Publicado em 2 de março de 2026 às 17:47
Neste mês, celebra-se a campanha Março Lilás, dedicada à conscientização sobre a prevenção do câncer do colo do útero, uma das doenças que mais afetam a saúde feminina no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, o câncer cervical é o terceiro tipo mais incidente entre as mulheres brasileiras, atrás apenas das neoplasias mamárias e colorretais.>
De acordo com estimativas recentes do Instituto Nacional de Câncer (Inca), órgão ligado ao Ministério da Saúde, o país registra cerca de 17 mil novos casos por ano, o que representa uma taxa aproximada de 15 casos a cada 100 mil mulheres. Ainda segundo o órgão, a doença provoca aproximadamente 6 mil mortes anuais no Brasil, sendo considerada uma das principais causas de óbito por câncer em mulheres nas regiões Norte e Nordeste.>
A ginecologista da Hapvida, Vitória Cardoso, explica que a doença pode ser evitada. “O câncer do colo do útero quase sempre começa por uma infecção persistente pelo HPV, o papilomavírus humano. A grande vantagem é que ele pode ser detectado muitos anos antes de se transformar em câncer, através do exame preventivo”, orienta.>
O principal exame de rastreio é o Papanicolau, indicado principalmente para mulheres entre 25 e 64 anos. “É um exame simples, rápido e praticamente indolor. Ele identifica alterações nas células do colo do útero ainda em fase inicial, quando o tratamento é mais fácil e a chance de cura chega a mais de 90%”, destaca a médica.>
Outro ponto fundamental da campanha é a vacinação contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde recomenda a vacina para meninas e meninos de 9 a 14 anos. “A vacina protege contra os principais tipos do vírus que causam o câncer. Quando associamos vacinação e exame preventivo periódico, conseguimos praticamente eliminar o risco da doença”, explica a especialista.>
Apesar disso, muitas mulheres ainda não realizam o acompanhamento adequado. Dados do Ministério da Saúde indicam que uma parcela significativa do público feminino ainda está fora do rastreamento regular, seja por falta de informação, medo ou dificuldade de acesso.>
A médica alerta também para sinais que precisam de atenção. “Sangramento fora do período menstrual, dor durante a relação, corrimento persistente ou com odor forte não devem ser ignorados. Nem sempre significam câncer, mas sempre precisam ser investigados.”>
Segundo ela, o maior problema não é a gravidade da doença, e sim o diagnóstico tardio. “Quando descoberto cedo, o câncer do colo do útero tem altas taxas de cura. O Março Lilás existe justamente para lembrar que prevenção não pode ser adiada. O exame leva poucos minutos, mas pode salvar uma vida”, finaliza.>