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"SUA PRESENÇA É VERGONHOSA"

Embaixadora do Brasil na ONU bate boca com Jean Wyllys

15 Mar 2019 - 14h47
Embaixadora do Brasil na ONU bate boca com Jean Wyllys - Crédito: Reprodução Crédito: Reprodução

Durante uma reunião na ONU, na manhã desta sexta-feira (15), a embaixadora do Brasil, Maria Nazareth Farani Azevedo, e o ex-deputado, Jean Wyllys, protagonizaram um verdadeiro bate boca.

O ativista que abandonou o Brasil, foi convidado a falar em um debate sobre o populismo no mundo. Em sua fala, porém, ele alertou para a suposta relação entre o crime organizado e o governo brasileiro, fazendo referências até mesmo ao assassinato de Marielle Franco.

"Os novos autoritarismos são os velhos autoritarismos agora articulados com as características próprias da contemporaneidade", disse Wyllys, em seu discurso. "Novos autoritarismos, como o do Brasil, continuam elegendo inimigos internos da nação por meio da difamação e constituindo grupos para culpá-los pelos problemas econômicos", afirmou.

"A diferença é que agora estão articulados com as novas tecnologias da informação. Articulam com organizações criminosas que se infiltram no estado, e tem um fundo religioso e moralista muito mais acentuado", alertou o ex-deputado. 
 
"Sou a prova da eficiência desses novos métodos utilizados pelos novos autoritarismos", insistiu. "Não pude assumir meu terceiro mandato do qual fui democraticamente eleito por conta de ameaças de morte que vinha recebendo desde 2011 e, em especial, durante a campanha [de 2018]", explicou.
 
Maria Nazareth, a embaixadora do Brasil na ONU, não estava na sala no momento do discurso e durante a semana não havia aparecido em nenhum dos eventos, mas ao retornar , nesta sexta-feira, ela entrou no local, depois de o evento já ter sido iniciado, e chegou a pedir para intervir no meio das falas dos demais membros do painel organizado para debater o populismo no mundo. Mas a moderadora, num primeiro momento, a ignorou. 
 
Com o tempo do debate se esgotando, ela mandou recado de que queria falar, o que levou a moderadora do debate a abrir espaço para a embaixadora. Ao tomar a palavra, a diplomata rebateu as afirmações de Jean Willys.
 
"Bolsonaro não abandonou o Brasil, mesmo depois de ter levado uma tentativa real de tirar sua vida", disse. Segundo ela, Bolsonaro estaria "trabalhando duro". "Mas essa é a era de fake news e cabe a nós, pessoas sérias, esclarecer", afirmou.
 
"Não é um criminoso e seu governo não é uma organização criminosa", insistiu a embaixadora, que ainda esclareceu que Bolsonaro "não é racista, fascista ou autoritário". "Ele não cuspiu na cara da democracia", disse a embaixadora, numa referência aos incidentes no dia do impeachment de Dilma Rousseff e sem mencionar que Bolsonaro teria elogiado um torturador. "Ele escolheu os votos, a eleição e o diálogo", declarou.
 

Ao terminar de falar, se levantou para sair da sala. Mas um dos membros estrangeiros do debate, Jamil Dakwa, alertou: "a senhora não quer ouvir a resposta dele?" A embaixadora rebateu: "Fico. Com a condição de que eu possa responder de novo". "Não é assim", contra-atacou o participante. "Não? Então vou [sair]", completou a embaixadora.

Neste momento, Jean Wylly tomou o microfone. "Se a senhora quisesse um debate, ouviria minha resposta. Minha presença amedronta a senhora e seu governo, que não tem compromisso com a democracia", atacou.

A embaixadora tentou interromper Wyllys de novo: "A sua presença aqui envergonha o Brasil", disse. Mas ela foi cortada por Willys: "Agora é a minha vez de falar. Respeite. Mais respeito à democracia", disse o ex-deputado.

Ela então, antes de deixar a sala, respondeu. "Não amedronta. Envergonha", disse.
 
 
 
 
 
Com informações de UOL

 

 

 

 

 

 
 

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