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28 Set - 13h47
terça, 28 de setembro de 2021

Anime Geek

Momento nostalgia: relembre a TV CRUJ

No final dos anos 90, você não era uma criança, era um ultrajovem!

23 Jan 2021 - 19h45Por Ana Paula Castro

Era só mais um dia em que eu procurava alguma coisa para assistir enquanto almoçava. Na última semana eu estava tão focada em Bridgerton que já ia automaticamente para a Netflix. E da única vez que fui para o Disney+, foi para ver Wandavision. Aí resolvi dar uma olhada nas séries animadas, que são meu amor maior nesse mundo do entretenimento. E foi aí que meu dia melhorou 500%: Timão e Pumba está no catálogo!

Eu quase chorei! Desde que o streaming da Disney veio para o Brasil eu sonhava com o dia em que eu veria Timão e Pumba de novo. Esse desenho definitivamente está entre os mais memoráveis para mim. E olha que quando eu o conheci, ainda não tinha visto O Rei Leão. Eu não tinha ideia que aqueles personagens eram desse filme, eu só amava o desenho pelo desenho. Tanto que, anos depois, quando finalmente assisti ao filme e vi os dois lá, eu podia jurar que Timão e Pumba eram algo como uma “participação especial”, que só estavam ali por conta do sucesso da série (olha como funcionava a cabeça da criança).

Timão e Pumba

Depois de algum tempo é que eu fui entender a ordem cronológica das coisas. E verdade seja dita, se O Rei Leão se tornou meu filme de animação favorito de todos os tempos, Timão e Pumba, não apenas com sua participação no longa, mas principalmente com sua série animada, têm grande parcela de culpa nisso.

Percebe-se que eu não era uma criança com muito acesso à cinema. Era difícil para mim. Tanto que demorei anos para assistir muitas das animações da Disney, inclusive O Rei Leão. Meu contato com o entretenimento mundial se dava exclusivamente por rádio e TV (aberta). E foi assim que eu conheci Timão e Pumba. Não no cinema, nem na famosa fita verde, mas na televisão.

Lembro como se fosse ontem de me jogar na rede do quarto da minha mãe, ligar a TV às 18h, todos os dias de segunda a sexta e sintonizar no SBT, porque era a hora de um dos melhores programas infantis que a TV brasileira já nos deu. Se você também foi uma criança nos anos 90, já deve saber do que eu estou falando. Ele mesmo: Disney Club.

Disney Club

Aquele momento do meu dia era sagrado, uma hora inteirinha só vendo desenhos animados incríveis! O Disney Club, que mais tarde virou Disney CRUJ, foi parte importante da vida de uma galera da minha geração. O sinal do SBT na minha casa não era dos melhores, não. Eu assistia os desenhos cheios de chuvisco, mas pensa que eu me importava? Que nada. Naquela época, TV a cabo era um luxo para poucos, portanto esse era o único meio que muita gente tinha de conhecer e assistir esses desenhos. Ainda mais depois que a TV Manchete parou de exibir animes no horário das 18h e o Disney Club passou a ser o único programa infantil da TV aberta naquela faixa de horário. Daí você tira a importância dele para quem cresceu nessa década. Hoje é quase impensável uma emissora brasileira ter um programa infantil no horário das 18h.

O Comitê Revolucionário Ultrajovem

O Disney Club estreou em 1997 com uma ideia um tanto diferente. Um grupo de três crianças, que estava cansado com o “domínio adulto” na programação, conseguiu interferir no sinal do SBT para exibir um “programa pirata”, batizado de TV CRUJ, sigla de Comitê Revolucionário Ultrajovem.

O clube era um local onde os ultrajovens (um termo muito mais legal para chamar as crianças) poderiam desabafar sobre os problemas impostos pelos adultos e idosos e fazer suas reivindicações. E a hora do programa era o momento da diversão ultrajovem, longe dos adultos chatos. Tudo funcionava no sótão do presidente do clube e os membros tinham que usar codinomes e identidades secretas para não serem pegos pelos “caras da TV” (genial, sabe?).

Juca (Diego Ramiro) era o presidente, mas quando estava apresentando o programa se tornava Caju. Seu irmão mais novo se chamava Guelé (Leonardo Monteiro), cujo codinome era Chiclé, é dele um dos maiores bordões do programa, “nós somos ultrajovens e merecemos respeito”. Os irmãos tinham um amigo apelidado de Macarrão (Caíque Benigno), pois era sua comida preferida, que também participava do clube, usando o nome Macaco, e era o responsável por “dar o play” nos desenhos clássicos da Disney. Pouco tempo depois da estreia/fundação, o clube recebeu sua primeira menina, Malu (Jussara Marques), que já chegou se impondo e exigindo direitos iguais para as garotas ultrajovens (ícone feminista!), seu jeito meio estabanado e mega colorido de ser acabou lhe rendendo o apelido de Maluca.

Os quatro comandaram sozinhos o programa por dois anos, até a entrada de Ana Paula (olha que linda coincidência), interpretada por Danielle Lima, que descobriu o clube por “acidente” e acabou entrando para o time sob o codinome de Pipoca, foi ela quem ficou responsável pelo “play” com a saída de Macaco do programa, já em 1999. Pouco tempo depois entrou Fred (Murilo Troccoli), que por ter muito dinheiro, foi batizado de Rico.

Era essa galera que tornava o Disney Club muito mais que um programa de desenhos. A interação entre os personagens, tanto em suas versões “normais” quanto sob os disfarces, era uma atração à parte. O programa sabia exatamente quem era seu público, por isso o roteiro que envolvia os dramas pessoais dos personagens provocava uma grande identificação com quem assistia. Perder os momentos em que os apresentadores falavam com o público ou as relações que eles desenvolviam entre si era tão ruim quanto perder qualquer desenho.

O sucesso dos personagens foi tanto que em 2001, após um breve recesso, o programa voltou com o nome de Disney CRUJ, totalmente reformulado, acrescentando uma pequena novelinha, que incluía outros personagens além dos apresentadores, entre um desenho e outro.


Apresentadores - Disney Club

Apenas a título de curiosidade, a Jussara Marques, que fazia a Malu/Maluca, também é dubladora, e quem curte desenhos deve reconhecê-la por trabalhos como a Pan, de Dragon Ball Z e Dragon Ball GT, a Jade Chan, de As Aventuras de Jackie Chan, e a Tenten, de Naruto e Naruto Shippuuden.

Desenhos marcantes

Mas um time que mesmo sendo “ultrajovem” conduzia tão bem um programa veiculado em rede nacional merecia um catálogo de desenhos à altura. Muitas eram as animações que conquistaram o coração da galera que assistia à TV CRUJ.

Um que muita gente se lembra, mesmo que ele não tenha tido grande destaque na Disney, é Marsupilami. Nos moldes de Timão e Pumba, que se metiam em todo tipo de confusão na selva, o simpático animal amarelo com uma cauda imensa se juntava aos seus amigos Spirou e Fantásio para, por mais sessão da tarde que isso possa soar, viver altas aventuras.


Marsupilami

Os personagens clássicos da Disney não ficaram de fora. Como não amar A Turma do Pateta? Ver o Pateta criando seu filho Max, enquanto sofria constantes tentativas de sabotagem pelo seu vizinho Bafo, era no mínimo muito engraçado. As aventuras de Huguinho, Zezinho e Luizinho ao lado do Tio Patinhas também eram presenças constantes na TV CRUJ, o ícone Ducktales é considerado a série animada mais famosa da Disney e ganhou até um filme, DuckTales the Movie: Treasure of the Lost Lamp, lançado em 1990, logo após o fim da série. E já que a Disney parece gostar muito de patos, outro desenho que chamava atenção era Os Super Patos, que conta a história de seis patos alienígenas que arrasam no hóquei.


Ducktales, A Turma do Pateta, Os Super Patos

Quem já estava ali entrando na pré-adolescência também podia se sentir muito bem representado. Desenhos como Ana Pimentinha, Doug e A Hora do Recreio fizeram muito sucesso. Todos passados naquele ambiente escolar, abordando um pouco as emoções típicas do início da puberdade, os três representavam um momento mais relaxante, mais habitual, mais gente como a gente, e eram um ótimo contraponto em meio a todo o fervor das grandes aventuras que se viam nos demais desenhos.


Ana Pimentinha, A Hora do Recreio, Doug

Alguns dos grandes clássicos da Disney também tiveram seus spin offs em forma de série animada, como o próprio O Rei Leão, cuja série investiu nos personagens que com certeza roubaram a cena. Hércules também foi um deles, mostrando os momentos do herói enquanto treinava com Filoctetes. Pudemos assistir muitas aventuras extras de Aladdin, que também tinha seu próprio desenho, e da Pequena Sereia, cuja história se passava antes de ela se tornar humana. Mas um dos meus favoritos era a série dos 101 Dálmatas, que focava em três dos filhotes de Perdita e Pongo: Pingo, Roliço e Queridinha, que trabalhavam junto com a galinha Pinta para impedir ainda mais armações de Cruela Devil.

A Pequena Sereia, Aladdin, Hércules, 101 Dálmatas - Séries animadas

Esses são apenas alguns dos desenhos que marcaram época por meio da TV CRUJ. E essa é só uma pequena homenagem, bastante movida pela nostalgia, para esse programa que fez parte da vida de tantas crianças e adolescentes brasileiros. Infelizmente não dá para matar a saudade 100%, já que até agora só Ducktales e Timão e Pumba estão disponíveis no Disney+, mas se você quiser relembrar um pouco mais dessa época, em outubro do ano passado o UOL promoveu um encontro virtual com quase todos os apresentadores da TV CRUJ, clica aqui para assistir.

E para não perder o costume: CRUJ, CRUJ, CRUJ, Tchau!

 

Esta coluna é escrita pelos integrantes do Anime Geek, evento multicultural pop e geek realizado em Belém desde 2012. Para mais informações, acesse também as nossas redes sociais:
 
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