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PANDEMIA

Pesquisa revela que menos de 40% dos profissionais de saúde do país foram testados para covid-19

Passou de 55% para 80% o número de profissionais que disseram ter colegas que se contaminaram no trabalho

02 Ago 2020 - 04h59Atualizado 01 Ago 2020 - 20h49Por Da Redação
Profissionais de saúde são bastante afetados na pandemia - Crédito: Reprodução - Portal da IndústriaProfissionais de saúde são bastante afetados na pandemia - Crédito: Reprodução - Portal da Indústria

Apenas 35,2% dos profissionais de saúde dizem ter sido testados para covid-19 no Brasil. Até junho deste ano de 2020, metade destes profissionais continua sem receber Equipamentos de Proteção Individual (EPI), essenciais para sua proteção durante o trabalho. É o que revela a pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos da Burocracia (NEB), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). 

Já na segunda fase, a pesquisa “A pandemia de Covid-19 e os profissionais de saúde pública no Brasil” realizou um levantamento com 2.138 profissionais da saúde pública, de todos os níveis de atenção e regiões do país entre os dias 15 de junho e 1º de julho.

Nesta fase 40% eram agentes comunitários e agentes de controle de endemia, 20,8% profissionais de enfermagem, 14,7% médicos e 23,8%, outros profissionais da saúde. Os pesquisadores avaliaram o impacto do avanço da pandemia entre esses profissionais diante de um cenário de reabertura precipitada das atividades não essenciais em várias cidades.

Pesquisa incluiu perguntas sobre saúde mental e assédio moral durante a pandemia

A primeira fase realizada em abril de 2020, conseguiu capturar o cenário de impacto inicial da pandemia coletando informações de 1.456 profissionais de saúde de todo o Brasil.

Além de ampliar a amostra, nesta segunda etapa os pesquisadores adicionaram ao questionário perguntas relacionadas à saúde mental, assédio moral e testagem destes profissionais.

Uma média de 30% dos profissionais de saúde alegaram sofrer práticas de assédio moral durante a pandemia. Para 78,2%, sua saúde mental foi afetada durante o período, sendo que apenas 20% afirmaram receber algum tipo de apoio do Estado para lidar com estes problemas.

A coordenadora da pesquisa Gabriela Lotta, afirma que as condições de saúde destes profissionais podem estar relacionadas à falta de suporte e recursos por parte do Estado. Para ela, isso cria uma situação muito tensa de trabalho, onde prevalecem o medo e o sentimento de despreparo e uma das consequências é o aumento dos problemas de saúde mental destes profissionais, além do adoecimento, afastamento do trabalho e morte.

Após dois meses da primeira fase da pesquisa, a taxa de profissionais da saúde com medo de contrair a covid-19 continua estável. O índice de agentes comunitários de saúde e agentes de combate à endemia que sente medo da doença chega a 89%, enquanto atinge 83% dos profissionais da enfermagem, 79% dos médicos e 86% dos outros profissionais das equipes ampliadas de saúde. O percentual de profissionais de saúde que relataram ter algum colega que se contaminou com a doença passou de 55% para 80% nesta segunda fase da pesquisa.

Também mostra que aumentou 10% o nível de treinamento dos profissionais de saúde, passando de 21,91% para 32,2%, englobando médicos e técnicos de enfermagem. Ainda assim, o índice continua sendo muito baixo.

Os agentes comunitários de saúde e os agentes de endemia são os profissionais menos atendidos em termos de equipamentos e treinamento. Em junho, apenas 32% destes profissionais apontaram ter recebido EPIs. Houve uma pequena melhora com relação ao período anterior, já que em abril apenas 19,65% dos agentes comunitários relataram receber esse tipo de equipamento.

Profissionais de saúde não se sentem preparados para lidar com o cenário de pandemia

Mesmo com uma variação entre profissionais e regiões, em média, 70% dos profissionais da saúde não se sentem preparados para lidar com a crise da covid-19, número bastante expressivo. “Esperávamos encontrar um cenário melhor depois de quatro meses de pandemia, mas a pesquisa mostra que os profissionais de saúde continuam numa situação de vulnerabilidade”, ressalta a coordenadora da pesquisa.

Na primeira fase da pesquisa, 64,97% dos profissionais da saúde entrevistados diziam não se sentir preparados para lidar com o cenário, o que demonstra que pouca coisa mudou.

O cenário de falta de preparo dos profissionais é preocupante, segundo avalia Michelle Fernandez, professora da UnB e pesquisadora do NEB. “Os profissionais de saúde estão desprotegidos na realização de suas atividades laborais. Sem treinamento suficiente para atuar na pandemia e sem acesso a testes, colocam em risco a sua própria vida para ajudar pessoas infectadas pela covid-19. Somado a isso está a falta de apoio dos governos. São soldados lutando desarmados em uma guerra perdida”, afirma.

A percepção sobre a falta de suporte governamental continua estável em mais de 50% dos profissionais. A falta de apoio do governo federal sentida pelos profissionais aumentou. Em abril, 67% diziam não sentir que o governo federal os apoia, enquanto que, em junho, já são 78%. O índice é muito maior ao de profissionais que sentem falta de suporte governamental do governo municipal, que chega 58%.

A alteração da rotina por causa da crise do coronavírus tem sido mais percebida pelos profissionais de saúde em relação aos relatos de abril. O índice de profissionais que responderam que a crise alterou suas rotinas, com mudança de rotina, de procedimentos, introdução de novas tecnologias, distanciamento físico, passou de 75% em abril para 95% em junho.

“As novas formas de interação entre os profissionais e os usuários dos serviços de saúde imprimem um distanciamento que impacta, inclusive, na qualidade do serviço prestado ao cidadão. Na atenção primária, onde existe uma relação próxima e cotidiana entre profissionais e usuários dos serviços de saúde, o distanciamento é ainda mais sentido”, completa a pesquisadora.

Fonte: Agência Bori

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