ajudar os venezuelanos, porque eles vivem nas ruas com as crianças, em situação de vulnerabilidade, pedindo ajuda para comer e para pagar abrigos para suas famílias.

Por isso, os voluntários se mobilizaram para judar, criaram um grupo no whatsapp, perfis no instagran e através das redes sociais muitos outros voluntários se juntaram no trabalho de ajudar a profissionalizar o trabalho artesanal das indígenas Warao.

Para começar a vender os produtos pela internt, a design Renata Segtowick, se inspirou nas cestarias que as indígenas produzem para criar a marca Warao. 

Renata trabalha na empresa de comunicação Temple, cuja direção também se envolveu na ajuda voluntária aos indígenas venezuelanos.  


A marca Warao, criada pela design Renata Segtowich, se baseou nas cestarias produzidas pelas indígenas

Somente no grupo de whatsapp, segundo Juliana Lavareda, há 210 pessoas mobilizando a ajuda da profissionalização dos produtos criados pelas indígenas. Mas, também há subgrupos de ação com a finalidade de agilizar as demandas.

Um dos grupos é da educação, que foi montado para criar uma escola para dar aula aos indígenas, especialmente as crianças.

Juliana explica, que parte dos índigenas Warao em Belém, é atendida em abrigo público na avenida Perimetral, além de outros sete abrigos, sendo um da Prefeitura Municipal de Belém, outro de responsabilidade do governo estadual e ainda há uma casa alugada pelo governo estadual que disponibiliza para os refugiados.

O trabalho dos voluntários tem sido referência no atendimento aos refugiados. Tanto que uma empresa local doou uma casa em Ananindeua para abrigar outro grupo de refugiados venezuelanos. Carteiras escolares também foram doados por outra empresa para viabilizar a escolarização dos indígenas.

Os voluntários querem montar o projeto da escola no abrigo, que funciona na travessa Apinagés e ensinar tanto a língua portuguesa aos Warao, quanto escolarizar as crianças, que estão nas ruas mendigando junto com as mães. 


Colar indígena warao produzido em Belém pelas refugiadas venezuelanas e que já estão à venda 

"A gente vende o artesanato, a arte deles. O objetivo que elas entendam o valor da cultura e do trabalho delas, que a sociedade consiga entender que eles são funcionais, tem que ser respeitados, valorizados por esse trabalho", explica Juliana Lavareda.

A intenção do grupo de voluntários é qualificar as indígenas com educação formal e profissional, a fim de que elas acabem com a atividade de ir pra rua mendigar. O objetivo é que elas alcancem o autossustento, sem necessidade de pedir nas ruas. 

Por isso, a criação da marca Warao, em parceria com a Temple Comunicação foi fundamental para começar o processo de profissionalização.

Haverá lançamento de cada produto criado pelas indígenas. O primeiro deles foi o Sling Duanacaja - material para carregar bebês, que é tradicional na cultura warao.

Sling para carregar bebês já são um sucesso em Belém 

Os slings já estão à venda, com a divulgação nas redes sociais. Em dois dias, mais de 45 encomendas foram recebidas pelo grupo de voluntários. O produto custa R$ 65 reais, valor promocional do lançamento da marca, que é todo feito artesanalmente, à mão, com tecidos coloridos, que também é uma das marcas da cultura warao.

O segundo lançamento será das bijouterias, ainda neste mês de abril, feitas com miçangas coloridas, em fase de produção pelas indígenas.

Colares e cestos criados pelas indígenas que estão refugiados na capital paraense 

O terceiro lançamento será do projeto das cestarias, artesanato com palha do miriti, que será lançado mais adiante. 

Dois perfis foram criados no instagran para exposição dos produtos e para comercialização:  amigos da Venezuela e Venezuelanos Belém.

Para melhorar o processo de profissionalização, os voluntários receberam doação de uma máquina de costura e as indígenas estão aprendendo a costurar. 

A intenção é conseguir mais doações de máquinas de costura, tecidos, material para produção do artesanato.

O grupo também pede ajuda de doação de produtos de limpeza, higiene e alimentos para os indígenas.

 

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