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26 Nov - 01h01
quinta, 26 de novembro de 2020

Dani Viaja

Desafio: R$50 em um dia todo de passeio. Dá?

08 Fev 2020 - 14h00Por Dani Filgueiras

Esse roteiro bem que poderia se chamar Naiara Azevedo (toma aqui uns 50 reais), né não? Ele surgiu a partir de um “choramingo” da Juliana, social media da Roma News, que adora passear, mas tá focada na realização do sonho de conhecer o Japão no fim do ano. O dinheiro pra viagem está sendo reservado todos os meses (boa, menina!) e ela tá com a grana contadinha pro lazer (tudo pra não comprometer o orçamento...).

“Poxa! Não tenho grana pra viajar nem em Belém”, reclamou ela achando que receberia o conforto de um tapinha nas costas e pronto (sabe de nada, inocente!). Mal sabia a Juliana que eu já tinha feito um roteiro supereconômico e perguntei: quanto tens pra gastar por dia num passeio? Na hora ela respondeu que tinha “apenas” R$50 (rica!!!!).

Desafio feito, desafio aceito. Então te liga na missão e faça as apostas, achas que consigo passear o dia todo sem estourar o limite? Agora é que são elas!

Prepara!

Um dos itens principais para fazer um passeio com economia é pensar num roteiro que facilite o deslocamento. De preferência que dê pra fazer tudo a pé. Sendo assim, roupas leves, sapatos confortáveis e protetor solar são itens fundamentais. Levar uma garrafinha com água e um lanchinho, também ajuda a não gastar um dinheiro que poderia ser economizado.

Minha amiga Vanessa Gonçalves, carioca da gema e apaixonada por Belém, foi a minha parceira nesse roteiro (a Juliana ia junto, mas teve um contratempo de última hora). Nos encontrarmos às 10h, na Praça Santuário de Nazaré.

Eu e minha amiga Vanessa

O dia amanheceu com cara de chuva, mas fazia muito calor. Assim que nos encontramos entramos na Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré pra iniciar a visita, mas não uma visita qualquer (porque aqui trabalhamos com profissionais de passeio heheheh), foi uma visita guiada contando os detalhes da igreja da padroeira dos paraenses.

Muito além da religiosidade.

Visitar igrejas vai além da devoção religiosa. É uma forma de conhecer a história e a forma de pensar de um período da cidade que pode ser revisitado através dessas edificações. A arquitetura, pinturas e esculturas das igrejas revelam coisas que vão muito além do que geralmente percebemos. Muitas cidades no mundo tem a história preservada através de edifícios religiosos e Belém não é diferente.

Basílica de Nossa Senhora de Nazaré

A Basílica de Nazaré tem três tipos de roteiros guiados, que são feitos pela Pastoral do Turismo da Basílica  Santuário de Nazaré – Pastur e um deles é gratuito (nem preciso dizer qual fizemos).

Foi incrível conhecer detalhes que eu nunca tinha atentado nesses meus anos de devota da Nazinha. Por exemplo, todas as imagens do lado direito (de quem entra no Santuário) são de santos homens e todas do lado esquerdo são mulheres (com exceção de uma de São José, por causa da Sagrada Família).

Visita guiada na Basílica de Nazaré

O teto tem a marcação de datas importantes como a da pedra fundamental e de quando a igreja foi elevada à categoria de Basílica.

Teto da Basílica

Os mosaicos têm cores diferentes, que variam de acordo com cada fabricante.

Santos em mosaicos da Basílica de Nazaré

Nunca tinha me dado conta que a igreja tem formato de cruz, como também não tinha atentado para a imagem de Nossa Senhora do Brasil, ao lado do altar.

Imagem de Nossa Senhora do Brasil

Fiquei especialmente encantada com o regionalismo em alguns adornos da igreja, como os anjos com traços caboclos e asas com cores inspiradas nas plumagens dos pássaros amazônicos (lindos!).

Anjos com traços amazônicos

Teve até informações sobre como uma igreja é elevada à categoria de basílica e/ou santuário (se não souberes, é melhor agendar logo a tua visita). Além de curiosidades como um vitral que foi parcialmente colocado de forma investida (como eu nunca tinha prestado atenção isso?).

Tem um detalhe curioso nesse vitral. Consegues preceber o que é?

Terminamos observando a fachada da igreja que tem um mosaico sobre o aparecimento da imagem de Nossa Senhora de Nazaré, onde aparecem personagens com roupas contemporâneas, nada a ver com o período. Tem até um cachorro no desenho (tenho certeza que depois dessa, vais ficar olhando mais atentamente para esse mosaico), tudo explicado durante o roteiro.

Mosaico da fachada da Basílica de Nazaré

O passeio dura em média 40 minutos, mas pode durar mais ou menos tempo, dependendo da disponibilidade e curiosidade do visitante. A Thayná foi a nossa guia nessa agradável e surpreendente experiência e teve a maior paciência em responder às nossas perguntas.

Eu e a guia de turismo Thayná.

Foi tanta coisa que só agora que tô escrevendo essa história pra vocês é que me dei conta que não falamos quase nada sobre o Círio de Nazaré (fica pra próxima).

Aproveite o caminho.

Saímos da Basílica bastante empolgadas e fomos caminhando e conversando para o nosso próximo destino: o Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi. São cerca de 10 minutos de caminhada sob o túnel de mangueiras que é uma das características da cidade. Os casarões antigos também podem ser percebidos ao longo do trajeto. Um deles é a Casa Salomão, uma loja de aviamentos fundada em 1906 e que foi reformada há uns três anos, mais ou menos.

Casa Salomão

O piso de ladrilho hidráulico foi preservado, bem como os balcões antigos, nos dando a sensação de voltar no tempo quando entramos no lugar.

Piso da Casa Salomão

A loja manteve os traços arquitetônicos e diversificou a oferta de produtos. Se você é como eu, e ama coisinhas pra casa, tem que ter um espírito resistente pra entrar e sair sem comprar nada (não sei como, mas eu consegui!).

Detalhes da Casa Salomão

Antiga caixa registradora da Casa Salomão

Uma pequena floresta que deixa qualquer turista babando.

Quem é de Belém é quase certeza de que tem alguma memória ligada à esse museu que faz parte da história da nossa cidade. Eu tenho uma fileira de lembranças e sempre que volto lá, revivo esses momentos e construo outras.

Museu Emílio Goeldi

Entrar nessa amostra de floresta tropical é dar um conforto pro corpo e pra alma. A sensação térmica é a primeira coisa que a gente percebe mudar. Aos poucos o barulho da rua vai sendo abafado pelo som da floresta e passamos a ter um horizonte verde, entrecortado por caminhos que nos levam a espécimes da fauna e flora amazônica.

Parque Zoobotânico Goeldi

Flor tropical no Goeldi

Atualmente, várias áreas estão em reforma, mas o Pavilhão Domingos Soares Ferreira Penna, mais conhecido como Rocinha, está em pleno funcionamento e com três exposições. Assim que se entra no prédio a gente dá de cara com a exposição “Transformações: a Amazônia e o Antropoceno”, que mostra como a terra poderá ficar com as modificações que estão sendo feitas pela mão do homem, como queimadas e acúmulo de lixo.

Exposição

Exposição na Rocinha

Logo em seguida entramos na exposição “Zo’e rekoha: construindo o futuro na Terra Indígena Zo’é” onde é mostrado o modo de vida do povo indígena Zo’é, que vive na região Norte do Pará.

Exposição

A última sala é ocupada pela exposição “Arte rupestre amazônica e realidade virtual” que apresenta a história e pesquisa sobre a presença humana no continente, com destaque para o patrimônio arqueológico e natural de Monte Alegre. Mas demos azar, no dia que fomos o espaço não estava funcionando.

Depois de visitar as exposições, fizemos uma pausa para o almoço. Dentro do parque tem uma barraca que vende comidas típicas.

Hora do almoço

Na minha indecisão, acabou rolando um pouco de vatapá e um pouco de caruru (não me julguem...). O prato é bem servido e saí de lá satisfeita (e olha que eu já estava faminta) e pronta pra continuar o passeio.

Sobre dúvida na hora de escolher o almoço.

Caminhamos tranquilamente visitando os viveiros dos animais.

Viveiro das antas

Um dos lugares que mais gosto é a área que tem um lago com vitórias-régias. Não tem como passar ileso diante das folhas flutuantes que alimentam o imaginário amazônico.

Um dos meus lugares prediletos no Goeldi

Vitória-Régia

Depois visitamos o Aquário Jacques Huber, que é o mais antigo aquário público do Brasil. Fundado em 1911, ele reúne espécies típicas de água doce.

Aquário Jacques Huber

Aquário de água doce

Além dos peixes amazônicos, o espaço também abriga répteis e quelônios. Atualmente o aquário está com a exposição “Baleia à vista”, com esqueletos de cinco espécies de baleias (baleia-fin, baleia-azul , baleia-jubarte, baleia-minke-antártica e cachalote).

Exposição

Sorvete ou café?

Fizemos uma pausa na caminhada e visitamos o Café do Museu Goeldi, que funciona dentro do prédio histórico que abrigava o laboratório fotográfico nas primeiras décadas do século XX. 

O “café” está no nome e no cardápio, mas o espaço é muito mais do que isso. Lá a gente encontra uma lojinha com uma coleção de artesanatos, roupas e souvenires que são a cara da cidade e do parque e tem até peças feitas especialmente para a loja, como uma coleção de joias de prata.

Souvenir do Goeldi

Artesanado indígena

Joias em prata produzidos pela Samaúma
Uma pequena livraria também oferece livros de autores paraenses, como o Dalcídio Jurandir, e livros relacionados à temática amazônica como “O abridor de letras”, do João Meireles Filho.

Livro do João Meireles Filho.

Nas cafeteria (ou seria sorveteria?) tem um cardápio reduzido, mas que combina bem com o passeio. Pra mim a dúvida é sempre a mesma: café ou sorvete? Dessa vez o café ganhou.

Café com chatilly

A pausa foi providencial porque caiu uma chuvinha na hora que estávamos lá. Mesmo assim optamos por ficar na área externa, protegidas pelas copas das árvores. Ainda passeamos mais um pouquinho no centenário parque Goeldi, que tem 123 anos e é o mais antigo do Brasil no seu gênero.

Cansadas? Jamais!

O relógio apontava 15h30 quando saímos do museu em direção à Avenida Presidente Vargas pra pegar um cineminha. A programação final tinha que ser uma que ficássemos sentadas, pois “batemos perna” o dia todo. Na metade do caminho resolvemos pegar um carro de aplicativo, pois havia chovido e as calçadas estava molhadas e escorregadias, dificultando a caminhada. Fizemos as contas e cabia no orçamento.

Desembarcamos na porta do Cine Olympia que é considerado o cinema mais antigo em funcionamento no País, pois nunca mudou de endereço e nem suspendeu as atividades.

Cine Olympia

Desde 2006 o local é gerido pela Prefeitura de Belém e se tornou um cinema público, com sessões gratuitas. Eu sou apaixonada por esse lugar e sempre que posso, tô lá aproveitando a telona “na faixa”. A sala imensa e a disposição em “rampa” é superconfortável quando levamos em consideração a idade desse cinema que completa 108 anos em abril de 2020.

Sala do Cine Olympia

Encontramos com o Kadu na porta do cinema. Como chegamos uma pouco antes do horário previsto, aproveitamos para nos abastecer de chocolate nas Lojas Americanas (quem nunca?), que fica bem ao lado. Comemos do lado de fora, pois não é permitido comer dentro do cinema.

No dia do nosso passeio o filme Séraphine (baseado na história da pintora francesa Séraphine) estava em cartaz. Amamos!!!

Cartaz do Filme Séraphine

O Cine Olympia é o único cinema da cidade que a gente sai direto na rua, bem como era antigamente. Sair e dar de frente pra Praça da República é algo que conta ponto positivo pra esse lugar. Tinha chovido bastante enquanto estávamos assistindo ao filme (São Pedro colaborou com a nossa programação. Valeu São Pedro!) e ainda chuviscava quando o filme acabou, por isso optamos por escolher um lugar protegido da chuva pra fazer uma boquinha.

Holla!

Com menos de cinco minutos a pé, chegamos ao Porteño, um pub/lanchonete/restaurante com um menu argentino adaptado ao Pará. Lugar agradável, atendimento descolado, que me despertou uma saudade enorme da Argentina.

Porteño

Cantei mentalmente “mi Buenos Aires querido...” e pedi um choripan (sanduiche de linguiça com o tempero chimichurri) e aproveitei a promo do combo de limonada rosa com batata frita. Perfeito pra terminar esse roteiro lindamente.

Choripan

Só alegria!

Agora, vamos às contas!

  • Visita guiada na Basílica de Nazaré: Grátis
  • Passear pelas ruas da cidade e visitar a Casa Salomão: Grátis
  • Museu Emílio Goeldi: R$3 (ingresso)
  • Almoço: Vatapá/caruru R$15 (não costumo beber líquido quando almoço. Economizei na bebida)
  • Café com chantilly: R$6
  • Carro de aplicativo: R$2,50 (a corrida deu R$5 e foi dividida por 2 pessoas)
  • Chocolate: R$1,80
  • Cinema Olympia: Grátis
  • Jantar: R$12 (choripan) + R$10 (combo limonada+ batata frita – dividi com o Kadu – R$5 pra cada): R$17

Total do passeio: R$45,30

Desafio concluído com sucesso. Vale lembrar que não gastei ônibus pra ir pro passeio e voltar pra casa, pois fiz tudo a pé. Pra quem precisa pagar o deslocamento, tem que descontar o valor das passagens primeiro, pra ver quanto vai sobrar. Outro detalhe importante é que levei água suficiente para a primeira parte do passeio e abasteci a garrafinha várias vezes nos bebedouros do Goeldi, por isso não gastei comprando água. Essa economia me possibilitou ter despesas maiores na alimentação (eu poderia ter economizado em todos os lugares onde comi, mas tinha orçamento pra fazer as escolhas que fiz). Se você se preparar e levar lanche de casa para o dia todo, esse passeio inteiro sai por R$3. Dá pra acreditar???

 

Anota aí:

Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré

Quem faz: Pastur

Quanto custa: Grátis

Tempo de duração: 30 minutos (tempo médio)

Endereço: Av. Nª Sra. de Nazaré, s/n. Nazaré.

Horário: De segunda à sexta, de 9h às 11h30 e de 14h às 17h. Sábado, de 9h às 11h30.

Contato: (91) 4009-8429 – @memoriadenazareoficial @basilicadenazareoficial

OBS: Não precisa de agendamento prévio. Basta entrar na igreja e procurar o balcão de informações ao lado direito de quem entra.

 

Casa Salomão

Endereço: Av. Gov. Magalhães Barata, 379. São Brás.

Horário: De segunda à sexta, de 8h30 às 18h30. Sábado, de 8h30 às 13h.

Contato: (91) 3249-1333 - @casasalomao

OBS: Tem estacionamento próprio (entrada pela Alcindo Cacela).

 

Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi

Quanto custa: R$3 (com meia para estudante)

Endereço: Av. Magalhães Barata, 376. São Brás.

Horário: De terça à domingo, de 9h às 17h (a bilheteria fecha às 16h15)

Contato: (91) 3211-1739 - @museuemiliogoeldi

 

Almoço no Museu

Onde: Próximo ao viveiro das araras

Preço médio de prato: R$15

 

Café do Museu Goeldi

Onde: Por trás da Rocinha

Contato:

Loja e livraria - @samaumaartesanato

Cafeteria - @megustacreamery

Quanto custa: R$6 (café com chantilly) / R$6 (1 bola de sorvete)

OBS: Parte da venda dos produtos adquiridos no Café é revertida para um fundo apoio para manutenção do Zoobotânico do Museu Goeldi.

 

Cine Olympia

Quanto custa: Grátis

Endereço: Av. Pres. Vargas, 918. Campina.

Horário das sessões: De terça à sexta, às 18h30. Sábado e domingo, às 16h30 (a abertura é feita 30 minutos antes de iniciar a sessão)

Contato: @cinemaolympia1912

 

Porteño

Endereço: Tv. Dr. Moraes, 47. Nazaré.

Horário: De terça à quinta, de 17h às 23h. Sexta e sábado, de 17h às 00h. Domingo, de 17h às 22h.

Contato:  (91) 98255-8324 - @portenobelem

Preço médio de prato: entre R$15 e R$40 (dependendo se é lanche ou comida)

 

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