Acionistas do BRB aprovam medidas contra ex-gestores no caso Master

Decisão abre caminho para ações de responsabilização civil por possíveis prejuízos ligados a negócios do banco com o Master e a Reag

Publicado em 24 de agosto de 2026 às 13:53

Decisão abre caminho para ações de responsabilização civil por possíveis prejuízos ligados a negócios do banco com o Master e a Reag
Decisão abre caminho para ações de responsabilização civil por possíveis prejuízos ligados a negócios do banco com o Master e a Reag Crédito: Reprodução 

Nesta segunda-feira (24), os acionistas do Banco de Brasília (BRB) aprovaram, por maioria dos votos, medidas para responsabilizar civilmente ex-gestores que eventualmente sejam apontados como responsáveis por prejuízos à instituição em operações envolvendo o Banco Master e a Reag. A decisão foi tomada durante uma Assembleia Geral Extraordinária realizada de forma on-line.

De acordo com o mapa de votação divulgado antes da assembleia, 7.495 acionistas votaram pela aprovação da medida e houve apenas uma abstenção. A autorização permite que o banco avance com eventuais ações judiciais contra antigos administradores, caso as investigações identifiquem responsabilidades por danos ao patrimônio da instituição.

O BRB ressaltou, porém, que a decisão não significa que pessoas específicas já tenham sido consideradas responsáveis por irregularidades. Segundo o banco, a medida é um procedimento previsto na legislação e permite a continuidade das apurações conduzidas pela Polícia Federal e por outros órgãos de investigação.

O caso está relacionado à Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para investigar operações envolvendo o Banco Master. Entre os pontos apurados está a compra, pelo BRB, de cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master que seriam supostamente falsas.

Na semana passada, a Polícia Federal pediu mais prazo para concluir o inquérito e realizar novas diligências, incluindo depoimentos de ex-diretores do BRB.

Crise financeira

A investigação ocorre em um momento delicado para o Banco de Brasília. O BRB enfrenta uma grave crise financeira e busca, junto ao Governo do Distrito Federal, seu principal acionista, alternativas para capitalizar a instituição e evitar um agravamento da situação.

A possibilidade de um empréstimo para reforçar o caixa do banco está sendo discutida no Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é encontrar uma solução para a situação financeira da instituição em meio aos impactos provocados pelas operações investigadas.

Entre os nomes envolvidos no caso está o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, preso desde 16 de abril. Ele é suspeito de ter recebido propina de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Costa nega as acusações.

Também foi alvo da Operação Compliance Zero o ex-diretor executivo financeiro e de controladoria do BRB, Dario Oswaldo Garcia Júnior. Ele teve um mandado de busca e apreensão cumprido e foi afastado do cargo em novembro de 2025.

Em nota, o BRB afirmou que a decisão dos acionistas reforça o compromisso da instituição com transparência, governança e defesa dos interesses dos investidores. O banco também destacou que a eventual responsabilização dependerá das conclusões das investigações e poderá resultar em medidas para buscar o ressarcimento de possíveis prejuízos.