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FIM DO LOCKDOWN

MPF e DPU alertam Justiça sobre falta de base científica para afrouxamento do isolamento social no Pará

Segundo os órgãos, faltam estudos que avaliem as consequências do relaxamento

22 Mai 2020 - 20h15Atualizado 22 Mai 2020 - 20h20
MPF e DPU alertam Justiça sobre falta de base científica para afrouxamento do isolamento social no Pará - Crédito: Reprodução / Agência Pará Crédito: Reprodução / Agência Pará

O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) enviaram à Justiça Federal nesta sexta-feira, 22, uma manifestação em que insistem em pedidos feitos em ação ajuizada em abril, para que o Estado do Pará seja urgentemente obrigado a adotar e manter medidas mais rigorosas de isolamento social durante a pandemia da covid-19, sempre fundamentadas por informações científicas.

Segundo MPF e DPU, a necessidade dessa decisão judicial é ainda mais urgente porque, além de o Estado do Pará não ter tomado medidas com a rigidez e abrangência necessárias, agora está prestes a afrouxar o isolamento, novamente sem qualquer base técnica e científica. “Decisão desta natureza, se desacompanhada de sólidos fundamentos científicos, tende a catalisar o agravamento da pandemia da covid-19”, alertam.

Os procuradores da República e defensores públicos federais que assinam a ação de abril e a reiteração de pedidos apresentada nesta sexta-feira ressaltam que não basta a existência de alguma informação no sentido de que a curva de contágio estaria se achatando. É preciso a realização de estudo que avalie as consequências da flexibilização, conforme cálculos da curva de contágio e capacidade de atendimento do sistema de saúde, destacam.

Exemplos preocupantes

Os membros do MPF e DPU argumentam que, além de o lockdown (bloqueio total) jamais ter atingido o Estado todo, limitando-se a alguns municípios, o fim desse isolamento obrigatório regional obviamente vai estimular o retorno das pessoas às ruas. Esse panorama gera preocupação entre especialistas ouvidos pela imprensa paraense, registram o MPF e a DPU, porque não há dados que garantam a possibilidade de atendimento a infectados.

Segundo a DPU e o MPF, a ausência de critérios objetivos claros, baseados em justificativas científicas, para definição, pelo Estado do Pará, do nível de isolamento de determinado município, pode ser observada a partir, por exemplo, do caso de Marabá, que no último domingo, 17, foi incluído no lockdown e removido logo no dia seguinte simplesmente porque a prefeitura alegou que o sistema de saúde da cidade ainda não está em colapso.

O MPF e a DPU também citam que na região oeste do estado só o município de Santarém foi incluído no decreto do lockdown, apesar de uma série de fatores que indicam a necessidade de o bloqueio total também ser essencial em outros municípios: o Hospital Regional do Baixo Amazonas já não tem mais leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) disponíveis para os pacientes dos 20 municípios atendidos na região, pacientes em estado grave estão em uma fila de espera que na semana passada já contava com mais de 20 pessoas, todos os municípios apresentam baixos índices de isolamento social, e 19 dos 20 municípios atendidos pelo hospital regional não possuem estrutura para atendimento aos pacientes.

Em Belém também há fila de espera para leitos de UTI, e, mesmo com a ausência de testes em massa, o município possui a taxa de mortes mais alta do país e uma das maiores do mundo, de acordo com o Instituto FSB Pesquisa, com média de 550 mortes por um milhão de habitantes.

Sem respostas

Esse tipo de situação evidencia que não há um planejamento criterioso e técnico das ações de isolamento pelo Estado do Pará, criticam os autores do requerimento à Justiça. "O  Poder Público, inacreditavelmente, parece aguardar esse colapso do sistema de saúde para adoção de medidas mais rígidas de distanciamento social, como aconteceu na capital, ao invés de buscar planejar um isolamento eficaz o suficiente para evitá-lo”, frisam.

“Se fundamento científico há para que a liberação do isolamento ocorra, por que tal informação não é amplamente divulgada para a imprensa, a comunidade e as autoridades públicas? Por que não há manifestação do Comitê Técnico Assessor, tal como previsto como requisito essencial pelo próprio governo estadual e cuja necessidade foi exaustivamente exposta na ação judicial do MPF e DPU?”, questionam.

Além de ter o direito a saber qual o critério utilizado para a tomada de medidas de relaxamento do isolamento, a sociedade tem o direito à informação sobre como esse critério foi definido, e a respostas baseadas em dados objetivos e análise científica sobre a capacidade de o sistema de saúde suportar o número de novas internações. “Não havendo análise segura, o princípio da precaução obriga a que seja decretada a suspensão de atividades não essenciais em todo o Estado, nos termos citados na ação judicial”, reforçam procuradores da República e defensores públicos federais.

Fonte: Ascom/MPF
 

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