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21 Set - 23h18
segunda, 21 de setembro de 2020

MULHERES NO PODER

Comece a escrever a sua história

Quantas histórias nos contaram sobre nós mesmas? "Mulher é isso, mulher é aquilo". Será que somos realmente aquilo que nos disseram? Por que você precisa urgentemente escrever a sua própria história?

15 Ago 2018 - 17h15Por Mari Tupiassu

Estamos cada vez mais perto de entender que as histórias que nos contaram sobre nós estavam erradas. A era da reza catequista sob o teto do templo da opressão está chegando ao fim. Ouve-se pela fresta que dá para rua: não somos responsáveis pelo pecado do mundo. Amém, Senhor!    

Vivíamos trancafiadas na matrix sem questionar as sentenças que nos eram impostas como verdades congênitas. Por séculos acreditamos pertencer a uma embalagem que não é nossa: da fragilidade excessiva, da dependência e da submissão. Aliás, não temos embalagem.

Reparem, até um dia desses cantávamos incautas o machismo na letra de Vinícius de Moraes, “feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor e pra ser só perdão”. Vinicius dizia coisas machistas, mas naquela época o machismo passava incólume sob o pretexto da arte.    

Já faz algum tempo que começamos a rasgar o véu. Mas ainda que a verdade esteja nua, o que impede a nossa liberdade de ser mais fluente são as correntes. Sim, fomos acorrentadas. E para quebrá-las há que se dispor de muita coragem e rebeldia, já que o braço do sistema reage com tirania a quem ousa desafiar a soberania do seu estado. O machismo é como um líder ditador. Mao Tsé-Tung, Saddam Hussein, Augusto Pinochet, Fidel Castro, Hugo Chaves. Todo tirano tem poder porque tem apoio popular.

Como bem souberam as sufragistas quando gritavam pelo direito ao voto. Como bem compreenderam as mulheres na revolução industrial lutando pelo direito ao exercício do trabalho. Ou as feministas do século XX que brigando pela liberdade jurídica de pertencimento próprio foram reduzidas a queimadoras de sutiãs e odiadoras de homens.

A maior parte das liberdades que hoje nos parece normais, foram conquistas de outras mulheres, na base do enfrentamento do chicote.   

O chicote deixa marcas, e eu sei disso quando vez ou outra eu mesma me pergunto: Será que sou capaz? Será que não preciso ceder ao capricho desse cara? Será que eu tenho o direito de simplesmente ser eu?

Me lembro quando nos meus 21 anos meu chefe trancou a porta da sala numa de suas várias investidas de me levar para cama. A redentora tangente que encontrei para sair do assédio foi simular uma ligação no celular. Depois disso? Eu alternava sorrisos amarelos e escapadas, como se aquele homem, só por ter nascido homem, já tivesse garantido o direito sobre o meu corpo, sobretudo, por tratar-se de um cara hierarquicamente acima de mim.

Eu era só uma garota no seu primeiro emprego. Ele era o chefe.

Hoje com 33, amparada pelas discussões feministas, embasada no esforço constante dos movimentos de empoderamento, eu daria a ele o meu mais sincero dane-se. E o dane-se de hoje vem com boletim de ocorrência, processo e textão no Facebook. Honra e glória, Senhor!

Estamos desrrezando as cartilhas que já foram rezadas. Mas se uma mulher ainda levanta a voz pra dizer  “você apanhou porque gostava”, seguramente estamos cada vez mais perto, mas ainda não estamos lá.

Por isso precisamos seguir adiante intoxicadas pelo entusiasmo e pelo prazer de contar a nossa própria história. Nós não somos aquilo que nos contaram. A minha história que não bate com a poesia sexista de uma mulher feita apenas para sofrer pelo amor de um homem e ser só perdão, como muito infeliz disse Vinicius.

As mulheres ao meu redor estão cada vez mais convictas de que a ditadura paternalista nos levou a um lugar que não é nosso. O nosso lugar de fala é narrando a nossa história e não ouvindo passivas as meia-patacas que inventaram a nosso respeito. Eu estou escrevendo a minha história e também quero poder contá-la, se me dão licença.

Você já começou a escrever a sua?

 

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