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25 Jun - 09h22
sexta, 25 de junho de 2021

CONEXÃO PORTUGAL

Paraenses no Porto aguardam a quarentena

15 Mar 2020 - 00h12Por Yáskara Cavalcante
 
Os dias por aqui não têm sido fáceis. Confesso que relutei em escrever sobre o assunto mais falado no planeta, mas como espero que daqui a algum tempo - pouco tempo, queira Deus - o covid-19 seja somente uma lembrança, assim como a gripe H1N1, que cobri quando era repórter, venho contar um pouco do cenário preocupante que assola não somente os portugueses, mas quem vive no País, incluindo nós, paraenses.
 
Até o momento em que escrevo esse texto - domingo, 15 de março, Portugal registra 331 casos de coronavírus confirmados. Apesar de nenhuma morte, desde o início da pandemia, a situação tem assombrado portugueses e imigrantes. 
 
O que mais preocupa nesse cenário é o que vai acontecer no dia seguinte, já que a cada segundo grupos de WhatsApp compartilham notícias assustadoras e não há como não ficar alarmado. 

 
Caos 
 
Supermercados sem alguns produtos e prateleiras vazias,  escolas e universidades fechadas, lojas e restaurantes sem funcionar e até mesmo para se entrar na farmácia os funcionários pedem para que você aguarde do lado de fora para ser atendido. Sem falar nos voos cancelados e os avisos de quarentena nacional por parte do governo. 
 

 

 
Neste sábado, saí para comprar algumas frutas e entrei para escolher o que queria. “Pode esperar lá fora, menina. Precisa ficar na fila. Isso é para proteger a toda gente”, disse o dono. Pedi desculpas e fui para fora da frutaria, onde outras pessoas já esperaram. Me senti mal. Nervosa. Preocupada.
 

Horas depois, fui trabalhar. Para acessar o escritório da empresa, que fica nos altos da estação de metro de Campanhã, outro susto: tudo vazio. Ninguém na estação. Ninguém na rua.  O coração acelerou. E pensei que poderia ser um terremoto, um furacão ou que o Armagedom, com aquela nave medonha enooooorme, ia aparecer no céu. 

Estação de metro de Campanhã,
 
Na volta pra casa, a cena era ainda pior: tudo completamente alterado.  Ruas desertas, cafés fechados, autocarros vazios e somente um gato solitário tentava atravessar uma das ruelas sempre tão movimentadas do Porto.
 
Preocupação e medo
 

Como num filme de terror - sim! O cenário é assustador, com ruas desertas, pessoas a olhar torto umas para as outras, shoppings completamente vazios e como se estivéssemos numa cidade fantasma, o medo tomou conta de quem vive no Porto.
 
Shopping completamente vazio em pleno domingo 

Arquiteta e estudante de doutorado na Universidade do Porto, a paraense Éricka Brandão, que mora no Porto com o marido, Thiago Brandão, conta que já garantiu um estoque de alimentação e remédios para pressão arterial para os próximos 20 dias. “Já fomos ao supermercado e estamos abastecidos por 20 dias. Não pretendo sair nem pra comprar pão. Compramos torradas e congelamos”.
 
A advogada Natalia Mousinho, também paraense, diz que está muito preocupada. Principalmente por ser do grupo de risco. “Estou com medo de tudo, para ser sincera,  pois sou do grupo de risco (lúpus). Se todo mundo ficar em casa, em 14 dias vai estar tudo ao normal”, acredita, otimista. 
 
Yasmin Talita, jornalista, está no Porto há oito meses. A paraense faz mestrado na Universidade do Porto e iniciou as aulas no segundo semestre letivo, agora em fevereiro. Como milhares de brasileiros que estudam em Portugal, Yasmin foi surpreendida neste sábado com a notícia de que a instituição havia liberado os alunos para voltar ao seu país de origem sem penalizações até que a pandemia não cause mais riscos à comunidade acadêmica.
 
“Antes não estava tão preocupada, mas agora estou. Sou asmática e se eu for infectada terei muitos problemas respiratórios. Estar longe da minha família num momento assim seria difícil. Por isso, minha mãe já está vendo passagens para que eu possa voltar logo pra casa, em Belém”, lamenta Yasmin.
 
Aliás, lamentar é o que mais temos feito por aqui. Eu mesma, tinha programado um fim de semana em Paris na próxima semana. Passagem e hospedagem pagas, mas o medo tomou conta de mim e me fez ter a certeza de que a dama de ferro não vai sair da França.  Neste momento o que importa é a minha saúde e a minha vida, assim como a de todos nós, seja em Portugal, por toda a Europa, ou em Belém do Pará.

Neste momento, o mais importante a fazer é que sigamos as determinações do governo e órgãos de saúde, o que significa se proteger e proteger uns aos outros. Como? Ficando em casa mesmo. E também rezando ou torcendo para que o pesadelo que atende pelo nome de covid-19 termine o mais rápido possível.
 
 
 

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