Muito Além da Estética

Dentes desalinhados podem afetar a saúde bucal e a mastigação

Publicado em 18 de setembro de 2026 às 10:52

Dr. Pedro Graziani, cirurgião-dentista e ortodontista: é importante observar o sorriso para além da aparência
Dr. Pedro Graziani, cirurgião-dentista e ortodontista: é importante observar o sorriso para além da aparência Crédito: Foto: Acervo Pessoal 

Ter um sorriso alinhado costuma ser associado à estética, mas a posição dos dentes também está relacionada à saúde bucal. Alterações na mordida, dentes muito apinhados ou espaços inadequados podem dificultar a higienização, favorecer o acúmulo de placa bacteriana e provocar desgaste irregular dos dentes, além de interferir na mastigação.

Segundo o cirurgião-dentista e ortodontista Pedro Graziani, é importante observar o sorriso para além da aparência. “Quando os dentes não estão bem posicionados, pode haver maior dificuldade para realizar uma higiene adequada e também uma distribuição inadequada das forças durante a mastigação. Por isso, cada caso precisa ser avaliado individualmente”, explica.

E o problema não é exclusivo de crianças e adolescentes. Muitos adultos procuram tratamento ortodôntico depois de perceberem mudanças na posição dos dentes ao longo dos anos. Em outros casos, alterações que já existiam anteriormente passam a incomodar ou a apresentar consequências com o passar do tempo.

Pedro explica que não existe uma idade única para iniciar um tratamento ortodôntico. O momento adequado depende do tipo de alteração e das condições de saúde bucal de cada paciente. Na infância, o acompanhamento pode ajudar a identificar precocemente problemas relacionados ao desenvolvimento da dentição e dos maxilares. Já na vida adulta, também é possível corrigir diversos tipos de alterações.

Outro ponto que gera dúvidas é a escolha do aparelho. Com a popularização dos alinhadores transparentes, muitas pessoas acreditam que eles podem ser utilizados em qualquer situação, mas a indicação depende do diagnóstico. “Hoje temos diferentes possibilidades de tratamento, dos aparelhos convencionais aos alinhadores. O mais importante não é escolher primeiro o tipo de aparelho, mas entender qual é o problema e qual estratégia oferece o resultado mais adequado para aquele paciente”, destaca Graziani.

O especialista reforça que alguns sinais merecem atenção, como dificuldade para higienizar determinadas regiões, dentes muito sobrepostos, mordida que não se encaixa adequadamente, desgaste excessivo ou mudanças perceptíveis no alinhamento dos dentes. O tempo de tratamento também é uma das principais dúvidas de quem procura um ortodontista. De acordo com Pedro Graziani, não existe um prazo padrão, já que a duração depende do tipo e da complexidade da alteração, da resposta de cada paciente e do planejamento definido pelo profissional.

“Cada caso é um caso. Há tratamentos mais simples e outros que exigem um acompanhamento por mais tempo. Por isso, só depois de uma avaliação e de um diagnóstico adequado é possível estimar a duração do tratamento”, explica. Entre os problemas ortodônticos mais frequentes estão dentes apinhados ou com espaçamento excessivo, mordida aberta, mordida cruzada, sobremordida e alterações no encaixe entre as arcadas. Mas nem sempre um problema ortodôntico é facilmente percebido pelo próprio paciente.

“Existem alterações que não chamam atenção quando a pessoa olha para o sorriso no espelho, mas que podem estar relacionadas ao encaixe da mordida, à posição dos dentes ou à forma como as forças são distribuídas durante a mastigação. É justamente por isso que a avaliação profissional é tão importante”, finaliza Pedro Graziani.

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