Novas vacinas ofertadas pelo SUS reforçam prevenção contra doenças graves

Imunização contra influenza, dengue e HPV pode reduzir internações entre crianças e adolescentes

Publicado em 13 de abril de 2026 às 10:15

Vacinação
Vacinação Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

A atualização do calendário de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) tem ampliado a proteção de crianças e adolescentes contra doenças graves em todo o país. Nos anos de 2025 e 2026, novas vacinas e mudanças importantes foram incorporadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), coordenado pelo Ministério da Saúde, fortalecendo a estratégia de prevenção no Brasil.

Entre as principais inclusões está a vacina contra a dengue, agora disponível para crianças a partir de 4 anos e adolescentes. O imunizante oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus e reduz significativamente o risco de evolução para formas graves da doença, que podem levar à hospitalização.

Outra mudança importante foi a inclusão da vacina contra a gripe no calendário de rotina infantil. Antes aplicada apenas em campanhas sazonais, a imunização agora passa a ser anual para crianças de seis meses a menores de seis anos. Na primeira aplicação, são necessárias duas doses; nos anos seguintes, apenas uma. A medida amplia a proteção contínua contra complicações da influenza, especialmente em públicos mais vulneráveis.

Também houve atualização na vacinação contra a poliomielite. A tradicional “gotinha” foi substituída pela vacina inativada (VIP), considerada mais segura por utilizar vírus inativado, sem risco de causar a doença.

Além disso, a vacina contra o HPV passou por uma mudança importante e agora é aplicada em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos. O imunizante protege contra infecções que podem evoluir para diferentes tipos de câncer, como o de colo do útero, pênis, ânus e orofaringe.

Outra atualização relevante é a vacina meningocócica ACWY, indicada para adolescentes de 11 a 14 anos. Ela protege contra doenças graves causadas pela bactéria Neisseria meningitidis dos tipos A, C, W e Y, incluindo meningites e infecções generalizadas.

Na família Campos, as cadernetas dos três filhos estão sempre às vistas da mãe, que gerencia as datas e está de olho nas atualizações e campanhas vacinais. André tem 12 anos e já tomou a vacina contra o HPV em dose única, além de estar apto para receber a vacina meningocócica ACWY. Já Davi (6) e Rosa Mel (3) ainda precisam completar as rotinas vacinais e participar das campanhas sazonais. Para a família, além do cuidado pessoal, o apoio da rede pública é fundamental, pois a inclusão de novas vacinas amplia a proteção em todas as fases da infância e adolescência.

Segundo a pediatra Anna Maria Amorim, professora da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Abaetetuba, a ampliação do calendário representa um avanço importante na saúde pública.

“As vacinas são a base da prevenção. Elas protegem contra doenças graves, evitam internações e reduzem riscos de complicações que podem levar até a UTI. Mesmo quando não impedem totalmente a infecção, ajudam o organismo a responder melhor, evitando formas mais severas”, destaca.

A especialista também reforça a importância de manter a caderneta de vacinação atualizada. “É fundamental que pais e responsáveis acompanhem o calendário e garantam que crianças e adolescentes recebam todas as doses recomendadas. Isso faz diferença não só na proteção individual, mas também na coletiva”, afirma.

Reconhecido internacionalmente, o PNI oferece gratuitamente uma das mais completas coberturas vacinais do mundo. A adesão da população é considerada essencial para o controle de doenças transmissíveis e para a prevenção de agravos mais graves, incluindo aqueles associados ao desenvolvimento de câncer.

A orientação da pediatra é que os responsáveis procurem as unidades básicas de saúde para verificar a situação vacinal e garantir a proteção adequada de crianças e adolescentes.

Vacinação infantil em foco: proteção contra influenza, COVID-19 e SRAG

A enfermeira e coordenadora do curso de Enfermagem da Afya Redenção, Laiza Pereira, reforça que manter a caderneta de vacinação atualizada é essencial para proteger as crianças, especialmente diante dos dados recentes dos boletins epidemiológicos no Brasil.

“O aumento de casos de influenza, COVID-19 e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) mostra que os vírus respiratórios continuam afetando principalmente crianças pequenas, muitas vezes levando a internações. A baixa cobertura vacinal contribui para esse cenário e reacende o risco de surtos e complicações”, alerta.

Segundo Laiza, o calendário vacinal infantil oferece imunizações específicas e eficazes para reduzir esses riscos. Entre as principais, ela destaca:

- Vacina contra influenza (gripe): aplicada anualmente, protege contra as principais cepas do vírus em circulação e reduz hospitalizações.

- Vacina contra COVID-19: indicada conforme faixa etária definida pelo Ministério da Saúde, previne complicações e formas graves da doença.

- Vacina pentavalente: protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Haemophilus influenza tipo b.

- Vacina pneumocócica: previne pneumonia e meningite causadas pelo pneumococo.

- Vacina meningocócica: protege contra diferentes tipos de meningite bacteriana, que podem evoluir rapidamente e causar sequelas graves.

Ela ressalta que manter a imunização em dia é sinônimo de proteção: “Quando a vacinação está em dia, os casos graves diminuem. Quando há falhas na cobertura, os números aumentam, especialmente entre crianças.”

Para Laiza, a vacinação infantil é também um ato coletivo: “Ao proteger uma criança, reduzimos a circulação de vírus na comunidade e protegemos outras pessoas, especialmente as mais vulneráveis. Em um cenário de circulação contínua de vírus respiratórios, manter a imunização em dia é uma das formas mais seguras e eficazes de cuidar da saúde das crianças hoje e no futuro.”