Publicado em 11 de maio de 2026 às 07:47
A rotina de milhões de brasileiros não é ditada apenas pelas leis do Estado, mas pelas normas invisíveis e muitas vezes violentas do crime organizado. Segundo um estudo inédito do Datafolha, encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 68,7 milhões de pessoas afirmam que grupos criminosos fazem parte do cenário onde moram. O dado, que representa 41% da população acima de 16 anos, desenha um mapa onde a segurança pública parece ter perdido o controle sobre o território nacional, especialmente nos grandes centros urbanos.>
Realizada em março deste ano, a pesquisa ouviu mais de 2 mil pessoas em 137 municípios. Enquanto metade dos brasileiros ainda afirma viver em áreas livres dessa influência, a realidade nas cidades é alarmante: 56% dos moradores de centros urbanos sentem a presença constante de facções.>
O impacto não é apenas psicológico; ele é prático. Cerca de 35% dos entrevistados relatam que esses grupos têm poder direto sobre as regras de convivência e as decisões tomadas dentro dos bairros.>
O domínio se estende para o bolso do cidadão. O levantamento estima que 42,2 milhões de brasileiros vivem sob algum tipo de regulação imposta pelo crime. Isso inclui a obrigação de contratar serviços básicos, como internet, luz e água, de fornecedores "autorizados" pelas facções, além da imposição de marcas específicas em comércios locais. Esse monopólio forçado transforma o direito de escolha do consumidor em uma questão de sobrevivência.>
Além da economia, o medo molda a liberdade individual. Três em cada quatro brasileiros admitem que mudam seus trajetos ou evitam circular por certas áreas para não virarem estatística. Nas residências, a preocupação é com o futuro: 71% das famílias confessam o pavor de ver um parente ser tragado pelo tráfico de drogas. Com uma margem de erro de dois pontos percentuais, os números confirmam que, para uma parcela gigante da população, o portão de casa já não é mais o limite onde termina a ameaça da criminalidade.>