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Telecine celebra 130 anos de Charles Chaplin

16 Abr 2019 - 08h05
Telecine celebra 130 anos de Charles Chaplin - Crédito: Reprodução Crédito: Reprodução

Completam-se nesta terça-feira, 16, 130 anos do nascimento de Charles Spencer Chaplin, em Londres. Nascido numa família de artistas, emigrou para os EUA e, somente como Charles Chaplin, virou um dos artistas mais conhecidos - e amados - do século 20. Criou um personagem emblemático, Carlitos. A data não vai passar em branco. A Rede Telecine, no seu canal de cults, anuncia uma extensa programação - começa com O Garoto, às 13h25, e prossegue durante toda a parte da noite com Em Busca do Ouro, O Circo, Um Dia Bem Passado, Luzes da Cidade, Idílio Campestre, Tempos Modernos, Dia de Pagamento, para encerrar-se, à 0h40, com Luzes da Ribalta.

Há que se perguntar se Chaplin, que morreu no Natal de 1977, continua vivo no imaginário coletivo como quando criou Carlitos, em 1914. Talvez. Pois o gosto do público mudou muito e, em 2002, quando uma nova distribuidoras lançou, no Natal, a versão digitalizada de O Grande Ditador, os críticos deliraram. Destacando a importância da obra, mas as vendas ficaram além do esperado. Chaplin criou Carlitos integrado à estética do cinema mudo, quando os filmes eram projetados em 16 quadros por segundo Mais tarde, com o advento do som, a necessidade de adequação com a imagem fez com que os filmes passassem a 24 quadros por segundo, e aí houve uma mudança na estética chapliniana.

Nos filmes mudos, o movimento era acelerado e Chaplin criou seu vagabundo - com bengalas, chapéu-coco e sapatos imensos furados - como um malabarista diante da vida. Quando os movimentos de Carlitos ficaram naturalistas, quem perdeu o rumo foi ele. Chaplin, o cineasta, resistiu ao som. Fez, no sonoro, filmes mudos com música (Luzes da Cidade), com diálogos nonsense (Tempos Modernos). 

Quando incorporou a palavra foi para criar o discurso final do barbeiro judeu que, em O Grande Ditador, se fez passar pelo ditador inspirado em Hitler. Um discurso humanista. Nunca mais guerra, respeito por todos, trabalho para todos. Liberdade, igualdade, fraternidade. Chaplin foi considerado comunista e, em pleno macarthismo, exilou-se.

Foi viver na Suíça. Voltou a Hollywood somente em 1972, quando recebeu o Oscar pela trilha de Luzes da Ribalta, que estreara somente naquele ano. Pode ser que para uma nova geração formada no videogame, o cinema de Chaplin pareça ultrapassado. Não é. Carlitos segue sendo um símbolo de resistência. Ainda se pode rir muito com ele, e pensar. E Chaplin, o artista, fez avançar a linguagem do cinema com seus experimentos.

 

Por Luiz Carlos Merten

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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