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SEGURANÇA PÚBLICA

Pará está entre os quatro estados mais violentos do Brasil

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019 leva em consideração o primeiro semestre de 2019 e compara à série histórica.

11 Set 2019 - 04h58Atualizado 11 Set 2019 - 00h16
Pará está entre os quatro estados mais violentos do Brasil - Crédito: nixki/Thinkstock/Thinkstock Crédito: nixki/Thinkstock/Thinkstock

Dados disponibilizadas pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais, de Rastreabilidade de Armas e Munições, de Material Genético, de Digitais e de Drogas (Sinesp), por Estado, entre 2015 e 2019, colocam o Pará em quarto lugar no ranking dos estados mais violentos do Brasil.

Divulgados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019, os números são coletados de boletins de ocorrência das polícias estaduais. Na pesquisam, o primeiro trimestre do ano de 2019 foi comparado aos anos de 2015, 2016, 2017 e 2018.

De acordo com os dados, em números de homicídios dolosos, o Pará teve 754, em 2015; 854, em 2016; 924, em 2017; 900, em 2018; e 706, em 2019 – no Brasil, o total foi de 9.846. O levantamento também constatou que em casos de mortes violentas intencionais no Brasil, 25,7% ocorreram nas capitais.

O Pará está entre os quatro estados com as maiores taxas de mortes violentas em 2018. Com 54,6%, fica atrás apenas de Roraima (66,6%), Amapá (57,9%), Rio Grande do Norte (55,4%).


Mortes de policiais em 2018

Os dados do Anuário mostram que 75% policiais foram mortos fora de serviço (256 vítimas). Comparado ao ano de 2017, houve redução de 8%.

Mortes decorrentes de intervenções policiais em 2018

O documento constata que 11 a cada 100 mortes violentas intencionais foram provocadas pelas polícias Militar e Civil. Em média, 17 pessoas foram mortas por dia, totalizando 6.220 vítimas no ano. Destas, 99,3% eram homens, 77,9 % entre 15 e 29 anos e 75,4% negros. Resultado: crescimento de 19,6% em relação a 2017.

Feminicídio

Em 2018, 1.206 mulheres foram vítimas de feminicídio, o que contata um crescimento de 4% em relação a 2017.  O ápice da mortalidade se dá aos 30 anos. Do total dos casos, 28,2% das mulheres tinham entre 20 e 29 anos; 29,8% entre 30 e 39 anos; 18,5% entre 40 e 49 anos; 61% eram negras; 70,7% tinham no máximo ensino fundamental completo. Em 88,8% dos casos, o autor foi o companheiro ou ex-companheiro.

Violência doméstica e sexual

Os resultados comprovaram que houve um registro a cada dois minutos de denúncia de violência doméstica ou sexual. Nos casos de lesão corporal, em 2018, foram registradas 263.067 denúncias – crescimento de 0,8% comparado a 2017.

Em 2018, foram 66.041 registros de estupros, resultando em um aumento de 4,1% - em média, 180 estupros por dia.

Estados com baixas taxas

Os estados com taxas de homicídio mais baixas do país, tanto atualmente como na última década, são os estados de São Paulo (redução de 35% da taxa desde 2010, e 70% durante os anos 2000), Mato Grosso do Sul (redução de 10% desde 2010, taxas já baixas na série), Piauí (que vê suas taxas subirem até 2016 e depois apresenta redução consistente), Santa Catarina (taxas baixas na série, em aumento ligeiro até 2017, com redução significativa no último ano), Paraná (redução de 45% desde 2010) e Distrito Federal (redução de 40% nesta década).

O porquê

Os resultados desfavoráveis para alguns estados se dá pelo crescimento de organizações criminosas: “As taxas mais altas em 2018 têm a ver com guerra faccional nesta década. Em Roraima, onde a guerra entre PCC, CV e grupos locais ainda não se resolveu, muito pelo contrário, as taxas de homicídios dolosos subiram 227% nesta década. Casos como os do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Pará, estados com diferentes facções criminais disputando seus territórios, também demonstram como é difícil reduzir homicídios de modo consistente no tempo, quando o mundo do crime está em guerra, fazendo crescer a proporção no total de homicídios”, comprova a pesquisa.

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